Sábado, 18 de Novembro de 2017

Prioridade invertida

22 FEV 2010Por 03h:34
Durante o ano passado, o número de acidentes em Campo Grande teve aumento de 9%, passando de 7 mil para 7.654 registros, segundo dados oficiais do Detran. O índice praticamente equivale ao do aumento da frota, que passou de 329 mil para 356 mil veículos, alta pouco acima de 8%. O mesmo percentual verifica-se na quantidade de pessoas feridas, 2,3 mil. No montante das mortes no local do acidente, porém, houve redução drástica, de 36%, passando de 91 para 58. Mudança na atuação das equipes de resgate talvez ajude a explicar esta redução, já que os demais índices continuaram evoluindo no mesmo ritmo de anos anteriores. Um dos poucos aspectos que continuam inalterados é a quantidade de policiais e agentes de trânsito nas vias. Agora, após mais de uma década, finalmente a Agetran promete promover concurso para contratar até 20 "amarelinhos". Se todos irão para a rua fiscalizar o trânsito, só o tempo dirá. A Polícia Militar, por sua vez, anunciou a adoção dos chamados smartphones, equipamento que tende a substituir os tradicionais blocos de papel por similares eletrônicos. Ao todo, serão 30 blocos eletrônicos. Na prática, a tecnologia só representará maior agilidade na emissão das notificações, que inclusive podem ter uma via impressa e entregue na hora aos supostos infratores. Porém, não existe nenhuma previsão para colocar mais policiais efetivamente nas ruas ou avenidas, o que poderia fazer alguma diferença na cidade. Mesmo após o concurso para ingresso na PM, há quase dois anos, o setor de trânsito ficou praticamente esquecido. E, por conta desta falta de agentes, a chamada lei seca é solenemente ignorada na cidade. Quer dizer, investimento em equipamentos eletrônicos é do que menos se precisa em Campo Grande, cidade que foi uma das pioneiras na implantação de lombadas eletrônicas, fotossensores e radares, mas que mesmo assim nunca deixou de figurar entre as líderes no ranking nacional da violência no trânsito. Ou seja, se a indústria da multa resultasse em mudança imediata ou futura no comportamento dos motoristas, a cidade deveria estar repleta de condutores com comportamento parecido com o dos melhores países europeus. Outro dado que revela que a falta de fiscalização humana é uma das responsáveis pelo aumento constante nos índices é que cerca de 8% dos acidentes registrados em Campo Grande envolvem motoristas sem habilitação. O número só não é bem mais alto porque muitos dos casos não são registrados exatamente por conta da falta deste documento ou porque alguém com a carteira assume a responsabilidade. E, se existe tanta gente assim desrespeitando um quesito básico da legislação é porque existe a certeza de que o risco de cair numa blitz é quase zero. E, se milhares dirigem sem a CNH, é de se imaginar o que não acontece com o restante, realidade testemunhada diariamente por quem circula pela cidade, menos pelas autoridades de trânsito, que insistem em priorizar as ações que podem resultar em multas (boa parte de carros parados) ou que nem mesmo estão nas vias para desempenhar seu papel de fiscal.

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