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Primeiros sinais de Alzheimer são ignorados pela maioria das pessoas, diz neurologista

Primeiros sinais de Alzheimer são ignorados pela maioria das pessoas, diz neurologista

agência brasil

21/09/2011 - 09h41
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Estima-se que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de Alzheimer, o tipo de demência mais comum a afetar o cérebro. No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas têm a doença.

Um relatório divulgado, na semana passada, pela organização Alzheimer´s Disease International, que reúne entidades em vários países, revelou um dado preocupante. Mais de 75% das pessoas que vivem com a doença no mundo não foram diagnosticadas.

Para o neurologista do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Rodrigo Schultz, o diagnóstico da doença ocorre tardiamente porque a maioria ignora os primeiros sinais da doença. “Tanto a família quanto o médico negligenciam, de forma involuntária, as queixas das pessoas”, disse.

Segundo ele, diferentemente de outras doenças, o Alzheimer não é identificado com um único exame, mas a partir de uma análise do histórico médico do paciente e uma avaliação neurológica detalhada.

O primeiro sintoma é a dificuldade de lembrar fatos recentes, como o local onde está um objeto de uso frequente. Segundo o médico, cerca de 30% dos casos são identificados na fase intermediária, quando o doente encontra dificuldade em fazer atividades rotineiras, o que é percebido por amigos e parentes. “A dona de casa, por exemplo, que se atrapalha na cozinha ou com as finanças”, explica Schultz, membro da Academia Brasileira de Neurologia.

Com o passar do tempo, a doença progride e os sintomas pioram. A perda de memória aumenta e o paciente apresenta desorientação, mudanças no humor e deixa de reconhecer pessoas próximas. No estágio final, a pessoa com a doença não consegue andar, falar e comer e enfrenta complicações, como fraturas de membros, por causa de quedas, e feridas pelo corpo, por ficar longos períodos deitada. A terceira idade é a faixa etária com o maior número de registros da doença.

Cuidar de um portador de Alzheimer afeta também a rotina da família. Administrar trabalho, filhos, estudos e o avanço da doença resulta em elevada pressão psicológica sobre o responsável em cuidar do parente doente.

A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) no Rio de Janeiro oferece curso com orientações sobre como cuidar dos parentes acometidos pela doença e dar-lhes melhor qualidade de vida.

A presidenta da associação, Eliana Faria, alerta que o aumento de casos da doença nos próximos anos vai exigir a formação de cuidadores capacitados para atender os idosos. “Quanto mais pessoas apresentam a doença, há menos lugares com atendimento especializado”, disse.

Em alguns estados, associações promovem hoje (21) atividades para esclarecer sobre os sintomas doença por causa do Dia Mundial do Alzheimer.

Não existe cura para a doença. Os remédios e o tratamento conseguem apenas protelar o avanço e aliviar os sintomas. O paciente pode viver, em média, de dez a 12 anos com a doença. A sobrevida, segundo Schultz, está relacionada a fatores genéticos e ao estilo de vida do portador, como a prática de exercícios físicos e a predominância de atividade intelectual, como a leitura.

Entrevista

"As operadoras enxergam o sistema penitenciário como nicho de mercado"

Para secretário Antônio Carlos Videira, combate ao crime organizado exige inteligência, tecnologia e descapitalização das facções; MS tem queda histórica nos roubos e amplia sensação de segurança

23/05/2026 08h20

Antônio Carlos Videira - Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul

Antônio Carlos Videira - Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul Marcelo Victor/Correio do Estado

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"As operadoras de telefonia celular enxergam o sistema penitenciário como um nicho de mercado". A afirmação do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, resume um dos principais desafios enfrentados atualmente no combate ao crime organizado: impedir que facções continuem operando de dentro dos presídios por meio de golpes aplicados via telefone celular.

Em entrevista, o secretário detalha como o avanço da tecnologia ampliou o poder de atuação dos criminosos e defende investimentos em bloqueadores de sinal, inteligência policial e integração entre os órgãos de fiscalização para combater não apenas o tráfico de drogas, mas também a lavagem de dinheiro das organizações criminosas.

Ao longo da conversa, Videira também aponta os fatores que colocam Mato Grosso do Sul entre os estados com maior sensação de segurança do País, com redução histórica nos índices de roubos e ausência de latrocínios este ano.

O secretário atribui os resultados ao investimento contínuo em segurança pública, à transparência na divulgação dos dados, ao uso de tecnologia nos presídios e às políticas de prevenção e combate à violência doméstica, área em que o Estado se tornou referência nacional pela rapidez na concessão de medidas protetivas.

 
Mato Grosso do Sul é um estado onde a sensação de segurança pode ser percebida para além do noticiário. Ao contrário de grandes capitais, em Campo Grande ainda é possível circular com os vidros dos veículos abaixados e usar telefone celular nas ruas. A que se deve isso?

O que cria o clamor público é a sensação de insegurança. Os roubos em Mato Grosso do Sul estão em queda desde 2019. De 2.565 casos registrados em 2019, no ano passado tivemos 741 ocorrências.

Os registros vêm caindo ano após ano. Estamos falando de um estado que tem 2,9 milhões de habitantes. Neste ano, já estamos em maio, caminhando para junho, e registramos os melhores números da série histórica.

Quando falamos de latrocínio, temos um fato que vale o registro: felizmente, ainda não tivemos nenhum caso neste ano.
Mesmo em Campo Grande, quando falamos de roubos no comércio, os casos caíram de 400 para 132.

Então, quando você fala em sensação de segurança, ela se explica por meio desses dados que estou te mostrando. E a origem dessa sensação de segurança necessariamente passa por investimento e capacitação.

E tenho um lado positivo a destacar: o governador Eduardo Riedel e o ex-governador Reinaldo Azambuja enxergam os custos da segurança não como despesa, mas como investimento. Porque segurança pública não é barata, de jeito nenhum.

E na região de fronteira também há a sensação de segurança que existe em outras regiões do Estado?

Sim. Temos números que mostram que, na fronteira, quase não há furtos. O volume de furtos de veículos na região é o menor da série histórica. Foram 189 casos neste ano. Em 2020, por exemplo, tivemos 300. Os roubos de veículos, que já foram muito temidos pela população local, também estão em um patamar baixíssimo.

Mas eu te digo uma coisa: também oferecemos essa sensação de segurança porque fazemos segurança pública com muita transparência. Muita gente sabe como eu trabalho.

Aqui na Secretaria de Justiça e Segurança Pública, e em todo o Mato Grosso do Sul, nós não maquiamos números. Enfrentamos a realidade para transformá-la e buscar resultados satisfatórios. Para isso, preciso saber exatamente o que está acontecendo.

O combate a quais crimes contribui para o aumento da sensação de segurança?

O combate aos crimes que ocorrem nas ruas, como roubos à mão armada e furtos, é essencial para aumentar a sensação de segurança.

Como disse anteriormente, o enfrentamento dessa quadrilha que vem roubando caminhonetes é um exemplo de atuação com inteligência contra o crime organizado, o que também contribui para essa percepção.

Mas pequenas situações podem abalar a sensação de segurança. Todo esforço de redução da criminalidade pode ir por água abaixo se ocorrer um crime que choque a sociedade. Por exemplo, um latrocínio pode causar grande comoção popular.

Recentemente, recebi representantes do alto escalão da XP Investimentos, e eles ficaram encantados com Campo Grande, sobretudo porque vivem em São Paulo e já testemunharam assaltos e latrocínios em regiões nobres da capital paulista.

Por isso, ainda que tenhamos bons índices e baixo volume de crimes, a ocorrência de um caso grave pode abalar a sensação de segurança do cidadão, mesmo que os números indiquem um cenário positivo.

E sobre os crimes digitais, aqueles golpes aplicados via telefone celular, como as polícias de Mato Grosso do Sul estão trabalhando para combatê-los?

Parte disso se deve à inclusão digital. A inclusão digital é para todos, inclusive para o crime. O que precisamos fazer para combater esse tipo de delito é reforçar as ações dentro dos presídios.

O governo federal despertou para isso com o pacote Brasil contra o Crime Organizado, que prevê financiamento para ampliar a segurança nas penitenciárias, algo que comemoramos, já que temos uma das maiores populações carcerárias do mundo.

No momento em que o governo federal instala bloqueadores de sinal de celular nas unidades prisionais, ele corta o principal meio de comunicação desses criminosos com o mundo externo.

Hoje, muitos presos continuam aplicando golpes o dia inteiro, mesmo encarcerados. E sabe por quê? Porque as operadoras de telefonia enxergam o sistema penitenciário como um nicho de mercado.

Hoje, se houver uma área de sombra, um município com sinal ruim, basta anunciar a instalação de um grande presídio para o sinal melhorar. Afinal, haverá muita gente falando ao telefone o dia inteiro.

Além disso, há o avanço constante da tecnologia. O Estado compra bloqueadores para sinal 4G, mas logo surge o 4.5G. Depois vem o 5G.

Agora o governo federal finalmente despertou para a necessidade de uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado de forma ampla. Não é apenas prendendo pessoas e apreendendo drogas que se combate o crime organizado.

A maior dificuldade dessas organizações não é levar o produto ilícito até o grande centro consumidor, nem até portos e aeroportos. O grande desafio é lavar o dinheiro obtido com o lucro do crime.

Por isso, hoje as organizações criminosas investem em produtos e serviços, como transporte urbano, internet, televisão clandestina e venda de combustível.

O que é mais caro: construir ou manter um presídio?

O caro não é construir. O caro é manter. Só a conta de água e tratamento de esgoto da Agepen custa cerca de R$ 9 milhões por mês.

Por isso, digo que a prevenção é a melhor forma de promover segurança pública. Quem pratica furto ou roubo não faz isso uma vez só, faz reiteradamente. Então, a repressão também é uma forma de prevenção, mas tem um custo muito alto.

Como funciona o combate financeiro ao crime organizado?

Não é só prender e apreender droga. É descapitalizar as organizações criminosas. A droga gera dinheiro, e esse dinheiro precisa ser lavado.

Por isso, essas facções entram em áreas aparentemente lícitas, como internet, transporte, televisão clandestina e prestação de serviços. A atividade final pode ser lícita, mas o capital é ilícito.

O governo federal anunciou investimentos em tecnologia nos presídios. Mato Grosso do Sul aderiu?

Já aderimos. Vamos receber mais de R$ 10 milhões para custeio. O governo federal vai implantar tecnologias semelhantes às dos presídios federais, como bloqueadores de celular, raios X e bloqueadores de drones.
Hoje é preciso usar tecnologia para impedir que presos continuem aplicando golpes de dentro da cadeia e estimular estudo e trabalho para remição de pena. Mato Grosso do Sul se destaca nisso.

Mato Grosso do Sul também virou referência no enfrentamento à violência contra a mulher. O que mudou?

O grande avanço foi a celeridade. Hoje, em poucas horas, a mulher consegue medida protetiva e o agressor pode ser intimado pela própria polícia. Esse modelo [de enfrentamento à violência contra a mulher] chamou a atenção do CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e deve ser expandido nacionalmente.

Também investimos em acolhimento, tecnologia e produção de provas. O depoimento em áudio e vídeo transmite muito mais do que um relato escrito.

Houve mudança cultural em relação à violência doméstica?

Ainda há muito a avançar. Tivemos casos de homens que cresceram numa cultura machista e não aceitaram quando a mulher passou a contestá-los. Um homem chegou a matar a companheira de mais de 50 anos porque ela "passou a retrucar". Isso mostra como a cultura de submissão ainda existe.

{ PERFIL }

Antônio Carlos Videira

Dr. Antônio Carlos Videira é formado em Direito e tem mais de três décadas de carreira na Polícia Civil. Começou como escrivão e passou a delegado, atuando na Delegacia de Polícia de Jateí, no Departamento de Operações de Fronteira (DOF), na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e na Delegacia Regional de Dourados.

quilômetro 21

Obra na ponte "gangorra" fecha estrada de acesso a Bonito neste sábado

Previsão é de que o tráfego seja reaberto a partir das 14 horas, mas em sistema de pare e siga e somente para veículos leves

23/05/2026 08h17

Degrau em um das extremidades da ponte chegou a ser de 48 centímetros e carros de passeio chegaram a sofrer acidentes no chamado quilômetro 21

Degrau em um das extremidades da ponte chegou a ser de 48 centímetros e carros de passeio chegaram a sofrer acidentes no chamado quilômetro 21

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A ponte sobre o Rio Miranda, na MS-345, no distrito de Águas do Mirada, será interditada por completo neste sábado (23). A previsão é de que o tráfego seja restabelecido a partir das 14 horas. 

A interdição ocorre, segundo a Agesul, para execução de uma etapa essencial da obra de recuperação estrutural, que vai garantir mais segurança e estabilidade à travessia. Em setembro de 2024 a ponte ficou famosa nacionalmente por se transformar em uma espécie de gangorra quanto ocorria a travessia de caminhões pesados. 

A estrutura, na divisa dos municípios de Anastácio e Bonito, formava um degrau de até 48 centímetros quando caminhões pesados chegavam a uma das extremidades. E, por conta deste degrau, carros de passeio chegaram a estourar os quatro pneus por causa do impacto com este degrau na pista. 

Ainda de acordo com a Agesul, depois das 14 horas a ponte está liberada para o tráfego com as restrições que vinham sendo adotadas: tráfego sendo operado no sistema pare e siga, em meia pista e circulação na ponte limitada a veículos leves, caminhonetes e caminhões de pequeno porte, com peso máximo de até 10 toneladas, sendo permitida a passagem de um veículo por vez.

A interrupção temporária será necessária para a substituição do neoprene da cortina da ponte. Por questões de segurança, essa intervenção exige a suspensão momentânea do trânsito.

A Seilog reforça que a medida é indispensável para garantir a plena restauração da estrutura e permitir o avanço seguro de uma intervenção planejada com rigorosos critérios técnicos.

A obra de reforma está exigindo investimento inicial R$ 3.309.408,68 e inclui o recondicionamento de pontos estratégicos, reforço estrutural e adequações técnicas para restabelecer a estabilidade da ponte, construída pelo Exército Brasileiro em 1967, antes da pavimentação da rodovia.

Segundo o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, a obra foi pensada para recuperar completamente a estrutura e adequá-la à demanda atual da região. “É uma recuperação estrutural completa, feita com critérios técnicos rigorosos. Nosso objetivo é entregar uma ponte recondicionada, segura e preparada para atender a demanda atual e futura da região”, afirmou.

Embora a ponte seja antiga, a rodovia que encurta em cerca de 40 quilômetros a distância entre Campo Grande e Bonito foi recentemente pavimentada, com investimento R$ 340 milhões. Mas, a ponte não recebeu manutenção à época. Antes da pavimentação, a maior parte dos motoristas saía de Campo Grande e passava por Sidrolândia, Nioaque, Guia Lopes da Laguna (Jardim) e chegava a Bonito.

Depois da reforma, para encurtar o trajeto em cerca de 40 quilômetros, a rota passou a ser por Terenos, entrando à esquerda em Aquidauana e, alguns quilômetros depois, é necessário entrar à direita rumo ao distrito de Águas de Miranda e seguir até Bonito pela estrada.

 

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