Sábado, 18 de Novembro de 2017

Primeiro semestre fecha aquecido

16 JUL 2010Por 08h:03
Karina Craveiro, Auto Press

Entre altos e baixos. Foi um primeiro semestre agitado para a indústria automotiva brasileira. Só que em números gerais, o fechamento dos seis primeiros meses do ano mostrou bom volume de comercialização e muitos lançamentos, na tentativa de disputar venda por venda em cada segmento. Tudo inserido em um cenário que pode ser dividido em pré e pós IPI. E que toma novas formas a cada mês que se passa.
Entre janeiro e junho deste ano foram comercializados 1,49 milhão de carros de passeio e utilitários. Um avanço de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 1,39 milhão de unidades foram emplacadas, de acordo com dados da Fenabrave. O início do ano foi marcado pelo pessimismo, com as vendas em baixa e um janeiro com queda de 27%. Em contrapartida, o sexto mês do ano fechou em leve alta de 4,65%, com 262.780 unidades comercializadas.
Na visão das montadoras, o semestre pode ser explicado exatamente de acordo com os diferentes patamares dos dois trimestres. Janeiro, fevereiro e março foram meses em que as fabricantes apostaram todas as suas fichas no mercado, na onda do fim do IPI, para atrair a clientela e vender todas as unidades possíveis. “As fabricantes atuaram fortemente nesse período e tentaram tirar o máximo proveito desse mercado com a redução do imposto”, confirma Ronaldo Znidarsis, diretor-geral de marketing e vendas da General Motors do Brasil. E a tal correria de quem emplaca mais resultou em um março histórico para a indústria, com 337.381 unidades. “O consumidor aproveitou os incentivos, somados aos longos prazos de financiamento e às baixas taxas”, reforça Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.
A surpresa para a indústria foi um abril “de ressaca”, com clientes que aproveitaram os carros faturados ainda com o antigo IPI – e 261.922 veículos emplacados. O quinto mês do ano se iniciou com uma maré de incerteza por parte dos fabricantes, que acreditavam que seria, logicamente, um dos piores meses depois da saída do imposto. Ao todo, 235.674 automóveis ganharam as estradas brasileiras. “Maio chegou a recuar, mas não tanto quanto todos esperavam. Enquanto isso, o mês de junho era uma espécie de esperança para a retomada das vendas”, opina Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan.
E foi o que aconteceu. O último mês do primeiro semestre resgata a confiança dos fabricantes e faz com que o segundo semestre seja visto como um período de novas oportunidades. A tendência agora é um patamar de vendas mais normalizado, onde as montadoras consigam somar bons números em função dos longos prazos que ajuda o consumidor na hora da compra. “O esperado é que o mercado mantenha a média atual de veículos emplacados até meados de outubro”, completa Paulo Roberto Garbossa, afirmando ainda que novembro e dezembro devem ter um crescimento um pouco maior. “O mercado está se comportando como o previsto. Mas esse mercado acomodado não significa um segundo semestre estagnado. Seguramente julho será melhor do que junho e a alta esperada do ano é de 7%”, finaliza Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.
O que não mudou no primeiro período de 2010, no entanto, foi a guerra “particular” entre Fiat e Volkswagen, que também disputam o status de ter o veículo mais vendido do País. A montadora italiana encerrou o primeiro semestre com 341.443 automóveis e veículos comerciais leves emplacados no mercado, e uma vantagem superior a 28 mil unidades sobre a alemã Volkswagen, que acumula 313.443 unidades. Entre os modelos de maior destaque da Fiat, o Uno ganhou um grande impulso com o lançamento da nova versão, em maio, elevando as vendas do modelo para mais de 19 mil unidades em junho. E encostou no Volkswagen Gol, veículo mais vendido do Brasil, com 22.179 unidades. Este novo desenho do mercado não foi bem digerido pela empresa alemã, que deixou claro que não aceita abordar esse assunto. Já na Fiat, o humor é bem melhor. “As perspectivas para o ano de 2010 são de crescimento em linha com o mercado, em torno de 8%. O novo Uno e os lançamentos de carros que faremos ao longo deste ano nos ajudarão a manter a liderança do setor”, afirma otimista o diretor comercial da Fiat, Lélio Ramos.

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