Sexta, 24 de Novembro de 2017

Prejuízo da chuva soma R$ 11 milhões

1 MAR 2010Por 04h:20
Campo Grande acordou ontem sob um cenário de guerra na área próxima ao viaduto da Rua Ceará sobre a Avenida Ricardo Brandão. Rastros de destruição foram deixados pela chuva de 88 milímetros que sábado à noite, durante 90 minutos, castigou as regiões central, leste e norte da cidade. Embora venha convivendo desde dezembro com a cratera na Ceará, que por coincidência sábado, dia da tromba d’ água, completou dois meses, o campo - grandense ainda assim ficou impressionado com o tamanho do buraco que se abriu. Logo nas primeiras horas da manhã de domingo esse quadro de destruição atraiu centenas de curiosos que, com celulares, máquinas fotográficas e filmadoras, buscavam o melhor ângulo, inclusive sob o risco de cair no córrego, para registrar o impressionante volume de água que descia da cachoeira do Prosa nos fundos do Condomínio Cachoeira I, o aprofundamento da cratera da Ceará depois que a tromba d’água levou um dos aterros do viaduto. Havia um autêntico frisson do público a cada instante em que a água avançava e trazia abaixo o muro de contenção da área de lazer do Condomínio Cachoeira I que fica às margens da Avenida Ricardo Brandão. “Parece que aqui caiu uma bomba”, comentou o aposentado José Vicente, residente no Bairro Cidade Jardim. Ele saiu de casa logo cedo para conferir de perto os estragos. A visitação só foi interrompida por ordem do secretário de Governo, Rodrigo Aquino, por volta das 15h30min, temeroso de que alguém acabasse caindo do viaduto ou fosse arrastado pela correnteza que, por alguns momentos, invadiu a pista onde as pessoas se concentravam. Restaram placas do pavimento em meio a terra, tornando impossível o trânsito de veículos e pedestres. Os guardrail das duas margens do Córrego ficaram retorcidos. Blocos de grama plantados nos barrancos foram arrancados. Na opinião de algumas pessoas, está na hora de a prefeitura colocar em prática o plano diretor de drenagem previsto no projeto de controle de enchentes executado há dois anos. Descendo a Ricardo Brandão, que, depois da Rua Bahia, chama-se Fernando Corrêa da Costa, o cenário era um pouco diferente. Trabalhadores e máquinas da prefeitura passaram o domingo removendo o lixo e o barro que a enxurrada arrancou do Prosa e jogou no asfalto. Pelo menos 70 trabalhadores foram mobilizados ainda às 10 horas da noite de sábado. “Me chamaram em casa e trabalhamos até as 2 horas da madrugada. Hoje, logo às 7 horas, estávamos de volta”, informa o operador de máquinas Nivaldo Gomes. O gari Assunção Ortega, 25 anos de prefeitura, mostrava-se cansado, mas satisfeito por estar contribuindo “para deixar tudo limpo novamente”.

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