Domingo, 19 de Novembro de 2017

Preço do frete pode aumentar 40% no Estado

11 FEV 2010Por ADRIANA MOLINA07h:08
O frete agrícola poderá ter reajuste de até 40% nas próximas semanas, por conta do pico da colheita de soja e também do leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que deve ser realizado hoje, para escoar cerca de 160 mil toneladas de milho da safra passada. A estimativa é da Associação do Comércio de Cereais de Mato Grosso do Sul (ACCEMS), que prevê um cenário de pouca oferta de caminhões para uma grande demanda de soja, já que a safra do grão este ano será recorde: o Estado deve produzir cerca de cinco milhões de toneladas. Nari Bocchi, presidente da ACCEMS, explica que em safras anteriores, em que a produção foi menor, as altas já se confirmavam com acréscimos em torno de 10% a 20% dos custos no período, mas, neste ano, com uma produção cerca de 18% maior, e um cenário mais competitivo, os valores podem ficar até 40% superiores aos praticados em novembro de 2009, quando foram fechados os contratos de comercialização futura. “Temos ainda o leilão da Conab para o frete de escoamento de milho da safrinha passada. São mais ou menos 160 mil toneladas – o que deve concorrer com a atual safra de soja e deixar os preços ainda mais altos”, avalia, lembrando a lei de oferta e demanda. O presidente calcula um acréscimo de, pelo menos, R$ 1,20 por saca já nos próximos dias – valor que deve ser diretamente repassado ao produtor. Mas as altas já começaram. Em novembro, quando vendas de soja foram fechadas no mercado futuro, fretes de Dourados até Paranaguá, por exemplo, custavam em torno de R$ 100 a tonelada. Nesta semana, os valores já estão na casa dos R$ 120 por tonelada. “Até o pico da colheita, com certeza, eles chegam aos R$ 140 por tonelada”, afirma Bocchi, evidenciando um aumento de 40% em relação à cotação praticada há três meses. Outro lado Embora os setores produtivo e de comercialização acreditem em altas mais expressivas que as praticadas em anos anteriores (em torno de 10% a 20%), por outro lado o setor de transporte defende que este deve ser um ano normal em relação ao translado da safra. Otto Schley, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas do Estado de Mato Grosso do Sul (Setcems), afirma que, como em todos os anos, os valores não deverão ultrapassar a média, mesmo com o contexto de alta demanda de carga e baixa oferta fretistas. “Não vão faltar caminhões e nem os preços do frete devem subir mais que o comum”, afirma Schley. “Quanto à questão da Conab, o leilão é nacional – o que significa que podem concorrer e vencer empresas de outros estados, deixando mais remota a possibilidade de concorrência com a soja e alta acentuada aqui em Mato Grosso do Sul”, completa. As afirmações do presidente são confirmadas pelos empresários do setor. Gilberto Smozinske, proprietário de uma transportadora no Estado, diz que o aumento previsto para os próximos 60 dias está dentro da média, em torno de 15% a 20%. Em relação ao leilão da Conab, ele também não vê o certame como concorrente da safra de soja, pois os preços não são atrativos e poucas empresas devem se interessar. “O preço máximo lançado no edital já é baixo e as transportadoras ainda vão disputar de forma decrescente – o que significa que ficarão ainda menores. Eu mesmo acredito que não devo participar, não vale a pena”, explica. O montante que havia sido disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a retirada do milho de Mato Grosso do Sul era de R$ 17,5 milhões. Porém, o edital para o leilão do frete prevê preços máximos que totalizam R$ 31,3 milhões, divididos em lotes entre R$ 2,9 e R$ 6,4 milhões. A diferença justifica-se pela inclusão de recursos para mais 40 mil toneladas (o previsto inicialmente eram 120 mil toneladas) e aumento de destinos, acrescentando o Rio Grande do Sul e estados do nordeste, além do de São Paulo, que já estava confirmado. Atualmente Mato Grosso do Sul possui cerca de 800 empresas e autônomos que realizam o transporte de cargas rodoviárias.

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