Domingo, 19 de Novembro de 2017

Preço da soja caiu 20% para os produtores

21 FEV 2010Por 07h:42
Levantamento do Cepea mostra que a queda no preço da soja ao produtor paranaense foi de cerca de 20% em 12 meses. De acordo com Lucílio Alves, o agricultor tomou a decisão pelo plantio quando o preço estava em alta. “A níveis atuais, a margem fica complicada”, destacou. “Não houve muito interesse de venda antecipada e aqueles que quiseram vender não encontraram respaldo no mercado dada a indefinição da safra do Hemisfério Sul.” Segundo ele, a sustentação do preço deve vir da China. No entanto, o banco central chinês tem aumentado o compulsório bancário constantemente, o que pode levar ao aperto no crédito. “Se eles voltarem (a comprar), pode ser que mude o cenário”, ponderou Alves. Ele também lembrou que os Estados Unidos discutem o programa de etanol, que pode privilegiar o milho, em detrimento da soja. “Tem muita coisa para rolar até tomar a decisão de nossa safra, são cenários não muito claros ainda, e muito menos para o produtor.” “O que ele precisa é ter em mãos a planilha, um planejamento de custo pelo menos.” Para o economista Robson Mafioletti, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o mercado chinês é a “salvação da lavoura”. Cálculos apontam que o custo de produção da soja é de R$ 27 a saca de 60 quilos, mas os produtores têm conseguido boa produtividade, de até 60 sacas por hectare. Economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Gilda Bozza também alertou os produtores para controle de custos e estratégias de comercialização. Ela lembrou que o dólar desvalorizado é prejudicial. Além disso, algumas culturas, utilizadas no processo de rotação, como milho, trigo e feijão, têm custo elevado. “São maiores que o preço de mercado e o preço mínimo de garantia, o que compromete o negócio”. No caso da soja, Gilda reforçou ainda que o produtor brasileiro disputa contra o subsídio e a melhor logística de transporte americano. “Quase 15% do preço do produto está na logística de transporte, que é perda de renda para o produtor”, salientou. Três safras “A produção do Estado do Paraná só não é maior por causa da redução de mais de 20% da área plantada com milho, cuja produtividade é o dobro do rendimento da soja”, disse o secretário de Estado da Agricultura, Valter Bianchini. Em ano normal, o Paraná colhe três safras. A secretaria e entidades representativas dos produtores estão pedindo ao Governo federal instrumentos ágeis e compensadores para escoar remanescentes de milho, trigo e feijão com o objetivo de liberar os armazéns. Bianchini não acredita que o Paraná mantenha a liderança na produção de grãos por muito tempo. “Futuramente, Mato Grosso assume essa posição”, afirmou. “O Paraná não tem mais área, mas não vemos limite para o crescimento da produtividade, enquanto Mato Grosso tem área e tem como aumentar a produtividade”. Segundo ele, a prioridade paranaense é avançar, entre outros itens, na avicultura, na melhoria genética da pecuária e na fruticultura. “Vamos investir mais para agregar valor com agroindústrias”, reforçou.

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