Quinta, 23 de Novembro de 2017

Precariedade

20 JUL 2010Por 07h:18
Se as previsões es-tiverem corretas, o sol volta a brilhar em Campo Grande a partir de hoje, após quase cinco dias de “sumiço” e um rápido reaparecimento ontem à tarde. Uma das mais visíveis consequências desta intensa e insistente nebulosidade foi a falta de condições de voo no aeroporto de Campo Grande, provocando transtornos irreparáveis a milhares de pessoas. Trata-se de um fenômeno talvez sem precedentes na cidade, por conta de sua longa duração. Porém, as interrupções de operação são rotineiras, bastando chuva mais forte ou nebulosidade muito baixa. Nestas ocasiões, contudo, a repercussão e as consequências passam despercebidas.

            A alegação da direção do aeroporto é de que simplesmente não há o que fazer e que somente nas melhores pistas europeias é possível operar nestas condições climáticas. A informação, porém, é contestada tanto por passageiros quanto por pilotos, que são acostumados a enfrentar adversidades em aeroportos do sul do País e nem por isso são registrados tantos cancelamentos de voos. Fosse assim, aeroportos de Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, permaneceriam fechados dia sim dia não.

            Não se trata de defender que pousos e decolagens tivessem que ter sido realizados em meio ao nevoeiro, pois ninguém seria estúpido ao ponto de entender que a segurança fosse colocada em segundo plano. A questão é a falta de investimentos para melhorar as condições de operação. Se o funcionamento é suspenso em determinadas condições, é de se supor que em momentos em que as condições meteorológicas estão um pouco melhores, a segurança não é das mais confiáveis. Ou seja, um motorista pode ter total certeza de que  não consegue passar num atoleiro com 30 centímetros de profundidade. Porém, quando tem metade desta dimensão, é possível enfrentá-lo. Contudo, atoleiro nenhum é seguro, ainda mais quando o veículo não tem tração nas quatro rodas ou se não há certeza de reboque. Sem equipamentos devidos, o limite entre o seguro e o arriscado certamente é muito tênue, embora autoridade alguma jamais vá admitir isso com relação ao aeroporto de Campo Grande e apesar de não haver registro de incidentes graves por conta disto.

            Nos últimos anos percebeu-se investimentos em colunas e pisos recobertos por granito e em outros aspectos “meramente” visuais do aeroporto de Campo Grande. Melhorias significativas na infraestrutura, contudo, parece que ficaram para segundo plano. E não se trata apenas de uma questão de acabar com os transtornos para os usuários do serviço. Sem a garantia de que determinados eventos podem efetivamente ser realizados, a cidade e o Estado inteiro certamente perderão turistas e negócios, pois qualquer empresa ou viajante de bom senso tenderá a optar por lugares mais seguros e garantidos. Investimentos de longo prazo até que estão previstos, mas são basicamente na ampliação do espaço. A responsabilidade por estas melhorias não cabe somente à Infraero. Ela deve ser assumida pelos administradores estaduais e municipais, que precisam buscar estas melhorias em Brasília, e com urgência.

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