Quinta, 23 de Novembro de 2017

Pré-sal terá cota nacional de mão de obra , impõe Petrobras

22 MAR 2010Por 08h:18
Não bastassem a distância, a profundidade e as demandas tecnológicas, a Petrobras impôs também novo desafio no pré-sal: conteúdo humano nacional. Estipulou o percentual de 80% como patamar mínimo de brasileiros nas plataformas que vai afretar para produzir petróleo na nova fronteira. A julgar pela primeira operação na bacia de Santos, a meta não é simples. Dez meses depois de iniciada a produção em Tupi, a plataforma Cidade de São Vicente, a única que extrai petróleo no pré-sal da região, não chegou a esse patamar. Na plat a forma, nav io afretado da norueguesa BW Offshore, dos cerca de 70 trabalhadores, cerca de 30% são estrangeiros, entre russos, noruegueses e indianos. O comandante é o ucraniano Seryi Gurin, 43. Procurada, a BW não comentou. A Petrobras diz que “o percentual de brasileiros é crescente em Tupi” e que “dá preferência a brasileiros nas demais plataformas”. Não informou qual é o patamar das demais áreas. A empresa ainda avalia quantas plataformas afretará. Vida no mar O trabalho em plataforma requer disponibilidade. O regime é de duas semanas de trabalho e duas de folga, para terceirizados. Os profissionais da Petrobras (na Cidade São Vicente, um é da estatal) folgam três. Pesquisas em sites de emprego mostram que as empresas pagam R$ 5.000 por mês, mais bônus e comissões anuais entre R$ 5.000 e R$ 13 mil. As cifras variam para cada cargo. Na plataforma, há engenheiros, geólogos e técnicos que operam equipamentos e avaliam a produção. Também há pessoal de apoio, para limpeza e arrumação, cozinheiros e nutricionistas. Gláucia é a profissional que acompanha a saúde dos embarcados. Para chegar à bacia de Santos, a 290 quilômetros da costa, a viagem de helicóptero leva 80 minutos sobre o mar. São duas a três viagens por dia até lá (na de Campos, são 80 para as diversas plataformas). A jornada é de 12 horas. No tempo livre, é possível usar a academia ou assistir a filmes na sala de vídeo, onde há livros (muitos deixados por colegas estrangeiros) e, eventualmente, revistas e jornais. Nos escritórios, computadores com acesso à internet e telefones. A presença dos estrangeiros faz do inglês o segundo idioma nas unidades. O ucraniano Gurin diz que os sotaques regionais no inglês dos brasileiros o confundem. “Às vezes, parece que falam outra língua.” O convés é o ambiente mais duro. Por segurança, para circular ali, exige-se incômodo figurino: macacão fechado, botas, luvas, capacete, óculos e proteção de ouvido. Com sol no pico e o “flare” (chama da queima do gás), a sensação térmica supera 50 graus Celsius. O barulho atordoa. Já a área interna é refrigerada. Não fosse o balanço constante do navio, a sensação seria a de estar em escritório com uma uniforme vista para o mar. Fonte: Folha Online

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