Quarta, 22 de Novembro de 2017

Praia Morena

12 FEV 2010Por 08h:05
A Prefeitura de Campo Grande está pretendendo investir cerca de R$ 20 milhões para implantação daquilo que já está batizado como Praia Morena, que seria uma espécie de balneário na Lagoa Rica, área localizada na saída para Três Lagoas. Que a cidade é carente de áreas de lazer, disto não restam dúvidas. Então, qualquer iniciativa neste sentido possivelmente agradaria a importante parcela dos contribuintes. Contudo, antes de se fazer esta aplicação, independentemente se o recurso é federal, estadual ou local, é necessário saber se é isto que a maioria aprova, pois tão importante quanto implantar novos empreendimentos, é a sua manutenção. Hoje já existem projetos para construção de um aquário do Pantanal, planetário, centro de belas artes, entre outros, que certamente também são iniciativas interessantes. E, assim como no caso deste possível balneário, o importante é saber se cabem no bolso da administração municipal depois de concluídos e se estes são realmente empreendimentos necessários e/ou prioritários. O autódromo, que é usado não mais de meia dúzia de vezes por ano, é um exemplo bem típico. Recentemente, para que pudesse receber provas de alguma relevância, R$ 1 milhão de reais dos cofres públicos tiveram de ser injetados, principalmente, para o recapeamento da pista. Absolutamente nada contra os investimentos em áreas de lazer e entretenimento. Mas, periodicamente são publicadas reportagens de abandono da praça de tal bairro, depredação do espaço de lazer de outro e assim por diante. Que entre os usuários dos espaços públicos existe uma infinidade de vândalos, isto as autoridades sabem há muito. E, exatamente por isso precisam pensar no custo da prevenção e da recuperação destes espaços pelo resto dos dias. Se realmente saírem do papel todas estas obras, mais cedo ou mais tarde os recursos próprios da prefeitura serão destinados quase todos à "festança" e a escalada de aumento de impostos, principalmente do IPTU, que sofreu reajustes inexplicáveis nos últimos anos, não terá mais fim. Isto se já não se chegou a este patamar, pois para a reforma da pista do autódromo a municipalidade disponibilizou dinheiro. Mas, para recapear as avenidas Afonso Pena e Mato Grosso, por exemplo, espera-se recursos de Brasília. Nunca é demais lembrar que é necessário definir prioridades numa administração. Para os políticos, independentemente da sigla a que pertencem, obras novas e com grande visibilidade estão acima de tudo. Uma consulta aos contribuintes, porém, certamente revelaria que ruas e avenidas com asfalto digno, sinalizadas, cascalhamento nas vias sem pavimeno asfáltico, prédios públicos bem conservados, postos com médicos e medicamentos, policiais nas ruas são tão ou mais importantes quanto obras novas. Levar infraestrutura básica aos bairros mais afastados, evidentemente, deve fazer parte das metas de qualquer administração. Isto, contudo, em hipótese nenhuma pode significar abandono daquilo que já existe.

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