Política

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PPS expulsa prefeito que apoiou Dilma e ameaça 'infiéis' da sigla

PPS expulsa prefeito que apoiou Dilma e ameaça 'infiéis' da sigla

ESTADÃO

29/11/2010 - 18h00
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O prefeito de Jaguariúna (SP), Gustavo Reis, foi o primeiro a cair no quadro político do PPS, que passa por "amplo processo de reestruturação".

Contra Reis, pesou o apoio dado à então candidata do PT, Dilma Rousseff, na corrida presidencial. Como integrava a coligação "O Brasil Pode Mais", do tucano José Serra, o partido entendeu que o prefeito deveria ser expulso. Ele teria cometido "atos graves" ao desrespeitar uma decisão do comando nacional da sigla.

O presidente do Conselho de Ética do PPS, Renato Atílio, decidiu pela expulsão de Reis por considerar que não restava "outra alternativa" a não ser optar pelo desligamento do prefeito.

Eleito em 2008 com quase 10 mil votos (42,5%), Gustavo Reis ressalta na página da Prefeitura de Jaguariúna que o PPS é "seu único partido de militância há 10 anos". Sua expulsão da legenda aconteceu por ferir a "questão da fidelidade partidária". E ele pode ser só o primeiro.

A sigla aprovou, no último final de semana, resolução que determina punição ou expulsão de quem desrespeitar, especialmente, "disciplina e fidelidade partidária". Assinado pelo presidente do PPS, Roberto Freire, o texto se compromete a apertar as rédeas sobre filiados que não se alinharem ao estatuto do partido.

Diretórios regionais considerados "infiéis", também na mira do partido, são ameaçados com reestruturação ou dissolução.

A decisão contrária ao prefeito de Jaguariúna, porém, foi tomada antes mesmo da aprovação da resolução.

No último final de semana, líderes nacionais do PPS se reuniram em Brasília para aprovar uma resolução que visa combater as "atuais debilidades orgânicas".

Em um processo que busca fortalecer a "democracia interna", diretórios estaduais terão 30 dias para fazer um balanço do resultado das eleições de 2010.

Deverão ser acompanhados "desempenho e comportamento dos diretórios ou comissões provisórias municipais, bem como dos dirigentes, candidatos, detentores de mandatos eletivos e filiados".

OPOSIÇÃO

O secretário-geral do PPS, Rubens Bueno (PR), disse que o partido passa por uma "reestruturação" com vistas às eleições municipais de 2012.

"Essa medida sinaliza claramente que o PPS será reestruturado em todo o Brasil com aqueles que defendem o partido, seu programa e tem compromisso com nossos candidatos nas eleições. De nada adianta termos prefeitos, vereadores e deputados que, na hora de uma disputa eleitoral, apoiam candidatos de outros partidos."

Burno afirma que, nas eleições de outubro, alguns candidatos da legenda tiveram menos votos em seus municípios do que o número de filiados ao partido --numa prova de desrespeito à legenda. "Isso mostra um descompromisso total com o partido. O PPS não é refúgio para oportunistas políticos que elevam seus projeto pessoais acima dos interesses da legenda."

O PPS reuniu sua executiva nacional no último final de semana, quando também aprovou resolução que reiteira a diposição da sigla em fazer oposição ao governo Dilma.

"A derrota eleitoral não configurou uma derrota política das oposições. O PPS continuará empenhado em defender a nossa política de oposição ao governo, convocando as demais forças oposicionistas a apresentarmos alternativas para um efetivo projeto de desenvolvimento sustentável para o Brasil", diz o texto.

Ontem

Homem atira durante jantar de Trump com correspondentes em Washington

Suspeito foi detido pelo Serviço Secreto dos EUA

26/04/2026 07h45

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Foto: Divulgação

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Um homem fez disparos na noite deste sábado (25) durante um jantar, num hotel em Washington, do presidente Donald Trump com correspondentes que cobrem a Casa Branca.Presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpPresidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Tiros foram ouvidos nas imediações do local do evento e o presidente e a primeira-dama Melania Trump foram retirados rapidamente do lugar pelo Serviço Secreto norte-americano.

O suspeito de ter feito o ataque foi preso e ainda não teve sua identidade revelada.

Segundo informações obtidas pela Reuters, o suspeito atirou em um agente do serviço secreto, mas não se feriu graças ao colete à prova de balas que usava.

Além dos disparos, testemunhas disseram a agências internacionais que também foram ouvidas explosões na área próxima ao hotel.

O jantar teve as presenças do vice-presidente J.D. Vance e do secretário de Estado Marco Rubio. Eles também foram retirados do hotel e estão em segurança.

O presidente Trump deu uma entrevista coletiva na Casa Branca após o ataque e disse que o atirador é um "lobo solitário", termo usado para descrever supostos criminosos que atuam sozinhos.

Apesar da fala de Trump, o Serviço Secreto dos EUA não deu mais detalhes sobre o suspeito.

CRISE DIPLOMÁTICA

Nelsinho reage a ofensas de conselheiro de Trump e propõe declará-lo persona non grata

Paolo Zampolli fez as declarações em entrevista à emissora italiana RAI ao comentar sobre sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro

25/04/2026 14h29

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) durante pronunciamento no Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) durante pronunciamento no Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária Waldemir Barreto/Agência Senado

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O senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD) classificou, neste sábado (25), como “inaceitáveis” as declarações do conselheiro político Paolo Zampolli contra mulheres brasileiras e anunciou medidas no Senado em resposta ao episódio. Presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, ele afirmou que irá propor ao colegiado que Zampolli seja declarado persona non grata no Brasil, além de cobrar uma retratação pública com pedido formal de desculpas.

As declarações foram dadas por Zampolli em entrevista à emissora italiana RAI, na quinta-feira (23). Ao comentar sua ex-esposa, a modelo brasileira Amanda Ungaro, o conselheiro — aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — fez afirmações de teor misógino e xenófobo, generalizando e ofendendo mulheres brasileiras com expressões consideradas graves.

Diante da repercussão, Nelsinho Trad foi enfático: “As mulheres brasileiras são trabalhadoras, honradas e merecem respeito. Não aceitaremos ataques misóginos e xenófobos contra elas, nem ofensas ao Brasil”. O senador destacou que a reação institucional busca não apenas responder às falas, mas também reafirmar valores fundamentais de respeito e dignidade.

No Senado, Trad formalizou requerimento para inserção em ata de voto de repúdio às declarações de Zampolli, com base no Regimento Interno da Casa. No documento, o parlamentar sustenta que as falas têm caráter “ofensivo, discriminatório e incompatível com os direitos fundamentais”, além de configurarem violação à honra e à imagem das mulheres brasileiras.

Na justificativa, o senador argumenta que manifestações desse tipo extrapolam o campo pessoal e impactam diretamente o ambiente diplomático. Segundo ele, discursos discriminatórios fragilizam relações internacionais, reforçam estereótipos e contrariam princípios consagrados em tratados internacionais e na legislação brasileira, como a igualdade de gênero e a não discriminação.

O texto também ressalta solidariedade às mulheres brasileiras e reforça o compromisso com a promoção da dignidade humana. “Não é admissível a normalização de discursos ofensivos e discriminatórios no cenário global”, afirma o senador no documento apresentado.

A proposta será analisada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado. Caso avance, poderá resultar em uma manifestação formal do Parlamento brasileiro contra o conselheiro estrangeiro, ampliando a pressão por retratação e marcando posição institucional diante do episódio.

Confira abaixo na íntegra o requerimento:

Senhor Presidente,

Requeiro, nos termos do art. 222 do Regimento Interno do Senado

Federal, inserção em ata de voto de repúdio ao conselheiro e aliado político do governo norte-americano, sr. Paolo Zampolli, pelas declarações proferidas com caráter ofensivo, discriminatório e incompatível com os direitos fundamentais.

Requeiro, ainda, que seja enviada cópia do presente voto, conforme

dados em anexo.

JUSTIFICATIVA

Conforme amplamente noticiado pela imprensa, o referido agente público atribuiu às mulheres brasileiras qualificações de cunho discriminatório, misógino e ofensivo, chegando a afirmar que seriam "programadas para causar confusão" e utilizando expressões de extrema gravidade, como "raça maldita", em evidente afronta à honra, à dignidade e à imagem das mulheres brasileiras.

Tais declarações configuram não apenas manifestação de preconceito e estigmatização de caráter coletivo, mas também representam grave violação a valores universais de respeito aos direitos humanos, à igualdade de gênero e à não discriminação, princípios amplamente consagrados em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, bem como no ordenamento jurídico pátrio.

No âmbito da governança institucional e da responsabilidade social, ressalta-se que manifestações dessa natureza impactam negativamente o ambiente de cooperação internacional, fragilizam relações diplomáticas e contribuem para a perpetuação de estereótipos discriminatórios, incompatíveis com os padrões contemporâneos de civilidade e respeito mútuo entre as nações.

Com este ato, reafirmamos nosso compromisso com a promoção da igualdade de gênero, da dignidade da pessoa humana e do respeito às mulheres brasileiras. Solidarizamos com todas as mulheres brasileiras, reconhecendo sua relevância social, profissional e institucional, e rechaçando qualquer tentativa de desqualificação ou estigmatização.

Por fim, registra-se que a construção de relações internacionais sustentáveis e cooperativas exige observância irrestrita aos princípios do respeito, da igualdade e da dignidade humana, não sendo admissível a normalização de discursos ofensivos e discriminatórios no cenário global.

Sala das Sessões, 25 de abril de 2026.

Senador Nelsinho Trad
(PSD - MS)

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