Quinta, 23 de Novembro de 2017

PP está com pé no palanque de Serra e outro no de Orcírio

27 ABR 2010Por 20h:18

lidiane kober

 

O PP está com um pé no palanque de José Serra (PSDB) na sucessão presidencial e o outro no de José Orcírio dos Santos (PP) na disputa pelo Governo do Estado. A possibilidade de indicar o presidente nacional do partido, senador Francisco Dornelles (RJ), a vice na chapa do tucano aproximou a legenda do PSDB e, em Mato Grosso do Sul, de olho na reeleição, o presidente regional da sigla, deputado federal Antônio Cruz, pode apoiar o PT, rival número 1 dos tucanos na eleição nacional.

Bastante prudente, Cruz fez questão de ressaltar que o partido está indefinido, contudo admitiu que o PP pode deixar a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para apoiar Serra. "Nada está certo, mas que está havendo a possibilidade de indicarmos o vice de Serra, está", reconheceu. "Porém, primeiro o convite precisa ser oficializado", frisou. "Depois precisamos reunir a bancada na Câmara dos Deputados, que, hoje, se mais ajusta ao governo Lula e, por tabela, à candidatura da Dilma Rousseff", desconversou.

Para o PSDB, a possível indicação de Dornelles é encarada como garantia de que o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) vai entrar de corpo e alma na campanha. Amigo pessoal do mineiro, Dornelles é sobrinho de Trancredo Neves, avô de Aécio.

O flerte do PP com Serra ficou mais intenso nas últimas duas semanas graças ao estremecimento da relação do ministro das Cidades, Marcio Fortes (PP), com a bancada do partido. O clima azedou de vez depois que, ao ser procurado pelo líder do PP na Câmara, João Pizzolatti (SC), Fortes disse que só devia "satisfação" a Dornelles e ao presidente Lula. Ao ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, parlamentares da legenda disseram que Fortes não representava mais o PP e chegaram a sugerir sua demissão do cargo. Coube a Lula apagar o incêndio.

Sucessão estadual

Em Mato Grosso do Sul, Antônio Cruz também adotou a cautela. "Houve convite do PT e estamos em negociação", contou. "Tenho afinidade com o senador Delcídio do Amaral (PT) e respeito o Zeca (Orcírio) pelos investimentos sociais do seu governo", completou.

No entanto, ele se apressou em garantir que nada está definido. "Vou optar pela aliança que garantir minha reeleição e a eleição de dois deputados estaduais", frisou. "E isso só vai acontecer no final de maio", finalizou.

Para o deputado federal Vander Loubet (PT), Cruz tem chances concretas de se eleger apenas na chapa proporcional do PT. "É uma questão matemática", explicou. "Do outro lado (na chapa do governador André Puccinelli), está congestionado", complementou.

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