Cidades

ENTREVISTA

‘Posso dizer que é preocupante a doença mental no serviço público’, declara médica

‘Posso dizer que é preocupante a doença mental no serviço público’, declara médica

CRISTINA MEDEIROS

13/07/2014 - 19h00
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Especializada em Medicina do Trabalho, a médica Eliane Araújo e Silva Félix é uma das implantadoras do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Federal no Estado (Siass). Nestes três anos de atendimento, ela conta que houve vários avanços nos cuidados com a saúde dos servidores, mas que o crescimento do afastamento por transtornos mentais e comportamentais preocupa. Só neste ano, 30% dos servidores afastados foram por doença mental.

CORREIO PERGUNTA
A senhora é médica do trabalho no SIASS/INSS/MS. Poderia esclarecer o que é este serviço?
Eliane Félix - Trata-se do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Federal e ele foi criado porque nos órgãos não havia uma linha de pensamento idêntico. Tinha a lei, mas ela sempre tem brechas. Então, o Ministério do Planejamento começou a discutir melhor esta questão de afastamentos, de doenças, doença mental no trabalho público federal. Houve vários fóruns e foram construídas algumas legislações que anteriormente não existiam. Fomos construindo o Siass e implantando no Brasil. Aqui, nesta unidade, nós atendemos 16 órgãos públicos federais. Temos três unidades: uma na UFMS, uma no Ministério da Saúde e esta unidade no INSS, que é onde eu atendo e é a maior. Atendemos Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Departamento de Justiça (Penitenciária Federal), INSS, Ministério do Trabalho e Emprego, Receita Federal, Ministério da Fazenda. E também outros órgãos menores, como Incra, Funasa. O Siass reuniu médicos de vários órgãos num lugar para atender melhor esta população. Com o Siass tudo ficou melhor definido e melhor estruturado. E os órgãos que não tinham médicos passaram a participar de alguma forma. Nesta unidade do INSS, nós temos médicos da Polícia Federal, da Funasa, do INSS, do Ministério da Fazenda. Temos uma psicóloga (que também atende o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) e uma assistente social.

É possível afirmar que cresce o número de servidores, nas esferas municipal, estadual e federal afastados por problemas ocasionados por transtornos mentais e comportamentais? Depressão e distúrbios ansiosos?

No que se refere aos federais, eu fiz um registro estatístico de quais eram os órgãos mais incidentes entre os que nós atendemos. O que é mais reincidente no total de dias de afastamento - porque há doenças que o servidor fica menos ou mais rempo afastado. Então, o episódio depressivo moderado é a segunda causa, ou seja, CID (Classificação Internacional de Doenças) de doença mental. O primeiro é a pessoa em boa saúde acompanhando pessoa doente e que envolve várias doenças. Se alguém da família está doente o servidor público tem direito a 30 dias, renováveis por mais 30 dias no ano para acompanhá-la. E isso é nesta unidade, porque não tenho estatística das outras. Tirando esta de auxílio à família e convalescência pós-cirurgia, as demais são todas doenças mentais. A depressão, o transtorno misto ansioso-depressivo são as doenças que mais incidem. Mas também temos o transtorno bipolar. E o principal não é nem o número de servidores acometidos só, é que estes afastamentos levam muito tempo para se recuperar, trata-se de um afastamento longo. Nos meus registros estatísticos deste ano, 30% dos servidores que ficaram afastados foram por doença mental. Depois, vêm as doenças osteomusculares, que também levam tempo para se recuperar.

Pode-se dizer, então, que os afastamentos só crescem?

Posso dizer que é preocupante a doença mental no serviço público. O governo federal ficou tão preocupado, que fez fórum, fez cartilha sobre a doença mental. Nós temos diretrizes nesta área.

E a senhora poderia dizer, no conjunto, qual é o servidor que mais tem ocorrências nesta área?

Principalmente quem atende público e os policiais. Por quê? Os policiais vivem situações de estresse muito grande; e o que atende público, principalmente na previdência. Por exemplo, se há um benefício negado, às vezes por questão de legislação ou por alguma outra coisa, quem está ali na frente ou é um atendente, um técnico do seguro social ou é um médico. Então, a raiva das pessoas vai para quem? Para quem está na frente deles. É tão grande esta preocupação, que o pessoal que atende o público em agências tem carga horária reduzida agora. Por uma orientação interna eles fazem horário menor de trabalho porque o estresse é muito grande.

Poderíamos dizer que o professor também é um contingente que sofre muito com transtornos mentais?

A maior alegação é por conta da violência e conflito com alunos.
A maior preocupação com o professor, falando como médica do trabalho, é principalmente distúrbios de voz. Mas também existem os distúrbios psiquiátricos. Mas uma das doenças mais incidentes é o distúrbio de voz, até porque hoje em dia ele tem que falar muito mais alto para se impor.

O suicídio no trabalho é um quadro de registro frequente ultimamente. Por quê?

Existe um francês chamado Christophe Dejours que estudou o suicídio no trabalho e ele fala que algumas situações de suicídio no trabalho são levadas pela exigência que existe dentro de uma empresa. Agora, o suicídio está muito ligado à depressão e ela é uma doença que também tem histórico familiar. Então, os fatores biopsicossociais, como nós falamos, contribuem de certa forma. Mas a doença também existe, então há casos em que a pessoa tem depressão, é doente, mas fatores externos, seja do trabalho, seja familiar, podem contribuir para o agravamento desta doença.

MS tem uma pesquisa revelando quais os órgãos com o maior número de afastamentos?

Vou falar da unidade onde eu trabalho. O Policial Rodoviário Federal tem número grande de afastamentos. As queixas passam por problemas ortopédicos e também de doença mental. O primeiro porque eles correm na estrada e podem virar o pé, a perna, trabalham muito tempo em pé. Por exemplo, uma lesão de joelho neles eu não posso retorná-los rapidamente ao trabalho porque ficarão em pé, eles precisam das pernas para correr, precisam fazer agachamento. Num atendimento de um acidente na estrada, por exemplo, eles terão que utilizar a força dos braços, terão que apoiar nas pernas para levantar. Então, quando eu analiso a incapacidade, eu tenho que pensar em tudo o que ele faz. Agora, eu também posso colocá-lo numa atividade diferente. Neste exemplo do PRF, quando ele está afastado há muito tempo, pode ir para uma função administrativa. É claro que isso exige uma conversa com o servidor, com o gestor, porque tem que ser aceito de ambos os lados. Mas, geralmente, dá muito certo. Em 2014, por exemplo, há um grande número de afastamento de Agente Penitenciário Federal e este me preocupa muito, porque é uma população mais jovem e não deveria ter tanto afastamento. Mas eles têm afastamento por doença mental, mesmo que de pouca duração. E trata-se de uma preocupação nacional com esta categoria. Dentro dos presídios eles não têm tanto contato com os presos, mas muita pressão psicológica. E hoje estamos conversando sobre um programa voltado para a saúde deste Agente Penitenciário Federal.

E a senhora tem estes números de afastamentos neste ano?

Em 2014, o total de servidores que já foram atendidos: 64. E são 1946 dias de afastamento para este contingente, o que é muito. Como o Siass é relativamene novo, tem três anos, as intervenções de promoção não são tão grandes. Mas é principalmente acompanhamento. Então, quando o servidor chega aqui, nós vamos conversar mais calmamente, tentar direcionar quando é necessário reabilitar; se é um servidor que tem problema mental encaminhamos para uma psicóloga, assistente social também. Porque muitas vezes, o que causa impacto na vida dele é uma situação que não é médica, é só administrativa, uma situação familiar. E a assistente social pode intervir também. Trabalhamos com uma equipe multiprofissional na tentativa de diminuir estas incidências. Nas outras unidades onde há assistente social e psicólogo por mais tempo, foi feito um trabalho onde o servidor com problema passa primeiro pela assistente social. Em nosso caso não, passa primeiro pelo médico e encaminhamos para este profissional. Então, muitos dos afastamentos solicitados não eram feitos por problemas médicos e sim sociais. Ela intervém antes do médico. Porto Alegre foi um dos pioneiros no Siass a fazer isso e deu muito certo.

A legislação brasileira não considera a depressão especificamente como doença profissional ou do trabalho. Pelo decreto 3048, de maio de 1999, que lista os transtornos mentais e comportamentais, só classifica doença ocupacional quando os episódios depressivos estiverem associados com exposição a produtos químicos. O governo, então subestima a doença?

Não. Porque o que acontece na depressão? É falta de hormônio na sinapse. Ela é doença ocupacional quando a pessoa entrou numa situação em que há diminuição deste hormônio. E a depressão pode ser de caráter familiar, genético, mas ela também tem influência do ambiente. Mas é mais comum ter síndrome de estresse relacionada ao trabalho. Esta legislação foi feita por um grande médico do trabalho e ele incluiu muitas doenças dentro desta listagem. Porque nós definimos a doença ocupacional como aquela que teve um fator preponderante só do trabalho. E nós temos uma classificação que é das doenças preponderantes do trabalho. E nós temos uma outra doença, que já tem um estímulo para existir mas que o trabalho colaborou para ter também, como uma pessoa que tem tendência a ter varizes familiar, ela trabalha em pé e o quadro da doença se agravou. E tem outra em que ela já tinha a doença, que piorou em consequência do trabalho. Por conta desta subestimativa, que achavam que existia, dependia de ter CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho) para o seguro social considerar. O próprio trabalhador poderia emitir a CAT, mas geralmente era emitido pela empresa, aí tinha uma subnotificação porque a empresa às vezes não emitia; mas a assistente poderia emitir a CAT ou uma promotora de Justiça e até pelo perito que examinou aquele caso . Mas o perito só vai fazer quando houver uma relação muito forte e esta relação muito forte é a do decreto 3048. Mas hoje, quando um perito vai fazer uma perícia de uma doença, que tem alta incidência, se ele tem convicção que a doença é proveniente do trabalho, ele responde a um questionário positivamente e o benefício é concedido como auxílio doença do trabalho.

Quando um servidor está em tratamento, mas continua trabalhando, ele é monitorado em sua doença?

De certa forma, sim, mas nós não temos um controle geral. Porque eu dependo da chefia me dizer como esta pessoa está indo. Eu já recebi gestor, aqui, preocupado com um determinado servidor, ele disse que precisava de uma outra avaliação dele. E aí nós fazemos a avaliação. Mas como nós não ficamos 24 horas em contato com este servidor em tratamento, a família também é importante nesta comunicação. Agora, a nossa preocupação com o servidor que utiliza arma é, em caso de doença mental, afastá-lo da arma. E quando esta pessoa retorna, depende de cada caso. A depressão e as demais doenças têm classificação. Numa determinada fase ela não tem condições de trabalhar, em outra fase, o trabalho a ajuda a manter uma rotina de vida.

Podemos afirmar que afastamentos por doenças psicossomáticas já suplantaram e muito o número de pessoas com problemas físicos?

Hoje o número é alto e isso é estatística mundial, não é só nosso. Das 10 doenças mais incidentes no mundo, quatro são psiquiátricas.
 

HOMICÍDIO

Bernal atira quatro segundos após entrar na casa; veja o vídeo

Imagens de câmera de segurança contradizem o depoimento de Bernal e reforçam a versão do chaveiro; fiscal tributário foi morto cinco minutos depois de acessar a casa

27/03/2026 08h25

Momento em que Bernal efetua o primeiro disparo

Momento em que Bernal efetua o primeiro disparo DIVULGAÇÃO

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Imagens de câmera de segurança, que flagraram a movimentação do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal e o fiscal tributário do governo de MS, Roberto Mazzini foram divulgadas na noite desta quinta-feira (26), dois dias após o crime.

A defesa esperava as imagens para juntar ao processo, inocentar o ex-prefeito e tirá-lo da cadeia.. Mas, agora, o próprio videomonitoramento pode vir a condenar Bernal.

As imagens mostram que o chaveiro abre a fechadura às 13:39:24, e, logo em seguida, o fiscal tributário entra às 13:39:38.

Bernal chegou e entrou na casa, pelo portão social, às 13:44:37, já com a arma na mão.

Quatro segundos depois, às 13:44:41, ele efetuou o primeiro disparo e foi em direção a entrada da casa.

Isso mostra que ele atirou quatro segundos depois de entrar em sua residência e aproximadamente cinco minutos depois do fiscal acessar a casa. A câmera não flagrou Bernal e Mazzini juntos e o momento em que os disparos acertaram o fiscal.

Às 13:44:54, o chaveiro se rendeu, colocou as mãos para cima, e logo em seguida, correu em direção ao portão social e foi embora.

Às 13:45:26, Bernal sai da casa e permanece na calçada por alguns instantes. Às 13:46:14, acessa a residência novamente e mexe no celular. Às 13:46:41 sai novamente, deixa o portão aberto e sai com o carro

Às 13:48:20, uma quarta pessoa acessa a casa falando com alguém pelo celular. Às 13:48:32, mais duas pessoas entram na casa.

As imagens de câmera de segurança contradizem o depoimento de Bernal e reforçam a versão do chaveiro.

Veja o vídeo na íntegra:

O ASSASSINATO

Ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (2013-2014), matou a tiros o fiscal tributário do governo do Estado, Roberto Carlos Mazzini, em 24 de março de 2026, na avenida Antônio Maria Coelho, bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.

Bernal disparou duas vezes contra Mazzini, no abdômen e costela, após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

Bernal flagrou, por meio de imagens de câmeras de segurança, o momento em que Mazzini entrou na casa, com auxílio de um chaveiro. Em seguida, foi até o local e matou o homem. A arma utilizada no crime foi um revólver calibre 38.

Momento em que Bernal efetua o primeiro disparoAssassinato de Roberto Mazzini. Foto: Gerson Oliveira

Após o crime, se entregou na Delegacia de Polícia Civil  e permaneceu preso no Presídio Militar. Em 25 de março, teve sua prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou. Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão.

Mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

A MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse.

A mansão, pivô do assassinato, é alvo de polêmicas há uma década.

O imbróglio envolvendo a casa situada no Jardim dos Estados está ligado a compra de um apartamento adquirido por Bernal em março de 2013. 

A ligação entre a casa e a compra do apartamento surge inicialmente em um relatório do Ministério Público Estadual (MPE) que apurou enriquecimento ilícito de Bernal enquanto prefeito de Campo Grande, processo no qual ele foi inocentado há três anos. 

À época, o mote das investigações mostravam a desproporcionalidade entre o valor da compra dos imóveis à evolução do patrimônio declarado pelo então prefeito. Para o Ministério Público, Bernal obteve evolução patrimonial de 141% em pouco tempo, visto que o valor da compra do imóvel não era condizente com os vencimentos dele. 

Outro ponto destacado no documento foram as declarações de bens feitas à Justiça Eleitoral. Na eleição de 2010, ele informou ter somente um imóvel residencial no Jardim Paulista, avaliado em R$  R$ 103.676. Dois anos depois, quando disputou a Prefeitura de Campo Grande o mesmo imóvel foi listado no valor de R$ 700 mil.

Na ocasião, ele teria realizado a compra do apartamento no Condomínio Edifício Parque das Nações por R$ 1,6 milhão, sendo que o valor de mercado do imóvel seria aproximadamente R$ 2,5 milhões.

Apesar de adquirir o apartamento, ele teria pago somente R$ 300 mil à vista, além de outras duas parcelas de R$ 100 mil a Arlindo Suki Nakazone, que alegava calote de outros R$ 642 mil sobre o imóvel. 

Momento em que Bernal efetua o primeiro disparoMansão localizada na rua Antônio Maria Coelho. Foto: Divulgação

Diante da situação, a mansão comprada por Bernal em 2016 por R$ 1.669.422,87, foi colocada como garantia em um financiamento junto à Caixa Econômica Federal, título de crédito de R$ 858 mil, valor atrelado ao pagamento do apartamento adquirido há 10 anos.

Em meio a toda a situação judicial, em outubro de 2017, houve o registro de indisponibilidade de 50% do imóvel por decisão da 1ª Vara de Direitos Difusos Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.

Em 3 de novembro de 2021, a mesma vara determinou a indisponibilidade da posse direta do imóvel,  imbróglio que se estendeu ao longo dos anos, culminando na penhora da casa em abril de 2024, ação encabeçada pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, que penhorou a casa no valor de R$ 2.946.981,62.

Em junho do ano passado,  a Prefeitura de Campo Grande realizou o arresto da casa, bloqueando o imóvel por conta de uma dívida de  R$ 80 mil. No mês seguinte, assumiu a propriedade da casa por falta de pagamento da dívida por parte de Bernal, fator que culminou no leilão do imóvel. 

Avaliada em R$ 3,7 milhões, a mansão foi levada a leilão com lance inicial de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. 

* Colaborou Alison Silva

Só gente de MS

COP15 frustra expectativa de restaurantes e hotéis da Capital

Organização considera o evento um sucesso, mas público "caseiro" não foi o esperado pelo comércio e o setor hoteleiro

27/03/2026 08h00

Para a organização, evento atraiu mais gente do que o esperado, mas hotéis e bares não viram o movimento refletido do lado de fora

Para a organização, evento atraiu mais gente do que o esperado, mas hotéis e bares não viram o movimento refletido do lado de fora Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A 15ª Conferência das Partes (COP15) sobre a Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês) decepcionou empreendimentos e o setor de turismo de Campo Grande pelo baixo movimento registrado de pessoas de fora da Capital em quase cinco dias de evento.

Desde segunda-feira, a Capital é palco de uma das maiores conferências ambientais do mundo, sob organização da CMS e da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com informações oficiais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da convenção, cerca de 2 mil pessoas por dia passam pela catraca da Blue Zone (Zona Azul, em português), o que está dentro da expectativa dos dois órgãos. Esse número, porém, contabiliza pessoas da organização e pesquisadores de Mato Grosso do Sul, que estão presentes em grande quantidade na COP15. 

Com isso, os líderes das associações de hotéis e bares de Campo Grande revelam estar decepcionados com o pouco movimento que o evento gerou.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso do Sul (Abrasel-MS) disse ao Correio do Estado que chegou até a orientar os empresários a produzir cardápios em línguas alternativas, como inglês e espanhol, além de produzir conteúdos nas redes sociais voltados para a COP15, mas isso não surtiu efeito até o momento.

“Em enquete realizada no grupo de mensagens da entidade, as respostas foram unânimes em afirmar que mesmo quem se preparou não sentiu diferença no movimento”, pontuou.

A reportagem também conversou com a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (Abih-MS) e gerente do Indaiá Park Hotel, Alexandra Martins, que confirmou a sensação de baixa adesão ao evento em Campo Grande.

“Não está sendo possível mensurar, pois muitos hóspedes não se identificaram como sendo participantes da COP15. Mas garanto que o movimento da COP15, para nós do Indaiá Park Hotel, foi menor do que o esperado”, disse.

Para se ter uma ideia, uma fonte do Correio do Estado relatou que o movimento é tão baixo na rede hoteleira que, dos 16 ônibus que passaram pelo hotéis para buscar integrantes da COP15 ontem, apenas nove pessoas embarcaram em um dos pontos durante toda a manhã.

No interior, especialmente em Corumbá, que tem diversos pontos turísticos divulgados pela própria organização antes do evento, não houve alteração do movimento, segundo fontes do Correio do Estado.

Ainda segundo informações do MMA e da CMS, das 133 partes signatárias do tratado, apenas 76 enviaram delegações pessoalmente, enquanto o restante optou pela participação remota. 

Uma fonte oficial do Ministério disse que, mesmo diante desses números, a COP15 em Campo Grande está acima da expectativa.

“Foi muito além da expectativa, na verdade. São 133 países signatários e as primeiras previsões eram de cerca de mil participantes por dia. Essa COP é científica, com foco técnico, então a previsão era de bem menos gente”, disse a fonte do MMA.

Na quarta-feira, por exemplo, cerca de 2,5 mil pessoas estiveram presentes no evento, considerando imprensa, delegações, participantes, seguranças contratados, voluntários e staff. Vale destacar que os agentes das forças públicas de segurança (federal, estadual e municipal) têm uma forma diferente de entrada, sem credencial.

Para efeito de comparação, conforme a fonte do Ministério, a COP14, que foi realizada em 2024, no Uzbequistão, manteve média diária de 1,5 mil participantes, número menor que o apresentado até o momento na edição campo-grandense.

Vale lembrar que, há duas semanas, o diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Bruno Wendling, afirmou à reportagem que eram esperadas entre 2,5 mil e 3 mil pessoas, contando pessoas de fora do Estado e estrangeiros, durante os seis dias de evento, expectativa que diminuiu conforme os dias foram passando.

Durante a programação da tarde de segunda-feira, o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, elogiou a estrutura do evento e a beleza de Campo Grande. 

Para ele, a integração da cidade com a natureza é um diferencial que chama a atenção dos visitantes e deixa uma excelente impressão, o que reforça o potencial da Capital para receber e sediar mais eventos de grande porte. 

“Campo Grande é uma cidade muito bacana, muito especial, tem um planejamento e incorporou de forma muito positiva a questão ambiental. Os visitantes ficam impactados com os macacos, capivaras e tantas espécies, ficam impactados com a proximidade com a natureza. Essa é uma COP que está sendo feita em uma cidade onde a natureza está entranhada. Isso estimula, cria mais compromisso e um ambiente mais favorável”, destacou Capobianco. 

O evento termina no domingo, com a divulgação dos resultados e das decisões adotadas após seis dias de conferência.

COP15

A COP15 promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

A conferência faz parte de um tratado das Nações Unidas assinado em 1979, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sua primeira edição em 1985, em Bonn, na Alemanha.

Saiba

A COP15 custou R$ 46,9 milhões aos cofres públicos, que serão custeados pelo governo federal (R$ 26,7 milhões), em conjunto com o governo de Mato Grosso do Sul (R$ 10,7 milhões) e projetos de cooperação internacional (R$ 2,5 milhões

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