Segunda, 20 de Novembro de 2017

População de Serra Leoa é paupérrima

1 AGO 2010Por 21h:30
Serra Leoa é um dos grandes produtores mundiais de diamantes, símbolos de ostentação e fortuna. Apesar disso, é um dos lugares mais miseráveis do mundo, ocupando o último lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU (Organização das Nações Unidas).
Arrasada por uma guerra civil, mais da metade da população vive abaixo da linha da pobreza. A cada dez adultos, sete são analfabetos, e a expectativa de vida é de cerca de 35 anos.
Serra Leoa surgiu como colônia no século 18 para abrigar escravos ingleses emancipados. Transferidos para um lugar desconhecido, os ex-escravos, próximos da cultura europeia, desprezavam a população nativa. Transformados em elite e hostilizados pelos africanos, converteram-se em representantes do colonialismo.
Os diamantes de Serra Leoa foram descobertos na década de 30, despertando de imediato a cobiça europeia. Com a independência em 61, assumiu Milton Margai, do Partido Popular de Serra Leoa (PPSL), simpático aos interesses britânicos. Líder de um governo acusado de corrupto e distante dos interesses do povo, Margai morreu em 64, deixando o poder para seu irmão Albert Margai.
Nas eleições de 67, chegou ao poder Siaka Stevens, do Congresso de Todo o Povo (APC). Membros da elite crioula aliaram-se a líderes tradicionais e representantes do interesse neocolonial para depô-lo por meio de um golpe. Siaka retornou ao poder em 68 (Golpe dos Sargentos) e, durante seu governo, nacionalizou a produção de diamantes e estabeleceu um regime de partido único.
Com a queda nas exportações na década de 80 somada à inflação elevada e às denúncias de corrupção, o país enfrentou uma onda de manifestações populares. Em 91, forças rebeldes atuando a partir da Libéria, sob o comando de Fodday Sankon, da Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa (URF), ocuparam parte do país.
Nas eleições de 96, Tejan Kabbah do PPSL foi eleito com 60% dos votos. Militares amotinados depõem Kabbah e libertam guerrilheiros da URF.
Mergulhado no caos político e econômico, o país assiste ao crescimento das atividades de contrabando de diamantes. De assassino frio e sanguinário, Sankon se transformou numa alternativa política para chegar à paz.
Pressionada, a ONU pensou numa campanha mundial de conscientização para reduzir o consumo de diamantes. Do contrário, a beleza e o luxo continuarão financiando a destruição de Serra Leoa e a materialização do inferno na Terra.

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