Sexta, 24 de Novembro de 2017

Polícia paraguaia encontra base usada por guerrilheiros

24 ABR 2010Por 07h:20
EDILSON JOSÉ ALVES, PONTA PORÃ

A Polícia Nacional do Paraguai localizou um acampamento que vinha servindo de base para os guerrilheiros da facção Exército do Povo Paraguaio (EPP). A base está nas imediações das fazendas Santa Adélia e Guarani, dentro da propriedade do fazendeiro douradense Jorge Luiz Zenatti. Na quarta-feira, os guerrilheiros mataram com tiros de fuzis dois brasileiros, um policial paraguaio e um peão de fazenda.
Segundo as informações policiais, o acampamento foi identificado na localidade de Arroyito, município de Horqueta, distante cerca de 100 quilômetros da divisa com Ponta Porã. No local foram encontrados alguns utensílios domésticos, querosene, uma bateria de automóvel, alimentos e produtos de higiene. Nas proximidades do acampamento, os policiais acharam um estande para treinamento de tiros de fuzil.
Na quarta-feira pela manhã, os guerrilheiros invadiram as propriedades e mataram com vários tiros o suboficial da Polícia Nacional Joaquim Aguero Benites, de 26 anos; o peão de fazenda Francisco Ramirez, de 35 anos; e os brasileiros Jair Ravello, 35 anos, capataz da fazenda Guarani, e Osmar Valente, 49 anos, capataz da fazenda Santa Adélia, ambas seriam do fazendeiro douradense Jorge Luiz Zenatti.
Uma equipe do Ministério Público do Paraguai, formada pelos promotores Guillermo Ortega, Sandra Quiñonez, Federico Delfino e Francisco Ayala, está acompanhando as diligências policiais na região de Horqueta. Ontem à tarde, eles informaram que os trabalhos de buscas para encontrar os guerrilheiros foram suspensos em virtude das chuvas que caem na região. Para os promotores, o local onde foi encontrado o acampamento teria servido de cativeiro, durante o sequestro do produtor rural paraguaio Luís Lindstron, libertado com vida depois do pagamento de resgate.

Exceção
Por outro lado, o Senado do Paraguai aprovou por 41 votos a 2 o projeto de lei do presidente Fernando Lugo, declarando estado de exceção em cinco departamentos (Estados) do Paraguai. A medida dá mais poder ao governo para enfrentar os membros da organização Exército do Povo Paraguaio.
Ela permite, por exemplo, que as autoridades ordenem prisões e proíbam reuniões públicas e protestos.
A medida valerá por 30 dias e atinge os departamentos de Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero, na divisa com Ponta Porã; e outras quatro unidades, Concepción, Alto Paraguai, San Pedro e Presidente Hayes. O presidente Lugo adotou essa providência depois da ação do EPP em Horqueta.

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