Quinta, 23 de Novembro de 2017

Polícia impõe duro golpe às ações do PCC

11 MAI 2010Por 00h:28
MILENA CRESTANI

Quadrilha de pessoas ligadas à facção criminosa que comandava tráfico de drogas e armas de dentro de presídios de Mato Grosso do Sul foi desmantelada ontem. Seis pessoas foram presas e quatro envolvidos já estavam detidos. As prisões foram nas cidades de Campo Grande, Dourados e Eldorado. A Justiça autorizou o bloqueio de 15 contas bancárias utilizadas para movimentação financeira da organização criminosa, além de quatro mandados de busca e apreensão, que foram cumpridos. Durante a apuração, foi descoberto que os presos tinham plano para matar o diretor do presídio Harry Amorim Costa, de Dourados, Joel Rodrigues Ferreira (veja box). 

A operação para desarticular a quadrilha foi desencadeada na manhã de ontem pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com policiais da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações                  Especiais (Cigcoe) e agentes penitenciários. A quadrilha é apontada como um “braço” da facção em Mato Grosso do Sul e traficava armas e drogas compradas na região de fronteira e vendidas para Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. 

Os policias e promotores identificaram José Cláudio Arantes, conhecido como Tio Arantes, como um dos líderes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que comandava os crimes. Ele estava preso há cerca de um mês na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, pois tinha conseguido progressão de regime. Arantes pode ser transferido para presídio federal. A ex-presidiária Solangia Silva Santos, apontada como madrinha da facção, foi detida em Eldorado.

Família
Quatro pessoas da família de Arantes também tinham envolvimento no esquema. Também foram presas a esposa dele, Ana Aparecida Pires da Silva, a filha Viviane Kelin Leite Arantes, a nora Ana Cristina Almeida Fernandes e o genro Antenor Mota de Moraes Neto.
Conforme as investigações, Ana Aparecida era responsável pelas contas bancárias e pelo transporte das drogas. Ela guardava certa quantia de maconha na casa da vizinha Marizete Fernandes Teixeira, no Bairro Santa Emília. Ambas foram presas no local. Também agiam no tráfico de drogas Viviane, que estava com papelotes de cocaína escondidos nas partes íntimas, e Ana Cristina.

Já Antenor, que também traficava armas e drogas, estava preso no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima. Arantes comandou a rebelião em 2006 no Estabelecimento Penal de Segurança Máxima da Capital, onde foi decapitado Fernando Aparecido do Nascimento Eloy.
Também foi presa em flagrante, por porte ilegal de arma, a advogada Rosana D’élia Belinati, que teria ligação com a quadrilha (veja matéria nesta página).

Interior
Na cidade de Eldorado, os policiais prenderam a madrinha do PCC, Solangia, responsável por disponibilizar abrigo e prestar assistência a integrantes da facção. Uma sede da organização funcionava em Eldorado e outra em Campo Grande. Já em Dourados, a quadrilha contava com participação de Ricardo de Souza, que já estava no Presídio Harry Amorin da Costa, em Dourados, e a esposa dele, Kelly Maciel Ribeiro.   
Os presos vão responder pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de armas e drogas. Aqueles que já estavam presos também tiveram prisão preventiva decretada, o que significa que terão regressão de regime ou aumento de pena.

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