A Polícia Civil do Distrito Federal iniciou uma investigação preliminar para averiguar uma suspeita de ameaça que o ex-agente secreto da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, afirmou ter sofrido na semana passada.
O araponga, preso no ano passado durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, sob acusação de envolvimento com o grupo de Carlos Cachoeira, procurou no último sábado o plantão da 2ª Delegacia de Polícia de Brasília. Ele contou ter sido perseguido por dois homens e relatou ainda o disparo de um tiro na direção de seu carro.
Procurada pela Folha de S.Paulo, a assessoria de comunicação da Polícia Civil informou que a Seção de Investigação Criminal da 2ª Delegacia "está no momento tentando coletar o máximo de evidências e provas para verificar o que aconteceu". A depender do resultado da apuração preliminar, pode ser aberto um inquérito policial sobre o caso.
Entrevista
Em fevereiro último, em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, Dadá rompeu o silêncio no qual se mantinha desde que foi preso, em 2012.
Na ocasião, afirmou que partiu do então chefe de gabinete de Agnelo Queiroz (PT-DF), Cláudio Monteiro, atual secretário extraordinário para a Copa do Mundo no governo do Distrito Federal, a ordem para quebra de sigilo e-mails de blogueiros críticos de Agnelo, de um ex-deputado e de um secretário do governo.
Monteiro, que é ex-delegado de Polícia Civil, negou as acusações em entrevista à reportagem na época. Monteiro também apresentou uma carta em que Dadá o elogiava como "exemplo de homem público".
Na mesma entrevista, Dadá também apontou que o policial civil aposentado Marcello de Oliveira Lopes, o Marcelão, ligado a uma agência de publicidade que mantinha contratos com o governo do DF, providenciou dinheiro para pagar pela quebra dos e-mails.
Por meio de seu advogado, Jorge Jaeger Amarante, o policial e a agência na época também repudiaram as afirmações. Amarante negou qualquer ligação de seus clientes com quebra de e-mails e apresentou outra carta de Dadá. Nela, Dadá pede desculpas por "ter usado seu nome em vão em várias vezes ao telefone".
Sobre as cartas, Dadá afirmou que se referia às suspeitas de pagamento de propina levantadas contra as duas pessoas, e não da interceptação de e-mails.

