Segunda, 20 de Novembro de 2017

Polêmicas e dúvidas envolvem capitalização

28 FEV 2010Por 05h:34
Números grandiosos, polêmicas e dúvidas ainda sem resposta envolvem a megacapitalização da Petrobras. A operação foi desenhada pelo governo para garantir os recursos para a empresa bancar seus planos de investimentos nos próximos anos, não apenas no pré-sal. A Petrobras prevê o desembolso total de US$ 174,4 bilhões entre 2009 e 2013. Considerando apenas o pré-sal, serão US$ 111,4 bilhões no período 2009-2020. Maior acionista da companhia, com participação de 32,1% no capital, a União fará seu aporte com 5 bilhões de barris de petróleo. Como o óleo ainda não foi extraído, serão contratadas duas consultorias internacionais para calcular o valor desses 5 bilhões de barris. Segundo a estatal, será algo entre US$ 4 e US$ 12/barril. Apenas quando essa definição ocorrer é que se saberá exatamente o valor total da capitalização. Se as consultorias avaliarem, por exemplo, em US$ 5 o barril, o aporte da União equivaleria a US$ 25 bilhões (pagos, em um primeiro momento, em títulos públicos, uma vez que o óleo ainda não foi extraído). Como o Estado tem quase um terço do capital da empresa, isso significaria uma capitalização total de aproximadamente US$ 75 bilhões, de longe a maior operação do gênero no mundo – hoje, a liderança é do banco chinês ICBC, com pouco mais de US$ 19 bilhões. Nesse exemplo, US$ 50 bilhões teriam de ser subscritos pelos minoritários. A expectativa de analistas é de que nem todos tenham dinheiro para entrar na operação. Com isso, terão diluída a participação na empresa. Para evitar eventual sensação de fracasso da operação, o governo informou que absorverá os papéis que não forem comprados pelo mercado.

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