Sexta, 17 de Novembro de 2017

Polêmica sobre agenda provoca bate-boca na Assembleia

12 MAI 2010Por 00h:06
karine cortez

A sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul foi marcada ontem por troca de acusações e ofensas entre deputados estaduais da base aliada e da oposição sobre o possível superfaturamento no valor das agendas escolares distribuídas pelo Governo do Estado. O deputado estadual Carlos Marun (PMDB) insinuou que o parlamentar petista, Pedro Kemp, foi vítima de “trama”. “Tenho certeza de que o Kemp faz política de forma ética. Por conta disso, tudo leva a crer que ele está sendo vítima de uma trama que inclui documentos falsos”, enfatizou Marun. Kemp se defendeu dizendo que confia em quem lhe passou a denúncia. “Trata-se de uma pessoa muito ética e que eu coloco minha mão no fogo. Só não digo quem é, para evitar que ela sofra retaliação por parte do Governo, que costuma fazer isso com todos que o contrariam”, salientou o deputado.

Da tribuna, Marun cobrou de Pedro Kemp a apresentação da requisição de material original, onde consta o valor total de R$ 29.568,00 gastos com a aquisição de 528 agendas, resultando na média de R$ 56 por unidade. O deputado petista entregou cópia da requisição, mas cobriu o nome da escola. “Fiz isso porque não queremos expor a escola. Não é isso que importa e que está em discussão. O governo sim é que deve apresentar o documento original e confrontar com o que eu apresentei provando que estou errado”, disse Kemp.

Na semana passada, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) chegou à Assembleia com cópia de requisição de materiais de uma escola de Caarapó para mostrar a Kemp que o papel não tem nenhum valor, uma vez que não é nota fiscal. Mas o que ele não imaginava é que o documento que Kemp havia apresentado era referente a outra escola e, coincidentemente, de Caarapó. “Esse papel que ele recebeu foi de alguém que agiu de má-fé com o Kemp. Imagino que isso é coisa da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul)”, acusou Zé Teixeira.

Detran
Marun saiu em defesa do diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Carlos Henrique dos Santos Pereira, que disse ser “falsa” e “mentirosa” a denúncia de Pedro Kemp. “Ele não quis dizer que o Kemp foi responsável pela falsificação, mas que o documento entregue a ele é falso”, disse Carlos Marun. Kemp, por sua vez, desafiou Carlos Henrique a provar que o documento é falso. “Eu quero que o diretor do Detran venha aqui provar o que disse”, salientou Kemp. Ele completou dizendo que não fez nada além da obrigação de parlamentar. “Não costumo receber denúncia e engavetar. Fiz meu papel de parlamentar e pedi explicações ao Governo. Agora querem mudar o foco dizendo que eu é que tenho que trazer o original. Ora, o original está com o Governo”.
Além de acusar o possível superfaturamento das agendas, o deputado petista apontou a possibilidade de o material caracterizar propaganda eleitoral antecipada, uma vez que traz foto do governador André Puccinelli (PMDB), pré-candidato à reeleição.

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