Sábado, 18 de Novembro de 2017

PMDB resiste a apoiar Dilma para não perder aliados

20 ABR 2010Por 22h:11

lidiane kober

 

Deputados do PMDB resistem à ideia de montar em Mato Grosso do Sul um segundo palanque à ex-ministra Dilma Rousseff (PT) na sucessão presidencial para não perder aliados nem tempo de propaganda política em rádio e televisão. Eles repudiaram a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obrigar o governador André Puccinelli (PMDB) a apoiar a petista porque avaliam que o governo federal não fez favor ao repassar recursos ao Estado, mas, simplesmente, cumpriu o seu papel. Ainda foi cogitada a hipótese de o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) fazer jogo político para provocar mal-estar entre Puccinelli e Lula.

Anteontem, Orcírio disse que o presidente vai obrigar o governador a montar um segundo palanque para a ex-ministra. Para ele, a medida é natural, levando em conta os altos investimentos do governador federal no Estado e a aliança entre PMDB e PT em nível nacional. "De maneira alguma isso deve acontecer porque seria uma política mercantilista, do toma lá da cá", opinou o deputado estadual Marquinhos Trad (PMDB). "Existem obrigações e direitos e é obrigação da União ajudar os estados", completou.

O deputado estadual Youssif Domingos (PMDB) pensa da mesma maneira, inclusive, ele colocou em xeque a possibilidade de Lula realmente enquadrar Puccinelli a apoiar Dilma. "Ao repassar recursos ao Estado, o governo federal não fez nenhum favor, apenas cumpriu sua obrigação", reforçou. "Na verdade, não acredito que o presidente vai exigir o apoio do André a Dilma, pois ele nunca apresentou condição para liberar recursos ao Estado. Acho que isso tudo é desespero do Zeca (Orcírio), que, com esse tipo de declaração, tenta causar polêmica", acrescentou.

Outro que não imagina o presidente agindo para forçar aliança entre PMDB e PT no Estado é o prefeito Nelsinho Trad (PMDB). Ao ser indagado se em algum momento Lula chegou a condicionar a liberação de recursos a Campo Grande em troca do apoio à candidatura de Dilma, o prefeito foi claro: " o presidente nunca viu cor partidária".

Já o deputado federal Waldemir Moka (PMDB) ignorou as declarações de Orcírio. "Não quero repercutir a fala do Zeca. Ele tem o direito de falar e o que ele fala não me diz respeito", minimizou. "O André sempre descartou a hipótese de dois palanques, então, não tem porque comentar isso", complementou.

 

Unanimidade

O que é unanimidade entre as lideranças do PMDB é o desejo de ver PMDB e PSDB juntos na sucessão presidencial. "Pelo passado e pelo presente de agressões entre os principais líderes do PT e do PMDB no Estado, não vejo condição de essa aliança dar certo", defendeu Marquinhos. "Além disso, ao apoiar a Dilma, o André vai obrigar o PSDB, que é um agregado do PMDB, a comprar sapatos e aprender a andar sozinho", continuou. "Para o projeto pessoal governador isso seria ruim, pois tiraria alguns de seus votos. Agora, para o povo, seria bom, porque a diversidade de ideias enriquece uma eleição", concluiu.

Ciente do risco de perder votos e tempo de propaganda eleitoral gratuita durante a campanha, Moka defendeu veemente a continuidade do casamento com os tucanos. "Ao montar um segundo palanque para Dilma, o PMDB provocaria um terceiro palanque do PSDB e isso causaria prejuízo eleitoral", explicou.

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