Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil aponta que há déficit no efetivo das polícias Militar e Civil em MS
Para cada 1 mil habitantes, Mato Grosso do Sul tem 2 policiais militares e menos de um bombeiro e policial civil, conforme a segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (4).
Os dados têm como ano-base 2025 e apontam que, na soma de todas as corporações, somando também perícia oficial e Polícia Penal, o efetivo é de 14.022 no Estado.
A pesquisa mostra ainda que há déficit nas polícias em Mato Grosso do Sul.
Os cálculos sobre o déficit de policiais são feitos com base nas diferenças entre o tamanho real da corporação e os efetivos previstos pelos governos em lei ou planejamentos orçamentários. Os pesquisadores ponderam, no entanto, que nem sempre esses números estão atualizados em relação à demanda. "É o que cada Estado define como o seu ideal. Não existe uma métrica internacional para isso", diz Lima.
Com relação à Polícia Militar, o efetivo existente, de 5.948 policiais, corresponde a 56,1% do previsto, que é de 10.602. Na Polícia Civil, há 1.945 policiais em atuação, enquanto o efetivo previsto é de 2.970.
"Esses números sugerem que as polícias estaduais - responsáveis pela maior parte do policiamento ostensivo e da investigação criminal no país - seguem operando em ritmo de reposição mínima, sem ampliação substantiva de sua capacidade operacional, o que pode ser explicado em função dos limites fiscais para sua expansão", apontam os pesquisadores.
No caso da Polícia Civil, que tem o segundo maior efetivo entre as forças de segurança e opera hoje com 65,5% de sua capacidade ideal, o déficit acompanha o que ocorre em todo o Brasil. "É preocupante e revela cenário crítico de defasagem institucional em todo o território nacional", diz a pesquisa.
O quadro gera alertas especialmente por causa do contexto de avanço dos golpes, dos feminicídios e do crime organizado, para os quais o policiamento ostensivo tem efeito limitado e frentes mais especializadas trazem respostas mais efetivas.
"Está faltando investigação criminal no Brasil", afirma Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum.
Em relação à remuneração, a média bruta da PM de Mato Grosso do Sul é de R$ 9.145,13, enquanto a da Polícia Civil é de R$ 14.567,67.
Além das polícias e Corpo de Bombeiros, a pesquisa aponta que, a nível estadual, as guardas municipais são a quarta força de segurança com mais agentes, atrás da PM, Polícia Civil e Polícia Penal. No Brasil, a guarda é a segunda maior força em efetivo.
A pesquisa aponta que há um crescimento das guardas, mas que falta controle, destacando que ao longo dos últimos anos, as guardas têm passado a ser cada vez mais beligerantes e infladas pelas prefeituras, em espécie de "municipalização da segurança pública", mas que isso não necessariamente tem se revertido em mais controle da atividade dos agentes.
"Esse é um desafio, ainda mais com a possibilidade de a PEC (Proposta de Emenda à Constituição apresentada pelo governo federal) da Segurança ser votada (no Senado) ainda neste semestre, com texto que atribui mais papel a elas (guardas) na segurança pública", disse Lima.