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Plantação virtual de maconha ultrapassa 1,8 mi de usuários no Facebook

Plantação virtual de maconha ultrapassa 1,8 mi de usuários no Facebook

FOLHA ONLINE

04/11/2010 - 20h32
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Cansou da caretice virtual de plantar milho, ordenhar vacas ou alimentar patos no FarmVille? Um aplicativo bem menos ortodoxo promete agitar o seu Facebook.

O Pot Farm (fazenda de maconha, em tradução livre), cujo número de usuários ativos ultrapassa 1,8 milhão, permite que o usuário crie um avatar e plante a erva livre e virtualmente. O aplicativo, no entanto, não é recomendado a menores de 21 anos.

Não faltam bom humor e irreverência para o jogo.

O usuário começa o "negócio" em uma área aberta e, gradativamente, vai adquirindo e barganhando objetos --e, é claro, maconha.

À medida que vai progredindo no jogo, o espaço virtual da "fazenda" vira algo similar a uma comunidade hippie, com adereços e plantas geralmente vinculados a esse estilo de vida.

Há um vilão alucinado, contudo: ele se chama Ranger Dick, e pode atacar --e fumar-- toda a plantação do usuário.

Lançado em meados de maio, o aplicativo é desenvolvido por um internauta que se identifica pelo codinome Uncle Floyd.

E qual o diferencial principal entre o Pot Farm e o FarmVille?

"Em Pot Farm suas colheitas nunca morrem, mas se você cultivar certas plantas sem o ter certeza de que elas estão protegidas, você pode ser acertado por Ranger Dick!", declarou Uncle Floyd, em entrevista ao site SocialTimes.

crônica

O Sumidouro

01/09/2026 10h45

Arquivo

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Ultimamente, minha casa tornou-se um sumidouro. O escritor Fernando Sabino, que também falava sobre as coisas que costumavam sumir do seu apartamento, usava a expressão “buraco negro” (politicamente incorreta hoje, talvez?) para se referir ao lugar para onde todas as coisas iriam. Não sei a cor do buraco onde as minhas vão parar, mas tenho certeza de que elas vão para algum lugar.

Agora mesmo, enquanto digito esta crônica, trago no rosto um par de óculos manco, faltando uma haste. É o quinto que perco este ano. São Longuinho, o santo protetor dos objetos perdidos, já deve estar cansado das minhas invocações. Depois de clamar pelo santo até a exaustão, passo a revirar os lugares mais improváveis da casa. Aliás, óculos deveriam ser fabricados com dispositivo antifurto ou localizador; afinal, como alguém que não enxerga bem pode procurar — e achar — o objeto perdido?

Sem sucesso, começo a tatear pelos cantos: embaixo de poltronas, da cama, no piso do banheiro e até na área de serviço. Nada. Tenho certeza absoluta de que não saí de casa com ele no dia anterior. Então, onde se escondeu o danado? E por quê? Por que me deixar nesta aflição, tendo que trabalhar com um modelo perneta?

Carrego sempre três tipos de óculos: um para perto, outro para longe e um de sol. Os dois primeiros são campeões de sumiço. Talvez porque as lentes sejam transparentes, vai saber. Nesta semana, entrei em desespero diante do desaparecimento de um novinho, recém-saído da minha ótica favorita. Procurei em casa, liguei para o restaurante, telefonei para a amiga em cujo carro peguei carona... Nada. Quando eu já tinha desistido, lá estava o fujão: bem embaixo do tapete da sala.

Além dos óculos, também desaparecem outros objetos cotidianos: brincos, anéis, livros, mouse de computador, luvas e as famigeradas tampas de potes plásticos. Não, não há nenhum larápio de plantão à espreita. O que existe é uma espécie de portal misterioso, talvez para outra dimensão, que engole os meus pertences. É aflitivo, para dizer o mínimo.

Palpiteiro e insensível disse que é falta de organização. Que basta colocar cada coisa sempre no mesmo lugar para não perder nada. Eu sei, a teoria é linda. O problema é prático: como manter a ordem se, para encontrar o lugar das coisas, eu preciso primeiro encontrar os óculos que me fazem enxergar? É um enigma sem solução.

Enquanto o mistério não se resolve, sigo a vida. Por enquanto equilibrando o manco de uma haste, mas sem perder de vista o próximo sumiço.

Em risco

Arara-azul ganha novas árvores para alimentação e reprodução

Projeto Água Vida, do fotógrafo Mario Barila, plantou mudas na Fazenda Caiman e em território kadiwéu; iniciativa busca recuperar espécies essenciais para a fauna pantaneira

01/09/2026 08h00

Mario Barila

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Entre os dias 24 e 28 de agosto, o fotógrafo e ambientalista Mario Barila, fundador do projeto Água Vida, esteve no Pantanal para dar continuidade a uma ação iniciada em Bonito, em 2025.

Na Fazenda Caiman, foram entregues 50 mudas destinadas à formação de um novo bosque próximo à base de pesquisas do Instituto Arara Azul. A ação contou com parceria do Instituto Arara Azul, do Zoo de Zurich, da Fazenda Caiman e da Águas Guariroba.

Entre as mudas estão espécies frutíferas e árvores nativas que desempenham funções importantes no ecossistema. O destaque ficou para o manduvi, conhecido também como amendoim-de-bugre ou amendoim-de-arara, uma das árvores mais importantes para a arara-azul.

Isso acontece porque a espécie utiliza cavidades existentes nos troncos do manduvi para construir seus ninhos. Árvores antigas e de grande porte, portanto, representam potenciais locais de reprodução para as aves.

Quando a vegetação é perdida, seja pelas queimadas, pelo desmatamento ou por outros impactos ambientais, diminui também a disponibilidade de locais adequados para a reprodução.

“O manduvi é fundamental para a preservação da ave. Porém, a quantidade de árvores dessa espécie vem diminuindo com as queimadas e é importante recuperar esse número”, afirma Mario Barila.

RECUPERAÇÃO

Em 2014, a arara-azul saiu da lista de espécies ameaçadas de extinção, mas voltou à listagem oficial em junho deste ano - Foto: Mario Barila

A escolha da Fazenda Caiman para receber as mudas está relacionada ao histórico de conservação da área. O local mantém uma parceria com o Instituto Arara Azul desde 1998 e se tornou, ao longo dos anos, uma área importante para a reprodução da arara-azul em ambiente natural.

A nova ação pretende contribuir para a recuperação da vegetação ao redor da base de pesquisas e para a criação de um ambiente que, com o desenvolvimento das árvores, possa oferecer novos recursos à fauna.

O trabalho considera que a conservação da arara-azul não depende apenas da proteção das aves existentes. É necessário preservar as condições ambientais que permitem que elas se alimentem, se abriguem e se reproduzam.

Além do manduvi, outras espécies têm importância para a alimentação da ave. A arara-azul depende especialmente de frutos como o acuri e a bocaiuva, o que torna a manutenção e a recuperação das árvores nativas uma parte importante da estratégia de conservação.

Para Eliza Mense, diretora-executiva do Instituto Arara Azul, os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos associados às mudanças climáticas acrescentam novos desafios à preservação da espécie.

“Com os incêndios recorrentes no Pantanal e os impactos das mudanças climáticas, a arara-azul e seu habitat vêm enfrentando novos desafios. A espécie depende de poucas árvores para fazer seus ninhos, especialmente o manduvi. Também tem uma alimentação que depende especialmente de dois frutos, do acuri e da bocaiuva”, explica.

Segundo ela, a chegada das mudas contribui para o trabalho de recuperação ambiental e para a formação do novo Bosque das Araras.

As mudas foram doadas pelo projeto Água Vida e fornecidas pela Chácara Boa Vida, da viveirista Élida Aivi, parceira da iniciativa. O viveiro tem uma área voltada à produção de espécies que servem de alimento e abrigo para as araras, criada a partir de insumos anteriormente doados pelo projeto.

A ação na Fazenda Caiman marcou ainda a terceira parceria de Barila com o Instituto Arara Azul.

O INÍCIO

A iniciativa realizada no Pantanal é uma continuidade de um projeto iniciado em Bonito em 2025. Em outubro daquele ano, o projeto Água Vida participou da criação do primeiro Bosque das Araras, no atrativo turístico Rio Sucuri Ecoturismo.

Na ocasião, foram plantadas 250 árvores nativas em uma área de mais de 2 mil metros quadrados. Entre elas estavam espécies como jacarandá-mimoso, sete-copas, manduvi, baru e copaíba.

A proposta do bosque em Bonito também é recuperar um ambiente capaz de oferecer alimento, abrigo e condições de reprodução para as araras e outras aves da fauna pantaneira.

O espaço foi pensado ainda como uma ferramenta de educação ambiental, aproximando estudantes da natureza e permitindo que as futuras gerações acompanhem o desenvolvimento da área.

O projeto reúne diferentes etapas de um mesmo processo: produção de mudas, plantio, recuperação ambiental e acompanhamento da fauna. Dessa maneira, as árvores deixam de ser apenas elementos isolados da paisagem e passam a fazer parte de uma estratégia de recuperação do habitat.

“Cada árvore plantada é também uma oportunidade de devolver à fauna um pouco do espaço que ela perdeu. Quando se trata da arara-azul, recuperar as árvores que oferecem alimento e locais para seus ninhos é ajudar a preservar todo um ecossistema”, afirma Barila.

TERRITÓRIO KADIWÉU

A passagem de Barila pelo Pantanal também incluiu uma ação na Aldeia Tomázia, no território indígena do povo kadiwéu. Nos dias 24 e 25 de agosto, foram plantados manduvis e árvores frutíferas pantaneiras na comunidade.

Uma das fotos do ensaio fotográfico realizado por Barila durante sua passagem pela Aldeia Tomázia - Foto: Mario Barila

Nesse caso, o plantio tem uma função que ultrapassa a conservação da fauna. As árvores frutíferas poderão ser aproveitadas pela própria comunidade, ao mesmo tempo em que o crescimento dos manduvis contribui para a recuperação de uma vegetação importante para diferentes espécies do Pantanal.

A visita também foi utilizada pelo fotógrafo para produzir um ensaio com indígenas e seus cavalos, que estavam caracterizados com as tradicionais pinturas de festa.

As imagens produzidas durante a viagem serão incorporadas ao trabalho do projeto Água Vida. A iniciativa utiliza a comercialização das fotografias de Barila como uma das formas de financiar ações socioambientais em diferentes regiões do Brasil.

O PROJETO

Criado em 2014, o projeto Água Vida atua com preservação ambiental, educação ecológica e ações de resgate de cidadania, tendo a importância da água para a vida como um de seus principais eixos.

O projeto foi criado por Mario Barila, economista de formação que se dedicou à fotografia, paixão cultivada desde a adolescência. Depois de se aposentar, aprofundou seus estudos na área e teve contato com o trabalho do fotógrafo Araquém Alcântara, conhecido pelos registros da biodiversidade brasileira.

A fotografia passou a ser utilizada por Barila não apenas como forma de documentar paisagens, animais e comunidades, mas também como instrumento de mobilização e financiamento de projetos ambientais.

No caso da arara-azul, o desafio é particularmente complexo porque a recuperação do habitat exige tempo.

Uma muda plantada hoje levará anos para atingir o porte necessário para oferecer sombra, frutos ou cavidades adequadas para a fauna.

No caso do manduvi, a importância para a reprodução da arara está relacionada principalmente às árvores maiores, capazes de oferecer locais apropriados para a instalação dos ninhos.

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