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Marido e Mulher

Planejamento na hora de calcular o valor do casamento pode baratear

Planejamento na hora de calcular o valor do casamento pode baratear

Terra

21/03/2011 - 02h00
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Sonhos não têm preço. Entretanto, quando se trata do casamento, é preciso levar em conta que o sonho, às vezes, pode sair caro demais, prejudicando o orçamento do casal no início da vida a dois. Mas, fazer economia não é sinônimo de uma comemoração empobrecida. Com bom gosto, criatividade e as dicas dos profissionais é possível fazer uma festa incrível, sem ficar com o bolso vazio ou a conta no vermelho.

Planejamento e organização


Quando se fala em casamento, dizer que uma boa festa requer planejamento e organização é quase um clichê, mas não custa reforçar. "Tudo tem que estar na ponta do lápis, pois durante os preparativos a noiva se encanta com muitas coisas. Tem que tomar cuidado pra não se empolgar além da conta e gastar mais do que o esperado", alertou Milene Szaikowski, designer e proprietária da Tangram Eventos, de Curitiba (PR). A assessora de eventos Cinthia Rosenberg, de São Paulo (SP), comentou que a proporção da festa e o local onde ela acontecerá são fatores determinantes da hora de estabelecer o borderô da união.

Assim, um dos primeiros preparativos é determinar o tamanho da lista de convidados, para checar se é possível contar com a presença de todos os amigos, familiares e conhecidos e escolher um espaço de eventos que comporte todos confortavelmente. "Apenas as pessoas importantes para o casal devem ser convocadas. Quanto mais gente, mais cara fica a festa e, caso alguém se ofereça para ir ao casamento, basta dizer que somente os familiares serão convidados", ensinou Milene.

Calculadora em mãos


Alguns casais acham que contratar um cerimonial pode indicar uma despesa a mais, o que está completamente equivocado. Cerimonialistas e assessores de eventos costumam poupar não apenas o tempo do casal, como também ajudam a pesquisar preços e negociar valores com os fornecedores. Outra função essencial destes profissionais é fazer o Réspondez S'il Vous Plait, também conhecido como RSVP. Esta confirmação da presença dos convidados é fundamental para a negociação com os buffets, visto que estes fornecedores costumam cobrar pela quantidade de presentes na festividade e nem todos os convidados comparecem ao evento.

"O assessor tem mais experiência e contatos. Quando as noivas agem por conta própria, acabam procurando as 'grifes' e fornecedores mais famosos, que são mais caros. Os assessores sempre indicam e negociam profissionais tão bons, mas com valor inferior. Já fiz vários casamentos que a noiva acabou gastando menos do que imaginava por causa dos contatos que fiz", contou Cinthia.

Marcia Possik, diretora da Marriages, de São Paulo (SP), concordou que o principal ponto dos assessores e cerimonialistas é ter isenção emocional para negociar valores. "É bom que o casal busque referências de outros noivos que já trabalharam com a assessoria e procurem dados sobre ela junto a órgãos de proteção ao consumidor. Este tipo de profissional não cobra comissão e tudo o que for combinado deve estar em contrato."

Trocas criativas


"O casal tem que ter em mente que milagres não existem, mas conseguimos fazer um bom serviço com baixo custo. Entretanto, para aqueles que montam uma planilha de gastos, sempre recomendo que separem 20% a mais do custo para algum imprevisto que sempre aparece", destacou Cris Barbosa, decoradora de casamentos da capital paulista, do Estúdio Cris Barbosa de Cenografia de Eventos.

Algumas dicas simples ajudam os pombinhos a economizar. Nos convites, por exemplo, é possível optar por papéis nacionais, formatos menores e apenas uma cor de impressão. Ao invés de comprar um bolo exclusivo, os noivos podem alugar um cenográfico, pois com a grande variedade de doces que são oferecidos no casamento, poucos convidados acabam provando o bolo e o desperdício costuma ser grande. "A economia pode chegar a 30%", ensinou a assessora de eventos paulista.

Cinthia recomenda um jantar ao invés de um coquetel finger food. "O perfil dos convidados é que vai determinar o estilo da recepção, mas o jantar com buffet de massas, por exemplo, costuma ser mais em conta." Para Marcia, é possível servir bem apenas com uma entrada, um prato quente e uma sobremesa, assim como as bebidas: "o importante é servir quantidades que satisfaçam os convidados, sem desperdícios".

Criatividade é um dos mandamentos da decoração. Segundo Cris, dentro do bom gosto é possível lançar mão de acessórios bacanas para reduzir a quantidade de flores no espaço. As flores são essenciais na ornamentação, mas seu preço, que é sempre alto, flutua conforme as estações do ano. "Maio é sempre o mês mais caro por causa do dia das mães. A melhor época para comprar flores é de setembro a novembro, porque é primavera", contou.

Juntar as cerimônias civil e religiosa e a recepção em um mesmo espaço de eventos também ajuda a reduzir gastos, porque há menos deslocamento de profissionais. "E locais menores requerem menos decoração", ressaltou a designer curitibana. Muitos espaços de eventos também cobram menos para festas em dias de semana e aos domingos. "É bom lembrar que existe o valor agregado do lugar também. Uma mesma decoração, em ambientes distintos, pode custar de R$ 12 a R$ 36 mil. Decorar a Igreja da Cruz Torta sai por cerca de R$ 3 mil, enquanto a Nossa Senhora do Brasil, muito mais renomada, pode sair três vezes este valor", ensinou Cris Barbosa.

"Invista o mínimo possível no que não é fundamental, como as lembrancinhas e acessórios de festa. Procure coisas mais em conta, ou faça você mesma as lembrancinhas. Estipule um valor máximo pra gastar com isso e atenha-se a ele. Outra dica é: se você tem amigas que vão casar também junte-se a elas para negociar descontos com fornecedores", sugeriu Milene. Caso a única lembrança do casamento seja o bem-casado, Marcia orientou a encomendar pelo menos um para cada convidado, sendo que três unidades seria o ideal.

Duda Martins, da banda Shine, especializada em casamentos, da capital paulista, propôs aos noivos que contratem bandas que já possuem uma estrutura de cenografia, iluminação e som. "Eles podem evitar dores de cabeça com os imprevistos ao checar os contratos da banda e do espaço de eventos, para ver se não há taxas adicionais e se o local tem condições de receber aquela banda. Se, por exemplo, o buffet não tem um gerador, os noivos terão que arcar com mais este gasto", explicou.

Sinais de alerta


Nem sempre o que é mais barato é mais vantajoso. Por isso, é preciso ter em mente que a qualidade dos produtos e serviços adquiridos é muito importante para o sucesso da festa. Para que o barato não saia caro é bom fazer uma pesquisa com serviços semelhantes para checar se o preço é justo ou não. Também é bom desconfiar de promoções mirabolantes e brindes oferecidos em excesso. Milene Szaikowski recomendou que o casal não poupe na escolha dos profissionais de foto e vídeo, pois as recordações ficarão após o casamento. Cinthia Rosenberg, por sua vez, frisou que os pombinhos não devem deixar de se divertir: "esse é um momento de curtição, não de dores de cabeça", concluiu.

Felpuda

Prefeitos que andavam "tinindo" com vontade de renunciar ao mandato...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (8)

08/04/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Artur da Távola - escritor brasileiro

"O novo não é o contrário do velho. o novo é o oposto das prisões que nos impomos”.

 

FELPUDA

Prefeitos que andavam “tinindo” com vontade de renunciar ao mandato para tentar outros voos, recolheram o flap, desistiram da ideia e estão tal qual alguém que achou que rapadura era doce, mas entendeu que era dura. Nos últimos dias, essas figurinhas estavam dando “luz alta, querendo causar”, mas, pela batalha que deverá ser conquistar média de votos para ganhar cadeiras de deputado estadual e na Câmara Federal, desligaram o farol e decidiram ficar onde o distinto eleitor os colocou em 2024, sem querer “inventar moda”. Como Sócrates ensinou: “A sabedoria começa na reflexão”. Vai daí que...

Diálogo

Sede

O Brasil foi escolhido para sediar a International Conference on Medical Image Computing and Computer-Assisted Intervetion (Miccai), um dos principais encontros científicos do mundo na área de tecnologia aplicada à saúde. Essa é a primeira vez do evento nas Américas.

Mais

A 31ª edição do congresso acontecerá em São Paulo, em 2028, com pelo menos 2,2 mil participantes de vários países. A conquista da conferência contou com apoio da Embratur, em parceria com o Visite São Paulo – Convention Bureau e pesquisadores da Unicamp.

DiálogoEliene Amorim e Celina Carretoni

 

DiálogoSoraya Hejazi e Bruno Grassi

Agenda

O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) está sendo aguardado em Campo Grande, amanhã, na abertura oficial da Expogrande 2026. Diferentemente de Lula, que referendou na pista do aeroporto seus candidatos petistas, ele deverá ter não só encontros políticos, mas também com representantes do agronegócio. Em relação às eleições, deverá contar com análise do cenário político e sobre os pré-candidatos.

Teatro

A entrada no plenário do deputado José Orcírio, empurrando carrinho de supermercado com alguns produtos alimentícios para protestar contra o índice de reajuste salarial dos servidores, teve reações dos parlamentares José Teixeira e Coronel David. O primeiro lembrou que o petista, quando governador, mandou a “cavalaria jogar gás de pimenta” contra funcionários que pediam melhorias salariais. Já o segundo afirmou que o PT, quando tinha muitos cargos no atual governo, nada falava.

Saúde

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul iniciou o Mutirão de Conciliação da 2ª Semana Nacional da Saúde. A ação segue até amanhã, com audiências no período da manhã. No total, 222 processos foram selecionados para análise. Desses, 194 tratam de Saúde Suplementar e 28 de Saúde Pública. As sessões ocorrem no Cejusc/ Saúde, em Campo Grande. Os atendimentos são presenciais e também por videoconferência. A iniciativa é promovida pelo Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde, do Conselho Nacional de Justiça.

Aniversariantes

Stheven Ouríveis Razuk,
Luiz Carlos Spengler Filho,
Camila Tannous De Lamônica Guimarães,
Roberto da Cunha,
Franck Amorim,
Adilson Renato Schorn,
Rodrigo Dalpiaz Dias,
Esnel Expedito Otavio Portes,
Dr. Hélio Mendes,
Juares Pessoa de Abreu,
Israel Novaes Ramires,
Francisco Berbel Lopes,
Maurício de Souza Lima,
Salete Bruno Almeida,
Tomoyoshi Wauke,
Antonio Eugenio Bergo Duarte,
Edileusa Cosmo da Silva,
Patricia Fortes Adorno Ribeiro,
Maria Chaves Faustino,
Nelson Luiz de Vasconcelos Junior,
Suely da Silva Pereira Lima,
Silvio Yoshio Yokoyama,
Pedro Paulo Pedrossian,
Rosa Helena Tonissi Nasser Amoedo,
Pedro Albino Coimbra Pedra,
Rafael Farias Cação,
Jania Dagher Arce Queiroz,
Heber Maria Nogueira dos Santos Bezerra,
Cynthia Moraes Rego Mandetta,
Valério Skovronski,
Carlos Eduardo Gomes da Rocha,
Vanessa dos Santos Lima,
Mara Bethânia Bastos Gurgel de Menezes,
Sueli da Silva Pereira,
Zilda Paniago Trindade,
Raynara Macedo,
Venturino Collet,
Gislaine Teixeira Araújo,
Gabriel Ferreira,
Dr. Carlos Alberto Pedrosa de Souza,
Laicy Corrêa Martins,
Regina Maura Palhano Melke Prado,
Salviano Mendes Fontoura Júnior,
Dra. Maria Aparecida Rogado,
Vera Lúcia Ghizzi Figueiredo,
Luiz Akira Oshiro,
Evaldo Corrêa Chaves,
Irene Marcelino Vieira da Costa,
Carlos Furtado Fróes,
Maria Higa,
Vania Freitas Pires da Silva,
Zélia Quevedo Chaves,
Augusto Ribeiro Portugal,
Juvenal de Almeida Branco Filho,
Deusdet da Silva Santos,
Mário Duailibi,
Osvaldo Castro Brandão,
Sérgio Assis Godoy de Mesquita,
Nadia Cristina Mendonça,
Valdevino Goulart,
Nelly Albertino Valdivia Alamanzar,
Silvio Martins Adorno,
Luiza Pithan Freire,
Júlio César Kuroce,
Marco Antonio Nachif China,
Luccas Ribeiro de Souza D’athayde,
Nelson Shiguenori Tsushima,
Marcelo de Oliveira Vera,
Aleide Lemos Coelho,
Tathiana Corrêa Silva,
Laerte Paes Coelho,
TeIma Menezes de Araújo,
Ivan da Silva Mendes,
Carla Fernandes Juliano da Silva,
Lorita Duro Montagner,
Melissa Martins de Almeida,
João Maria Ferreira Antunes,
Denise Mendes Fonseca,
Alexandre Socovoski,
Amancio Gomes Machado,
Rui Queiroz Galvão,
Altevir Alberton,
Inácio Schneider,
Juarez Dambroz,
Margarete Camargo,
Maria de Lurdes de Brito Lima,
Dalila da Silva Corrêa,
Álvaro Scriptore Filho,
Enio Roberto Walker,
José Henrique Kaster Franco,
Darcy Rodrigues,
Paulo Mello Miranda,
Jean Fernandes dos Santos Junior,
Vanderlei Caetano do Nascimento,
Eliel Alencar de Almeida,
Luiz Antonio de Souza Martins,
Faylon Alves da Rocha,
Laércia Aparecida Lemos Coelho Cannazzaro,
André Luiz Tanahara Pereira,
Gislene de Rezende Quadros,
Maria Augusta Sena Madureira Figueiró,
Walkiria Kosloski Ferreira,
Teresinha Rigon,
José Nobuo Shiraishi Kawabata,
Diego Rieffe Franco. 

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

Literatura Brasileira

Mazé Torquato lança biografia sobre Lucy Citti Ferreira em Mato Grosso do Sul

Autora resgata a trajetória de uma das grandes artistas esquecidas do modernismo brasileiro; lançamento oficial terá debate mediado pelo doutor em Letras Alan Silus na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim

07/04/2026 09h00

Apesar de ter tido obras adquiridas por grandes museus, Lucy Citti Ferreira permaneceu desconhecida pelo grande público

Apesar de ter tido obras adquiridas por grandes museus, Lucy Citti Ferreira permaneceu desconhecida pelo grande público Divulgação/Montagem

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Em um meticuloso trabalho de resgate histórico, a jornalista e escritora Mazé Torquato Chotil lança no dia 14, o livro “Lucy Citti Ferreira: A Pintora Esquecida do Modernismo”, biografia que ilumina a vida e a obra de uma das artistas mais talentosas e negligenciadas da história da arte brasileira.

A obra, pré-lançada em setembro do ano passado, ganha agora lançamento oficial na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), às 19h. A mediação do debate será feita por Alan Silus, doutor em Letras (Estudos Literários), docente e pesquisador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Campo Grande, escritor, ensaísta e membro do PEN Clube do Brasil – Região do Centro-Oeste.

A biografia aborda a vida e a trajetória da pintora modernista Lucy Citti Ferreira, que marcou a história da pintura brasileira nas décadas de 1930 e 1940 e que, como tantas outras artistas mulheres, acabou esquecida. Esta obra busca ajudar a “desenterrá-la”.

QUEM FOI LUCY?

Lucy Citti Ferreira (São Paulo, 1911 – Paris, 2008) foi pintora, desenhista, gravadora e professora, com uma trajetória que a levou dos salões modernistas brasileiros às galerias europeias. 

Nascida em São Paulo, Lucy passou a infância em Gênova, na Itália e em Le Havre, na França, onde iniciou seus estudos artísticos na Escola de Belas Artes, continuando-os depois em Paris.

Já formada e premiada como pintora, retornou ao Brasil em 1934, nos seus 23 anos, quando conheceu Mário de Andrade, que a colocou em contato com o pintor Lasar Segall – com quem trabalhou, foi musa e viveu uma história marcante.

Apesar de ter tido uma obra adquirida pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma) em 1942, Lucy permaneceu praticamente desconhecida do grande público, reduzida frequentemente ao epíteto de “musa de Lasar Segall”, com quem teve uma relação artística e afetiva intensa.

Seu patrimônio pictórico, incluindo seus arquivos, foi doado à Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), com o apoio de Marcelo Araújo, amigo da pintora, que, à época, depois de ter dirigido o Museu Lasar Segall, estava à frente da Pinacoteca de São Paulo.

Lucy viveu uma história artística relevante, assim como no plano afetivo: teve três homens importantes em sua vida e enfrentou numerosos desafios, tanto no plano pessoal quanto no profissional.

Lutou contra dificuldades financeiras e contra as barreiras impostas às mulheres artistas. Sua relação com Segall foi, ao mesmo tempo, fonte de inspiração e obstáculo ao reconhecimento de sua obra. 

De volta a Paris em 1947, trabalhou intensamente, sempre em busca de novos caminhos para sua arte, sem se preocupar com a divulgação de sua obra. Assim, apesar de seus méritos e conquistas, foi esquecida pela história da arte.

Sua história é marcada por desafios pessoais e profissionais, tendo enfrentado dificuldades financeiras, barreiras de gênero e o preconceito de uma sociedade que não estava preparada para aceitar uma mulher dedicada integralmente à sua arte. 

“Lucy não foi a única artista apagada da história da pintura e do modernismo brasileiro”, explica Mazé Torquato Chotil. “Tarsila do Amaral e Anita Malfatti também permaneceram por muito tempo no esquecimento, até que pesquisadoras as resgataram.

Muitas outras ainda virão à tona. Esta biografia lança luz sobre uma delas, Lucy, numa tentativa de ‘desenterrá-la’”, complementa a autora.

RESGATE

O processo de pesquisa para reconstruir a vida de Lucy demandou anos de investigação em arquivos dispersos e entrevistas com pessoas que conviveram com a artista. Mazé Torquato Chotil, doutora pela Universidade Paris 8 e pós-doutora pela Ehess, mergulhou em fontes como a Pinacoteca do Estado de São Paulo – que recebeu todo o acervo da pintora por meio da Apac – além do Museu Lasar Segall, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia (Muna) e Pinacoteca de Bauru.

“Apoiei-me no que descobri sobre sua trajetória por meio das fontes encontradas. O restante precisei imaginar, levantar perguntas, deduzir”, revela a biógrafa sobre os desafios de preencher as lacunas deixadas pelo tempo. 

Entre as revelações mais impressionantes da pesquisa está a qualidade excepcional da produção artística de Lucy, reconhecida desde muito cedo. Aos 16 ou 17 anos, ela já produzia telas impressionantes como “Quai – Le Havre” e “Olympio”, que atestam seu talento precoce.

RELAÇÕES

A biografia revela que Lucy circulou entre as principais figuras do modernismo brasileiro, além de sua conhecida relação com Mário de Andrade e Lasar Segall. Tarsila do Amaral, por exemplo, 15 anos mais velha que Lucy, levou um jornalista para conhecer a obra da amiga no sobrado-ateliê de uma pequena casa no Bairro do Cambuci, em São Paulo.

Lucy também expôs ao lado de Iberê Camargo, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Portinari, Lívio Abramo, Noêmia, Carlos Prado, Vieira da Silva, Alfredo Volpi e Mario Zanini, entre outros. No entanto, diferente de muitos de seus contemporâneos, não era de muitas amizades, mantendo um perfil mais reservado e introspectivo.

INTRANSIGENTE

A trajetória de Lucy Citti Ferreira ilustra dramaticamente os obstáculos enfrentados por mulheres artistas na primeira metade do século 20. 

A biógrafa destaca que Lucy “sempre manteve essa linha, sem concessões, nunca se moldando para agradar a um comprador. Defendia, acima de tudo, a postura de mulher artista, o direito de todo ser humano de se expressar como deseja”. 

Essa postura intransigente pode ter contribuído para seu relativo isolamento no mercado artístico da época, dominado por homens e por critérios que frequentemente marginalizavam produções femininas.

LEGADO

O lançamento da biografia coincide com a preparação de uma grande exposição na Pinacoteca de São Paulo prevista para janeiro de 2027 (originalmente marcada para setembro, mas adiada), em que um número significativo de obras de Lucy Citti Ferreira poderá ser apreciado pelo público.

Para Mazé Torquato Chotil, mais importante do que simplesmente “desenterrar” a história de Lucy é permitir que o público redescubra a qualidade excepcional de seu trabalho e a força de vontade que demonstrou enquanto artista. 

“Oriunda de uma família burguesa que perdeu recursos, vivia com pouco, fazia do pouco o suficiente. Na maior parte do tempo foi seu próprio modelo, produzindo diversos autorretratos”, destaca Mazé.

IMERSÃO

Escrever uma biografia é sempre uma jornada de imersão e descoberta, que cria laços peculiares entre biógrafo e biografado. Mazé Torquato Chotil descreve seu relacionamento com Lucy durante o processo. “Durante a pesquisa e escrita, ‘a personagem’ – neste caso, Lucy – eu a imaginava comigo, em um canto, observando e se perguntando como eu me sairia com as informações que ela não deixou”, relata a autora.

A autora brinca com essa relação de cumplicidade e tensionamento. “Eu ia brigando com ela em pensamento, tentando reunir todas as peças do quebra-cabeça para dar vida à sua verdadeira personagem”, comenta.

Esse processo íntimo de diálogo com o passado resulta em uma biografia que transcende o relato factual para se tornar uma conversa vibrante entre duas mulheres separadas pelo tempo, mas unidas pela paixão à arte e à memória.

A AUTORA

Mazé Torquato Chotil é jornalista e autora. Doutora pela Universidade Paris VIII e pós-doutora pela Ehess, nasceu em Glória de Dourados, morou em Osasco (SP) e vive em Paris desde 1985, dividindo seu tempo entre a capital francesa, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Mazé Torquato Chotil traz em sua trajetória 15 livros publicados (cinco em francês), entre romances, biografias e ensaios. Entre eles, destacam-se “Lucy Citti Ferreira: a Pintora Esquecida do Modernismo”, “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz” e “Lembranças do Sítio”.

É fundadora e primeira presidente da União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa (Ueelp) e foi editora da 0h0 min (catálogo lusófono). Escreve para a imprensa brasileira e para sites europeus.

Recebeu o Prêmio da Ailb, categoria Romance, em 2025, com “Mares Agitados: na Periferia dos Anos 1970”, e o de Biografia, em 2022, pela obra “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz”, outro resgate fundamental de uma artista brasileira negra que enfrentou as barreiras do racismo e do sexismo em sua trajetória.

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