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Pistoleiros matam líder indígena, diz Cimi

Pistoleiros matam líder indígena, diz Cimi

DA REDAÇÃO COM CIMI

18/11/2011 - 16h40
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A Polícia Federal e uma comitiva com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e conselho Aty Guassu (Grande Assembleia Guarani) estão no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã (MS), onde uma comunidade Kaiowá Guarani foi atacada por um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre - na manhã desta sexta-feira (18).

O massacre ceifou a vida do cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade. Não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos.

Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito. Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento.

O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira.

“Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma rodovia estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Conforme recente publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência praticada contra os povos indígenas do MS nos últimos oito anos, no estado está concentrada a maior quantidade de acampamentos indígenas do País, 31 - há dois anos, em 2009, eram 22.

São mais de 1200 famílias vivendo em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas. Expostas a violências diversas, as comunidades veem suas crianças sofrerem com a desnutrição – os casos somam 4 mil nos últimos oito anos - e longe do território tradicional.

Atualmente, 98% da população originária do estado vivem efetivamente em menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em dados comparativos, cerca de 70 mil cabeças de gado, das mais de 22,3 milhões que o estado possui, ocupam área equivalente as que estão efetivamente na posse dos indígenas hoje.

Sobre o território Com relatório em fase de conclusão pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a área ocupada pela comunidade está em processo de identificação desde 2008. Por conta disso, o ataque tem como principal causa o conflito pela posse do território. A região do ataque fica a meia hora da fronteira com o Paraguai. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), referente ao processo de demarcação da Terra Indígena, está em execução.

Fonte: Conselho Indigenista Missionário

INVESTIDORA-ANJO

Mulher cobra devolução de R$300 mil investidos em empresa de avistador de E.T

Ana Carolina Vieira acusa Urandir Fernandes de Oliveira de usar a propriedade como fachada para arrecadar investimentos

22/01/2026 18h20

Local onde deveria estar a empresa de Urandir e Alan Fernandes de Oliveira

Local onde deveria estar a empresa de Urandir e Alan Fernandes de Oliveira

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A investidora-anjo Ana Carolina Vieira Franco de Godoy Reginato entrou com uma ação monitória no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) contra a empresa BKC Distribuição Limitada, pertencente a Urandir Fernandes de Oliveira, conhecido por seus relatos de contato com extraterrestres e por criar colônias místicas, como a cidade de Zigurats, em Corguinho. Seu filho e sócio, Alan Fernandes de Oliveira, também é réu no processo.

A mulher cobra a quantia de R$ 805 mil, referente aos R$ 300 mil investidos e mais os juros atualizados em novembro de 2025.

O caso começou em 23 de abril de 2019, quando Ana Carolina fechou contrato de "Investidor-Anjo", realizando o aporte financeiro para fomentar atividades da empresa de Urandir e Alan.

De acordo com a defesa da mulher, o contrato previa que o valor poderia ser resgatado a partir de abril de 2021, devendo necessariamente ser quitado até o prazo máximo de dois anos, sob pena de a própria sociedade ser obrigada a realizar o pagamento do montante à investidora. Porém, os responsáveis não efetuaram o pagamento nem apresentaram justificativa para o inadimplemento.

Após o vencimento da obrigação, a autora realizou diversas pesquisas cadastrais para confirmar a existência da pessoa jurídica indicada no contrato. Ao consultar o número do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da empresa, a mensagem deu como "CNPJ inválido" nos sistemas especializados Sniper Credlocaliza e Credlocaliza, evidenciando a inexistência de qualquer inscrição ativa, inativa ou histórica nos cadastros da Receita Federal.

Ela alega que o mesmo ocorreu quando procurou pelo nome "BKC Distribuição LTDA" em sites de pesquisa processual, como o JusBrasil.  Além disso, também aponta que o endereço indicado no contrato como sede não possui indícios de atividade empresarial, levando a crer que a empresa foi usada apenas como fachada para captar o investimento.

Diante desta situação, a investidora Ana Carolina entrou com a ação na Justiça, solicitando o reconhecimento da inexistência material da empresa e responsabilizar diretamente os sócios Urandir Fernandes de Oliveira e Alan Fernandes de Oliveira.

Além disso, requer também o pagamento do valor atualizado da dívida, que em novembro de 2025 totalizava R$ 805.680,62, incluindo correção pelo IGP-M, juros de 1% ao mês e multa contratual de 10%.

O Correio do Estado procurou contato com as empresas de Urandir. Não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.

Quem é Urandir Fernandes de Oliveira?

Urandir Fernandes de Oliveira é empresário, ufólogo, fundador e CEO do Ecossistema Dakila, rede de empresas que atua no ramo de economia e pesquisa. Ele ficou conhecido em todo o Brasil por seus relatos de contato com extraterrestres e por criar colônias místicas, como a cidade de Zigurats, em Corguinho. 

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Obra dos 1000 dias

Prefeitura de Campo Grande volta a adiar entrega da antiga rodoviária após 3 anos de atraso

Conforme previsto em contrato, reforma deveria ser entregue em junho de 2023

22/01/2026 18h00

Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Prometida há três anos, a entrega das obras do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu (antiga rodoviária) foi novamente adiada pela Prefeitura de Campo Grande, que deve terminar o serviço somente em junho deste ano.

A prorrogação do prazo foi oficializada em Diário Oficial na tarde desta quinta-feira (22), e contempla o oitavo termo aditivo de contrato entre a administração municipal e a NXS Engenharia, executora da obra que possuía entrega prevista para junho de 2023. 

Com ordem de serviço assinada no dia 15 de junho de 2022, a reforma deveria ser entregue em junho do ano seguinte, em celebração aos 124 anos da Capital, comemorados em agosto. De lá para cá, o contrato sofreu uma série de prorrogações, seja de prazo de entrega, seja financeiro. 

Após o primeiro adiamento, as obras que terminariam após um ano de contrato foram prorrogadas para fevereiro de 2024 e posteriormente para dezembro do mesmo ano. Em outras duas oportunidades, a entrega das "chaves" foi adiada para julho de 2025 e posteriormente para dezembro último. 

Além disso, conforme o Portal da Transparência, o contrato já sofreu acréscimo de R$ 7.559.056,51, com valor global saltando de R$ 16.598.808,77 no início das obras, para R$ 24.157.865,28, aumento de 45% no período. Do total, a prefeitura ja pagou R$ 12,4 milhões à empresa. 

Cabe destacar que em visita técnica às obras no fim do ano passado, o chefe da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) Marcelo Miglioli disse que a entrega deveria ser novamente adiada, o que se confirmou nesta quinta-feira. 

Na ocasião, o secretário afirmou que a obra estava dentro de um "ritmo normal" com cerca de 75% da parte física concluída, mas que não seria possível entregar dentro do prazo previsto. Desta vez, o principal problema, segundo Miglioli, seria a parte da instalação do sistema de ar-condicionado, não terminada dentro do previsto. 

Longa espera 

Localizado no bairro Amambaí na Cidade Morena, o Terminal Heitor Laburu foi desativado ainda em 2009, com a requalificação da famosa "rodoviária antiga". 

A partir de 2021, a prefeitura fez a requalificação das vias do entorno, de modo que as ruas Joaquim Nabuco, Vasconcelos Fernandes, Barão do Rio Branco e Dom Aquino foram interligadas às principais vias da cidade, compreendendo um espaço de aproximadamente 80 quadras. 

O projeto de reforma do prédio só foi efetivamente licitado em 2022, com a reforma acelerada por causa dos constantes problemas na região em função do aumento do número de pessoas em situação de rua.

Em 1º de agosto de 2023 a Sisep sinalizou a retomada das obras e de lá para cá, até mesmo o Governo do Estado entrou na história, em outubro do ano passado, com a liberação de R$ 3,5 milhões para destravar as reformas.

O projeto prevê a revitalização de 11,9 mil metros quadrados de área pública, dividida entre o prédio da antiga rodoviária, área onde ficava o terminal de ônibus do transporte coletivo, e o quadrilátero de calçadas que compreende as ruas Joaquim Nabuco, Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes e Barão do Rio Branco.

Por ser particular, o edifício vizinho onde funcionavam as lojas ficou de fora desta obra de revitalização, sendo um total de 264 salas pertencentes a 164 proprietários, com apenas 15 em funcionamento e outras 30 em reforma. 

Futura sede da Fundação Social do Trabalho de Campo Grande (Funsat) e de posto da Guarda Civil Metropolitana (GCM), a revitalização compreende as plataformas de embarque e desembarque (térreo) e onde eram vendidos os tíquetes para viagens (piso superior). 

*Colaborou Leo Ribeiro

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