Sexta, 17 de Novembro de 2017

PF investiga empresas por repasse de insumos usados no narcotráfico

28 MAR 2010Por 01h:00
A Polícia Federal está investigando quatro empresas suspeitas de repassar para o narcotráfico produtos químicos utilizados para síntese, refino e adulteração de drogas. Uma das empresas já está com a investigação oficialmente aberta e três aguardam a finalização de trâmites burocráticos para oficializar as investigações. Elas estão entre quase uma centena de empreendimentos do ramo de fármacos, produtos químicos e de bebidas que, no universo de 20 mil fiscalizados pela PF, apresentaram algum tipo de irregularidade nas informações prestadas à entidade sobre estoque, comércio, movimentação, transformação e perda de 146 produtos químicos controlados. De acordo com o chefe de fiscalização da Divisão de Controle de Produtos Químicos (DCPQ) da Federal, o perito criminal federal Marcos Camargo, a entidade faz o acompanhamento também das misturas e diluições que envolvem esses produtos, a fim de evitar que eles sejam desviados para o narcotráfico. Camargo lembra que a legislação equipara o desvio de produtos químicos destinados à preparação das drogas ao crime de tráfico de drogas. “Existe um jargão que diz: ‘Sem produtos químicos não há drogas’. Dessa forma, a ideia do controle é, por um lado, preventiva porque impede o acesso ilícito a produtos químicos necessários à produção da droga e, com isso, evita a produção e a distribuição no mercado. Por outro lado, é repressiva porque identifica focos de desvio e estanca o fornecimento ao narcotráfico, além de ajudar na investigação visando à punição dos envolvidos”, disse Camargo à Agência Brasil. Entre as substâncias, o perito destaca a efedrina, cafeína, lidocaína, ácido sulfúrico, ácido clorídrico, óleo de Safrol, éter e acetona. Com a dificuldade para a comercialização dos 146 produtos controlados, criou-se um mercado negro, com lucros estimados em até 300% do valor original. “Todo desvio é uma irregularidade, mas nem toda irregularidade é de desvio. Por isso criamos ferramentas que nos permitem avaliar se a irregularidade pertence a um campo meramente administrativo ou se é fruto de desvio para o narcotráfico”, explicou o perito.

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