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Petróleo vai ficar com dois terços dos investimentos em energia nos próximos dez anos

Petróleo vai ficar com dois terços dos investimentos em energia nos próximos dez anos

agência brasil

06/06/2011 - 15h38
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A meta do Brasil para os próximos dez anos é triplicar a produção anual de petróleo e gás, fazendo com que o setor abocanhe 67% do investimento previsto de R$ 1 trilhão para todo o setor energético do país. Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que apresentou hoje (6), no Rio de Janeiro, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2020), a produção brasileira de petróleo deve passar dos atuais 2,1 milhões de barris diários para 6,1 milhões em 2020, como consequência da exploração do pré-sal.

“O consumo vai aumentar, mas o grosso disso vai para o mercado externo”, explicou Tolmasquim, alertando que o volume considera tanto a produção da Petrobras como de todo o setor privado. De acordo com o PDE, metade da produção será destinada às exportações.

Em relação ao gás natural, a estimativa da EPE é de um salto da oferta dos atuais 58 milhões de metros cúbicos (m³) por dia em 2011 para 142 milhões m3/dia em 2020.

O PDE, que já está aberto à consulta pública na página do Ministério de Minas e Energia na internet, também projeta aumento expressivo da demanda por etanol no mercado brasileiro como resultado da expansão dos veículos bicombustível, que hoje representam metade da frota nacional, mas que devem chegar a 78% dos automóveis em circulação no país em 2020. Além disso, a EPE projeta que o preço do etanol será competitivo em relação ao da gasolina. A oferta de etanol concentra quase a totalidade dos investimentos previstos para a área de biocombustíveis, que somam R$ 97 bilhões.

“Quando aumenta o flex [carro bicombustível], aumenta também o consumo do etanol. Historicamente, 70% das pessoas que têm carro flex consomem etanol em vez de gasolina”, explicou Tolmasquim. A projeção é que a oferta de etanol acompanhe o aumento de demanda, afastando a possibilidade de faltar o biocombustível em função do preço, das condições climáticas e das sazonalidades de safra.

Em relação à energia elétrica, Tolmasquim também apresentou um cenário otimista. Segundo o PDE, o Brasil já contratou 70% da energia elétrica necessária para atender o aumento da demanda projetado até 2020, de 4,7% ao ano, em média (para um crescimento da economia estimado em 5% ao ano). Os 30% restantes, que ainda precisam ser contratados, terão como origem prioritária as fontes renováveis, com menos participação das hidrelétricas, que hoje representam 75% da capacidade instalada, mas que deve cair para 67% até 2020.

“No que diz respeito à geração, a hidreletricidade continua sendo a prioridade, acompanhada de perto pela energia eólica e a biomassa. Não podemos descartar as térmicas à gás já que, com o pré-sal, houve uma grande descoberta de gás natural e o gás poderá também ter um papel importante nessa matriz”, explicou o presidente da EPE.

Sobre energia nuclear, Maurício Tolmasquim mostrou cautela e lembrou que o PDE já previa a construção da terceira usina em Angra dos Reis como única planta nuclear projetada para esta década. “Após esse período, podemos esperar uma discussão sobre qual o papel da energia nuclear na matriz brasileira. Tem um grande debate apos [o vazamento de radiação nas usinas de] Fukushima, no Japão. Houve a desativação das usinas na Alemanha. Mas temos que considerar que o Brasil tem um grande potencial, domina o enriquecimento [de urânio] e tem a sexta reserva de urânio do mundo. Portanto, não devemos considerar que vamos abrir mão dessa tecnologia, mas devemos discuti-la olhando os prós e contras para ver em que ritmo devemos explorá-la”.

Doação de Orgãos

Governo de MS autoriza captação de córneas no Imol para ampliar transplantes

Acordo entre Saúde e Segurança Pública permitirá acesso de equipes especializadas ao instituto para identificar possíveis doadores de tecidos oculares e prevê atendimento humanizado às famílias.

10/08/2026 17h22

Fachada do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Campo Grande, que poderá realizar a captação de córneas de possíveis doadores.

Fachada do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), em Campo Grande, que poderá realizar a captação de córneas de possíveis doadores. Foto: Divulgação.

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Mato Grosso do Sul deu um novo passo para ampliar a possibilidade de doação de tecidos oculares destinados a transplantes. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) firmaram um acordo que permitirá a entrada de profissionais habilitados e autorizados da Central Estadual de Transplantes nas dependências do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol).

O Termo de Cooperação Técnica nº 13/2026 foi publicado no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (10). O documento estabelece uma colaboração entre os órgãos para possibilitar a captação de Tecidos oculares, como as córneas e outros tecidos dos olhos que podem ser retirados de doadores após a morte, para utilização em transplantes e tratamentos.

Na prática, a medida aproxima a estrutura responsável pela política estadual de transplantes do instituto para onde são encaminhados corpos em situações que exigem procedimentos médico-legais.

A iniciativa cria condições institucionais para que profissionais devidamente habilitados possam acessar as instalações internas do Imol e atuar nos casos em que houver possibilidade de doação.

O documento, porém, não estabelece que toda pessoa encaminhada ao Imol será considerada doadora, nem detalha no trecho publicado os critérios médicos e legais para efetivação de cada captação.

O acordo trata da permissão de acesso aos profissionais autorizados e da cooperação entre as estruturas estaduais.

Atendimento às famílias

A parceria não fica restrita à captação de tecidos. O termo também prevê a realização de atendimento humanizado às famílias que procuram o Imol para a liberação de corpos, assim como aos familiares de pessoas desaparecidas. 

Com isso, o acordo reúne duas frentes sensíveis dentro da rotina do instituto: de um lado, a possibilidade de viabilizar tecidos oculares para transplantes e tratamentos; de outro, o acolhimento de familiares em momentos marcados pela morte ou pelo desaparecimento de uma pessoa próxima.

A Coordenadoria da Central Estadual de Transplantes participa do acordo pela Secretaria de Saúde, enquanto a Coordenadoria-Geral de Perícias (CGP), à qual está ligado o Imol, integra a cooperação pela estrutura da Segurança Pública. 

Acordo pode valer por até cinco anos

O termo foi assinado em 22 de julho pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa; pela coordenadora da Central de Transplantes, Claire Carmen Miozzo; pelo secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira; e pelo diretor do Instituto de Medicina e Odontologia Legal, Silvio Luis da Silveira Lemos. 

Inicialmente, a cooperação terá duração de 24 meses, contados a partir da última assinatura. O documento permite, entretanto, que a parceria seja prorrogada mediante justificativa e interesse dos órgãos envolvidos, respeitando o limite máximo de 60 meses, cinco anos. 

A medida tem como base, entre outras normas, a legislação federal que regulamenta a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para transplantes e tratamentos. 

Primeiros Números

Crianças ainda têm pouco contato com números na educação infantil, aponta estudo

Pesquisa internacional revela que atividades de contagem e uso de números ainda têm espaço limitado na rotina de crianças pequenas e reforça a importância da matemática desde os primeiros anos.

10/08/2026 16h44

Criança participa de atividade lúdica com números, prática que estimula o raciocínio matemático desde os primeiros anos.

Criança participa de atividade lúdica com números, prática que estimula o raciocínio matemático desde os primeiros anos. Foto: Divulgação.

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O contato com números, quantidades, medidas e situações que estimulam o raciocínio matemático ainda está longe de fazer parte da rotina diária de todas as crianças na educação infantil. Pesquisa internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que, em diversos países, menos de dois em cada três profissionais da área afirmam realizar diariamente atividades envolvendo contagem ou números com crianças pequenas.

Os dados fazem parte da Talis Starting Strong, pesquisa divulgada de forma inédita no Brasil em dezembro de 2025. O levantamento ouviu profissionais e gestores de creches e pré-escolas de 17 países e analisou as práticas adotadas no atendimento a crianças de até 6 anos.

O estudo revela um contraste dentro das salas de aula. Enquanto atividades relacionadas ao desenvolvimento socioemocional estão amplamente presentes na educação infantil, experiências voltadas à construção de noções matemáticas básicas, como contar, comparar quantidades, identificar sequências e reconhecer padrões, aparecem com menor frequência.

A diferença chama atenção porque é justamente nos primeiros anos de vida que situações aparentemente simples, como separar brinquedos, descobrir qual objeto é maior ou contar quantas peças existem em uma caixa, podem ajudar a construir habilidades utilizadas posteriormente durante toda a trajetória escolar.

Para Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, o aprendizado da matemática começa muito antes de a disciplina aparecer formalmente no currículo.

“A matemática não começa quando a criança encontra a disciplina no currículo escolar, mas quando conta brinquedos, percebe quantidades, compara tamanhos e resolve pequenos problemas no cotidiano. Quanto mais cedo essas experiências acontecem, maiores são as oportunidades de aprendizagem ao longo da vida”, explica.

Matemática vai além de aprender a contar

A definição utilizada pela OCDE é mais ampla do que simplesmente ensinar a sequência dos números. O chamado desenvolvimento matemático envolve contagem de objetos, jogos numéricos, comparação entre grandezas, como maior, menor, mais ou menos, identificação de sequências, noções de medidas e utilização da linguagem matemática em situações cotidianas.

São experiências que ajudam a estruturar o raciocínio lógico, favorecem a resolução de problemas e podem dialogar inclusive com o desenvolvimento da linguagem.

A própria OCDE destaca que ambientes ricos em experiências de numeracia durante a infância estão associados ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e acadêmicas importantes ao longo da vida.

Os resultados, porém, apontam diferenças expressivas entre os sistemas educacionais analisados.

Conforme a pesquisa, em alguns países uma parcela elevada dos profissionais incorpora números e contagem à rotina das crianças, enquanto em outros essa prática está presente diariamente para uma proporção bem menor dos educadores.

A Espanha aparece entre os países com maior frequência desse tipo de atividade. Aproximadamente três quartos dos profissionais relatam trabalhar diariamente a contagem com as crianças. Em determinados países analisados, entretanto, o percentual fica próximo de apenas um terço.

Criança participa de atividade lúdica com números, prática que estimula o raciocínio matemático desde os primeiros anos.
Pesquisa mostra diferenças entre países na frequência com que profissionais da educação infantil utilizam jogos de números e palavras com crianças. Foto: Reprodução/OCDE.

O gráfico da pesquisa também permite observar diferenças entre a frequência de jogos envolvendo palavras e aqueles relacionados aos números. Em vários dos sistemas analisados, as brincadeiras voltadas à linguagem aparecem com maior presença na rotina dos profissionais.

Brasil ficou fora dessa etapa da pesquisa

Os números da Talis Starting Strong não permitem estabelecer qual é a situação das escolas brasileiras. Isso porque o Brasil não participou dessa etapa do levantamento internacional, o que impede uma comparação direta entre o País e os demais sistemas educacionais avaliados.

Experiências desenvolvidas em diferentes regiões brasileiras, no entanto, mostram maneiras de inserir conceitos matemáticos na educação infantil sem transformar a rotina das crianças em uma antecipação das aulas tradicionais do ensino fundamental.

A proposta é utilizar justamente elementos característicos da infância, brincadeiras, histórias, exploração dos espaços e objetos, para apresentar números, medidas, formas geométricas e situações que exigem raciocínio e tomada de decisão.

De amarelinha a Banco Imobiliário

Em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, uma experiência desenvolvida no Centro Municipal de Educação Infantil Sebastiana Rosa Carneiro Mello transformou o próprio alfabeto em ponto de partida para trabalhar diferentes conceitos.

A professora Sabrina Machado Ribeiro criou um projeto no qual brincadeiras sugeridas pelas crianças foram relacionadas aos conteúdos previstos no currículo.

Quando a turma chegou à letra “A”, a atividade escolhida foi a amarelinha. Além da brincadeira, o exercício permitiu explorar números, contagem, localização no espaço e formas geométricas.

Com a letra “B”, entrou em cena o Banco Imobiliário, utilizado para desenvolver práticas relacionadas à contagem e à organização.

“Por meio da ludicidade, nossa turma criava estratégias, resolvia problemas, tomava decisões de maneira autônoma e enfrentava desafios que exigiam raciocínio lógico e pensamento crítico”, relata Sabrina.

A experiência demonstra uma das possibilidades apontadas para a educação infantil: inserir a matemática em situações concretas, nas quais a criança precisa pensar para brincar, em vez de restringir o aprendizado à repetição de números.

Boneca aproxima números e cultura

No Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ), outra iniciativa utiliza uma personagem para apresentar conceitos matemáticos.

A professora Jeane de Fátima Moreira Branco criou a boneca Maria, que conduz histórias nas quais números, objetos do cotidiano e elementos da cultura afro-brasileira aparecem de maneira integrada.

Durante as atividades de leitura, sementes, frutas e tecidos são distribuídos pela sala. Conforme a narrativa avança, as crianças precisam relacionar números às quantidades dos objetos apresentados.

A proposta também vai além da contagem. Os alunos confeccionam roupas e acessórios para a personagem e, nesse processo, utilizam régua, dobraduras e medições. Dessa forma, conceitos de tamanho, dimensão e medida passam a fazer parte de uma atividade concreta.

Escola vira laboratório de matemática

Em Erechim, no Rio Grande do Sul, a Escola Municipal de Educação Infantil Copas Verdes levou a experiência matemática para diferentes ambientes da própria unidade escolar.

Equipadas com fita métrica, régua e calculadora, as crianças medem espaços e utilizam as informações para construir um mapa da escola.

O trabalho inclui ainda a elaboração de miniaturas de construções conhecidas e a criação de labirintos utilizando materiais recicláveis. Assim, conceitos relacionados a medidas, proporções, formas e localização espacial aparecem durante atividades práticas.

“Quando a criança participa de propostas que fazem sentido e têm significado, ela constrói conhecimento sobre conteúdos matemáticos”, afirma a coordenadora da escola, Lucimara Sarginksi.

Aprender matemática antes mesmo de saber o que ela é

As experiências brasileiras integram projetos selecionados pelo edital Letramento Matemático, do Itaú Social, iniciativa destinada a apoiar práticas pedagógicas voltadas ao desenvolvimento do pensamento matemático.

Embora não representem um retrato nacional da educação infantil, os projetos mostram como conceitos tradicionalmente associados à matemática podem aparecer antes mesmo de a criança compreender que está lidando com a disciplina.

Contar as casas de uma amarelinha, descobrir quanto mede uma sala, separar determinada quantidade de frutas ou construir uma roupa para uma boneca são atividades que transformam conceitos abstratos em experiências concretas.

É justamente essa aproximação que os dados internacionais colocam em evidência. Mais do que antecipar conteúdos formais, o desafio está em garantir oportunidades para que números, quantidades, formas e medidas estejam presentes no cotidiano da criança de maneira compatível com cada faixa etária.

Nesse contexto, brincar também pode significar aprender a calcular, comparar, organizar e solucionar problemas, competências que começam a ser construídas muito antes da primeira aula formal de matemática.

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