Sábado, 18 de Novembro de 2017

Pequenos empresários tomam R$ 11 milhões em empréstimos

21 JUL 2010Por 20h:52
Carlos Henrique Braga

Bancos populares emprestaram mais de R$ 11 milhões a pequenos empresários e trabalhadores informais do Estado desde 2003. Levantamentos do Credigente, ligado à prefeitura de Campo Grande, e do Banco da Gente, sob responsabiliade do governo estadual, mostram que facilitar o crédito e reduzir o juro pode funcionar como motor do desenvolvimento.
Ex-taxista na Capital, Paulo Aristides tomou R$ 2 mil emprestado no Banco da Gente em 2005. O sonho: abrir uma lan house e tornar-se dono do próprio nariz. “Foi fácil emprestar no banco popular, já tinha ouvido um ‘não’ em um banco privado porque não tinha garantias”, conta o empresário, que já mudou de ramo. “Tentei de tudo na lan house: tirava xerox, foto, fazia segunda via de documentos, mas todo mundo imitava. Não aguentei a concorrência”, conta Paulo, agora dono de açougue no Bairro Aero Rancho. “É uma nova fase, e tá dando certo”.
O diretor do Credigente, programa da Prefeitura de Campo Grande criado por lei em 2003, Ivan Neiva Júnior, comemora a baixa inadimplência de seus clientes, inferior a 2% ao ano. A instituição emprestou cerca de R$ 4,3 milhões em sete anos e não recebeu de volta, por enquanto, R$ 450 mil. “Comparada a tudo que emprestamos, a inadimplência é muito baixa”.
Para o presidente do Banco da Gente (antigo Banco do Povo, criado nos anos 90), Álvaro Cardoso de Ávila, que acumula a função de secretário de Assistência Social do Estado, “os humildes são muito responsáveis” no pagamento. Ele confirma a tese de que bancos populares podem reduzir taxas porque seus clientes são bons pagadores. Nas últimas décadas, esse tipo de empreendimento ganhou força em países em desenvolvimento, como Brasil e Índia.
Nos últimos três anos, o banco emprestou mais de R$ 7 milhões em dezenas de cidades sul-mato-grossenses. A média de financimanto é de R$ 3,2 mil por pessoa.
Segundo Ávila, a procura aumentou após a facilitação de formalizar o negócio proporcionada pelo novo perfil jurídico do Empreendedor Individual. Criado no ano passado, ele só vingou neste ano, mas já formalizou quase sete mil em MS. No Credigente, não houve crescimento na busca por crédito.

Quem empresta
Mulheres acima dos 40 anos que sabem cozinhar ou costurar muito bem, ou tem alguma outra aptidão, mas nenhum capital. Esse é o perfil dos clientes do Credigente. “Elas têm dificuldade em se adequar ao mercado de trabalho”, avalia o diretor do programa.
Em comum, os dois bancos têm a meta de tirar os pequenos empresários do sufoco. As linhas de financiamento podem servir para compra de máquinas (fixo) e produtos (giro), ou dosar as duas (misto). Há ainda linhas especiais para mototaxistas, vendedores ambulantes e cooperativas.
Quem empresta leva até 36 meses para pagar, a juros de até 2% ao mês. Nos bancos privados, a taxa pode ultrapassar os dois dígitos.
Para colocar as mãos no dinheiro, é preciso ter fiador e mostrar que o negócio tem futuro. “Não adianta achar que só porque se faz bem alguma coisa o negócio vai dar certo, é preciso planejar bem”, orienta Neiva Júnior, do Credigente.

Leia Também