Quinta, 23 de Novembro de 2017

SMART FOURTWO

Pequeno no tamanho e grande no charme

22 JAN 2010Por FERNANDO MIRAGAYA, AUTO PRESS06h:59

A lógica original do Smart Fortwo é bem direta: ser um carrinho prático, com dimensões enxutas, fácil de transitar e estacionar nas caóticas ruas das grandes metrópoles. A lógica indireta é esbanjar charme. Daí as primeiras revendas da marca suíça, que pertence à Daimler, terem sido abertas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre: cidades com trânsito pesado e um mercado de luxo respeitável. Na Europa, é comum se deparar com vários exemplares nas ruas das principais cidades do continente onde, inclusive, há vagas específicas para o pequeno modelo. Por aqui, o caráter exclusivista é reforçado pelo desenho bastante peculiar, mas também por conta do preço. O Fortwo Coupé começa em R$ 57.900. Ou seja, custa o mesmo ou até mais que muitos hatches e sedãs médios. Ou seja, não é um modelo indicado para quem quer comprar carro a metro. Com 2,69 metros de comprimento, 1,56 m de largura, 1,54 m de altura e 1,87 m de distância entre-eixos, tem a limitação imposta pelas dimensões enxutas: carrega apenas duas pessoas e oferece um porta-malas com apenas 220 litros. Com isso, acaba por se tornar um carro de nicho. Ou seja, o tal lado racional acaba suplantado pelo design. Mas o carrinho da Smart também tem as virtudes peculiares dos modelos vendidos na Europa. Por conta disso, ele chega ao mercado brasileiro com controles eletrônicos de estabilidade e de tração, freios com ABS, EBD e assistente de frenagem de emergência, assistente de arrancada em subidas e air bags frontais, laterais e do tipo cortina. Além disso, para compensar as diminutas dimensões em colisões, o carro conta com estrutura de monobloco batizada pela montadora como “crash management system”, com 50% da estrutura reforçada de aço de alta resistência e célula de segurança tridion, um sistema em que até as rodas são utilizadas como zona de deformação. A modernidade do carrinho também está no motor. O Fortwo conta com um propulsor 1.0 com três cilindros em linha, 12 válvulas e turbocompressor. A unidade de força fica posicionada à frente do eixo traseiro, sob o piso do pequeno porta-malas, inclinada em 45º. O motor trabalha em conjunto com um câmbio automatizado sequencial de cinco marchas, com borboletas atrás do volante para trocas manuais. Ele fornece 84 cv de potência aos 5.250 rpm e 12,2 kgfm de torque máximo aos 3.250 giros às rodas de trás do carrinho. Trata-se de um motor compacto, para poupar espaço e peso no Fortwo e torná-lo mais eficiente para emissões e consumo, duas virtudes bastante exploradas pelo modelo. Segundo a Smart, o Fortwo emite 116 g de CO2 por quilômetro rodado e alcança o consumo médio de 20,4 km/l – o modelo testado obteve média de 12,7 km/l com uso 2/3 na cidade e 1/3 na estrada. Na busca por eficiência, conta com direção elétrica, outro bom aliado na redução de peso. Mas no mercado brasileiro, um carro de R$ 57.900 tem que vir bem forn ido também em itens de conforto. O Fortwo que chega ao mercado brasileiro tem arcondicionado automático, trio elétrico, rádio/CD/MP3 com subwoofer, sensor de chuva, travamento das portas na chave, entre outros. Na parte estética, além do visual peculiar, rodas de liga leve, aro 15 e teto panorâmico. Isso sem falar da possibilidade de várias combinações bicolores na carroceria, no chamado sistema bodypanels, pelo qual é possível encaixar painéis de fibra de cores diferentes na carroceria. Afinal, para um carro de nicho, personalizar é preciso.

Desempenho

Os 84 cv do motor turbo emprestam

certa desenvoltura ao carrinho de pouco

mais de uma tonelada. Mas trata-se

de uma performance adequada para a

proposta urbana do Fortwo.

Estabilidade

O carrinho da Smart foi feito para

se andar na cidade e principalmente

em velocidades civilizadas. Em trecho

plano e reto, acima de 100 km/h

a comunicação entre rodas e volante

começa a vacilar e o Fortwo passa

a flutuar bastante. A sensação de

imprecisão fica ainda mais gritante

quando um veículo de grande porte,

como caminhões ou ônibus, passa ao

lado do carrinho na estrada. Nas freadas,

o ABS e o EBD ajudam a manter

o carro na trajetória, mas nas arrancadas

o modelo levanta um pouco a

carroceria.

Consumo

O modelo testado fez a média de

12,7 km/l em uso 2/3 na cidade, longe

dos 20,4 km/l alardeados pela Smart,

mas louváveis em uma época de modelos

compactos beberrões.

Tecnologia

O carrinho ganhou uma nova geração

em 2006 e conta com estrutura em

aço reforçado, além de um moderno

sistema de absorção e distribuição de

impactos. O motor turbo e o câmbio

automatizado também merecem elogios

e o Fortwo conta com vários itens

de segurança indispensáveis para um

carro pensado para o mercado europeu.

Conforto

É um carro para apenas duas pessoas

e pessoas de estatura normal. Motoristas

com mais de 1,80 m tendem a

raspar a cabeça no teto, enquanto condutores

obesos inevitavelmente vão

esbarrar joelhos e pernas por painéis

e alavanca do câmbio. O espaço para

pernas do carona é um pouco melhor.

Acabamento

Apesar das muitas peças em plástico,

o Fortwo conta com revestimentos

que aparentam qualidade. Os tecidos

nas portas e bancos são de boa qualidade

e o volante conta com acabamento

em couro.

Design

É um carro que pela sua proposta

já chama a atenção. Com dois lugares,

tem desenho incomum e ainda oferece

combinações moderninhas de cores.

Custo-benefício

O subcompacto da Smart parte dos

R$ 57.900, mais caro que hatches médios

com motores mais potentes e muito mais

espaço interior. Mas não seria mesmo o

custo-benefício que motivaria a compra

de um modelo que oferece prioritariamente

design, charme e requinte.

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