Segunda, 20 de Novembro de 2017

Pausa para o café

19 MAI 2010Por 20h:19

CRISTINA MEDEIROS

 

Café! Quem não gosta de uma xícara quando acorda, um cafezinho depois do almoço, na hora do intervalo e nas rodas de conversa? Daquele cafezinho saboroso, passado na hora e que exala aquele perfume hipnotizante? Sem falar, que quase tudo combina com café: sorvete, creme, chocolate, chantilly, licores, nozes... As combinações agradam principalmente àqueles que não são muito fãs do cafezinho puro. E, ainda, ele vai bem em receitas de tortas e bolos. No próximo dia 24 de maio comemora-se o Dia Nacional do Café. A data foi incorporada ao calendário de eventos do Brasil em 2005 e celebra o início da colheita do café, homenageando esta bebida consumida por 93% da população brasileira, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). Segundo pesquisa realizada pela associação, o café continua sendo a bebida mais consumida pelos brasileiros depois da água. A pesquisa revelou que 97% dos 1.703 entrevistados tinham consumido a bebida no dia da entrevista e um dia anterior, o mesmo registrado em 2008.

Mas o que há dentro de uma xícara de café fumegando? Pode ter certeza que muito mais que cafeína. "O café apresenta de 1 a 2,5% de cafeína e diversas outras substâncias, em maior quantidade, que podem ser mais importantes para o organismo humano", afirma Christianne Monteiro, nutricionista da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A especialista se refere a uma infinidade de minerais, aminoácidos, lipídeos e açúcares encontrados no grão de café. Além disso, o pequeno grão também é rico em niacina, vitamina do complexo B e, em maior quantidade que todos os demais componentes, os ácidos clorogênicos – antioxidantes naturais – na proporção de 7 a 10%, isto é, três a cinco vezes mais que a cafeína.

Por tudo isso, o café é um alimento funcional e pode fazer muito bem para a saúde, além de prevenir doenças. "A bebida proporciona o aumento da capacidade de trabalho físico e mental, do estado de alerta e vigília, da memória e do bem-estar, equilibra a hiperatividade infantil, ajuda na concentração e também minimiza os efeitos do mal de Alzheimer e de Parkinson", explica Christianne.

 

Pesquisa

O café coado, além de prevenir doenças cardíacas, é benéfico para pessoas que já tiveram algum problema no coração, segundo um estudo preliminar feito pelo Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Já o café expresso, por não ser filtrado, pode aumentar o colesterol.

A pesquisa estudou os efeitos do café em dois grupos, um de pacientes que já tinham doenças de coração e outro de pessoas saudáveis. Os resultados mostraram que, ao beber de 3 a 4 xícaras grandes de café todos os dias, não havia aumento da pressão arterial, nem dos índices de colesterol. O café ainda aumentou a tolerância de todos os indivíduos ao exercício físico. "As substâncias do café são semelhantes às que estão presentes no vinho e nos sucos de frutas. Ajudam a combater o diabetes e aumentam a energia", explica o cardiologista Luiz Antonio Machado César, coordenador da pesquisa. Ele afirma ainda que o café expresso não tem os mesmos benefícios do coado. "O coador é capaz de reter as substâncias gordurosas do café, o que não acontece com o expresso".

De acordo com o diretor científico do grupo de estudos em Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Evandro Tinoco Mesquita, o café não tem contraindicação. "O que estudos vêm mostrando é que o café é altamente benéfico para o coração. Ele tem substâncias que colaboram para proteger o órgão." Tinoco, entretanto, chama a atenção para o tipo de café ingerido. "O que pode acontecer é o café perder algumas de suas propriedades, dependendo do tipo de processamento", explica.

Já o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Nathan Herszkowicz, afirma que o melhor tipo de café é de torragem média, a preferida entre os brasileiros. "O brasileiro gosta de sabores mais amargos, o que é a característica dos grãos menos torrados. Quanto mais torrado, menos propriedades benéficas.

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