Segunda, 20 de Novembro de 2017

Paulo Octávio renuncia ao Governo do DF

24 FEV 2010Por 06h:43
Em carta lida ontem no plenário da Câmara Legislativa, o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, renunciou ao cargo que ocupava desde a prisão do governador eleito José Roberto Arruda, que se encontra desde o dia 11 na Polícia Federal. Paulo Octávio disse que adiou sua decisão porque procurava apoio político para governar a Capital Federal. “Dediquei nos últimos dias a realizar consultas a vários aliados. As negociações apenas tornaram mais claras para mim a possibilidade de garantir a governabilidade. Por esta razão adiei por alguns dias o anúncio da decisão que já havia tomado”, disse. “Considero perdidas as condições de pedir respaldo de outros partidos para governar Brasília”, prosseguiu Paulo Octávio, em sua carta. “Por essas razões, decidi que o melhor a ser feito é deixar o honroso cargo de vicegovernador”, completa. Segundo Paulo Octávio, sua intenção, ao se manter no governo do Distrito Federal nos últimos dias, era “evitar que a autonomia política venha a ser gravemente afetada por decisão judicial”. No caso, Octávio se refere à possibilidade de intervenção no governo do Distrito Federal, pedido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. “Saio da vida política e me incorporo às fileiras da cidadania”, conclui a carta. Desfiliação No início da tarde, antes de comunicar a renúncia, Paulo Octávio havia entregue sua carta de desfiliação do DEM ao presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ). “Sem o apoio do DEM, legenda que ajudei a fundar no Distrito Federal, e à qual pertenci até hoje, considero perdidas as condições para solicitar respaldo de outros partidos no esforço de união por Brasília”, disse. Como Arruda está preso por obstruir as investigações sobre o esquema de corrupção no governo do DF, quem assumirá interinamente o governo será o presidente da Câmara Legislativa, deputado distrital Wilson Lima, do PR. O vicepresidente da Câmara, Cabo Patrício, do PT, será o presidente interino do Legislativo local durante este período. Segundo a Lei Orgânica do Distrito Federal, caso Arruda renuncie ao cargo ou tenha o mandato de governador cassado, Wilson Lima fica sendo o governador até o final do mandato, que termina este ano. Impeachment O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defendeu, em parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a manutenção do afastamento de deputados distritais da análise do processo de impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, preso desde a semana passada. Os deputados são acusados de estar envolvidos no esquema que ficou conhecido como mensalão do DEM. O procurador afirma no documento que o afastamento desses deputados do processo de impeachment deve garantir a isenção do julgamento. E afirma que a decisão da Justiça está embasada nas provas colhidas durante as investigações.

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