Neste 2026, é revelado que a Casa dos Botões recebeu cerca de três "visitas" inesperadas de criminosos em um intervalo menor que 45 dias
Apesar das belezas da Cidade Morena, o tom de vermelho-alaranjado do cobre ainda brilha os olhos de muitos criminosos, que fazem de tudo para conseguir porções desse metal e acabam deixando moradores e comerciantes no prejuízo, inclusive na região central de Campo Grande.
É o caso da dona Maria Carolina, comerciante da Casa dos Botões localizada na rua Rui Barbosa, 2474, no centro de Campo Grande, que recentemente foi alvo da ação de bandidos que "estouraram" o ar-condicionado do estabelecimento para furtarem porções desse metal.
Aqui cabe esclarecer que, em aparelhos de ar-condicionado, o cobre está presente principalmente nas serpentinas (trocadores de calor) e na tubulação de interligação, como bem apontam as principais fabricantes do ramo.
O cobre está nas serpentinas que compõem tanto a unidade interna (evaporadora) quanto na unidade externa (condensadora), sendo o caminho por onde circula o gás refrigerante, com intuito de absorver o calor do ambiente interno e liberá-lo para a área externa.
No caso de dona Maria, o último flagrante aconteceu há cerca de uma semana, no dia 12 de maio, sendo o terceiro somente neste ano e com os dois primeiros furtos acontecendo no intervalo de menos de um mês. Confira:
Furtos constantes
Ao Correio do Estado, em desabafo, é dito que "quase todos" os proprietários de comércios no centro possuem relatos infortúnios como esse, causados sempre pelas mesmas razões, o que chamam de um problema crônico.
Como bem esclarecem os comerciantes, há uns três anos um roubo maior aconteceu no dia 31 de dezembro de 2022, em plena virada do ano, quando os criminosos teriam invadido o estabelecimento e saíram levando itens e dinheiro.
Já neste 2026, é revelado que a Casa dos Botões recebeu cerca de três "visitas" inesperadas de criminosos em um intervalo menor que 45 dias.
O primeiro furto de fios neste ano foi registrado em 13 de abril, com o meliante entrando através de um terreno vazio aos fundos do estabelecimento, de onde conseguiu escalar e cortar todos os cabos da instalação.
"Fiquei dois dias sem luz, portanto com atendimento ao público super prejudicado, desembolsei em torno de $2,300.00 , prejuízo entre mão de obra e produtos", citam.
Cerca de 23 dias depois, em 06 de maio, o local foi alvo de uma segunda invasão, esta na qual os criminosos entraram pelo portão que dá acesso ao corredor que leva aos fundos da loja e, segundo os donos, possuía três cadeados.
"Quebrou e entrou, e esse mesmo corredor possui ainda um segundo portão, com mais concertina e cadeado, ele quebrou todas as grades, com alguma ferramenta e teve acesso ao estoque, levou todas as panelas da cozinha, de ferro e alumínio, que não eram poucas. Levou mais fios, as extensões de energia que tínhamos, eram 3 de 10 e 15m cada, levou uma luminária e quebrou um ventilador portátil", revelam.
Para além dos fios de cobre, após os comerciantes reporem os itens levados, menos de uma semana depois foi registrado o último episódio, levando dessa vez mais panelas e até uma garrafa térmica.
"Estamos diante de um problema crônico, que o poder público não tem controle, e nós cidadãos comuns ficamos reféns", concluem.
Problema antigo
Há tempos o centro de Campo Grande aparece como a região que concentra mais casos de furtos de fio, sendo, por exemplo, quase mil registros (909) anotados em 2023, sem uma interrupção visível com o passar dos anos.
No último ano houve uma operação conjunta, envolvendo o Comando de Policiamento Metropolitano da Polícia Militar (PM), agentes da Civil (PC) e da Guarda Metropolitana (GCM) de Campo Grande, simultaneamente em sete regiões da Capital.
Pelo menos 68 pontos de venda de cobre foram alvos da "devassa" dos agentes, justamente foco no combate ao furto e à receptação de fios e outros materiais metálicos, na qual foram apreendidos 220 kg de fios de cobre e resultou em R$20 mil em multas.
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