Terça, 21 de Novembro de 2017

Parente de Bram Stoker retoma legado da família

11 ABR 2010Por 05h:15
Felipe Branco Cruz (AE)

Dacre Stoker retoma, depois de mais de 100 anos, o legado da família e lança a continuação da história do vampiro mais famoso do mundo: o Drácula. Dacre é sobrinho-bisneto de Bram Stoker, autor do clássico gótico “Drácula” (1897). O autor falou sobre seu novo livro “Drácula – o morto vivo” (Ediouro) e conta que, nos almoços de domingo da família, dificilmente o assunto gira em torno dos vampiros. “Contamos histórias sobre Bram, mas nunca sobre vampiros”, diz ele. “Muitas pessoas pensam que os Stoker vivem num castelo assustador, com morcegos e aranhas em todas as partes. Não é o caso.”

O autor é canadense e, antes de escrever a obra, integrou a equipe de seu país de pentatlo moderno e participou das Olimpíadas de Seul, em 1988, como treinador. Atualmente, vive em Aiken, na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, com sua mulher e dois filhos. Dacre, que não é escritor e lançou o livro em parceria com o especialista em Drácula Ian Holt, diz que decidiu assumir o legado porque na família ninguém tinha controle sobre a obra do tio-bisavô. É que, nos Estados Unidos, uma lei quebrou os direitos autorais da mulher de Bram e os descendentes nunca ganharam um centavo pelas adaptações da obra.

Da Transivânia para Hollywood
“Para quem me acusa de capitalizar em cima do nome da minha família, eu respondo que certamente essa não foi a minha intenção. Mesmo porque nunca recebemos nada de direitos autorais”, diz. Bram Stoker nasceu em Dublin, na Irlanda, e seus descendentes se espalharam pelo mundo, até chegarem aos Estados Unidos. Com a perda dos direitos autorais, Hollywood usou e abusou de adaptações. O livro para Dacre, portanto, é uma forma de, pelo menos, trazer uma obra com o respaldo oficial dos herdeiros.

A obra retoma de onde o tio-bisavô parou, na suposta morte de Drácula, em seu castelo na Transilvânia. O original de Bram deixa brechas para uma continuação ao não explicitar como o conde realmente morreu. Personagens que já constavam da outra trama também são retomados, como Mina, Jonathan Harker e o famoso doutor Van Helsing, o caçador de vampiros que já foi personificado no cinema por Hugh Jackman.

Sobre os novos vampiros bonzinhos de Hollywood, como os apresentados na saga “Crepúsculo”, Dacre acredita que eles são importantes para despertar nos adolescentes o interesse pelo tema. “Edward Cullen, o vampiro-adolescente de ‘Crepúsculo’, contém as características tradicionais de um vampiro, entretanto, há algumas diferenças”. Mas o sobrinho-bisneto não credita a Stoker os créditos pela invenção dos vampiros. “Essas criaturas fazem parte da cultura gótica europeia há séculos. Uma coisa, no entanto, é certa: Bram Stoker foi o criador do maior vampiro de todos: o eterno e insuperável conde Drácula.”

Leia Também