O desastre nuclear no Japão emitiu ondas de radiação e medo pelo mundo todo. O número de pessoas comprando detectores de radiação e iodeto de potássio - usado no tratamento do câncer da tireoide - foi tão grande que os estoques rapidamente se esgotaram. No entanto, cientistas afirmam que o medo não se justifica.
Para os especialistas, as pessoas que vivem nas proximidades da usina de Fukushima podem ter motivos para temer as consequências de um vazamento radioativo e alguns operários dos reatores podem sofrer problemas de saúde. Fora do Japão, porém, o desdobramento é minúsculo - especialmente se comparado a diversas outras fontes de radiação do passado e do presente.
Cientistas dizem que humanos são bombardeados por tanta radiação, de tantas outras fontes, incluindo as naturais, que o pequeno aumento no Japão desaparece como causa de ansiedade assim que o cenário geral é considerado.
Essa perspectiva sugere uma população humana - e um ambiente global - em que a exposição à radiação é constante e significativa. Por exemplo, durante a Guerra Fria, pessoas do mundo todo foram expostas à radiação residual de centenas de testes com bombas nucleares na atmosfera. Hoje, pacientes médicos escolhem enfrentar doses regulares de radiação, ao fazer milhões de exames de raios-X e tomografias computadorizadas.
Nos oceanos, milhares de cilindros de lixo radioativo em decomposição apresentam riscos maiores do que as águas radioativas liberadas pela usina de Fukushima, em quantidade relativamente menor. E a radiação natural de rochas, raios cósmicos e outros aspectos do ambiente, segundo especialistas, representa o maior de todos os fatores ¿ muito superior a todas as emissões criadas pelo homem, incluindo o atual acréscimo dos reatores japoneses.
"Isso desaparece como fator que contribui para as doses de radiação da população", disse Frank N. von Hippel, físico nuclear que assessorou a administração do ex-presidente americano Clinton e hoje leciona na Princeton University. Mas o medo de radiação é diferente. "De alguma forma, coisas nucleares ficam estigmatizadas em relação a seus riscos estatísticos".

