Sábado, 18 de Novembro de 2017

Para aliado, decisão de Trad tem “efeito devastador“

2 FEV 2010Por MARIA MATHEUS23h:15
A decisão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB) de apoiar a pré-candidatura da ministra- chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), teve “efeito devastador” para os aliados do governador José Serra (PSDB), principal rival da petista na sucessão presidencial. A avaliação é do presidente regional do PPS, Athayde Nery, integrante do Bloco Democrático Reformista (BDR), formado, ainda, pelo PSDB e pelo DEM. Com 79% de aprovação e grau de confiança de 85%, conforme pesquisa Ibrape publicada ontem, o peemedebista pode ser o principal cabo eleitoral de Dilma em Campo Grande, onde se concentra mais de 30% do eleitorado do Estado. Os altos índices de popularidade e confiabilidade de Nelsinho o tornam peça chave no tabuleiro eleitoral. Até mesmo serristas reconhecem o forte poder de influência do prefeito sobre os eleitores de Campo Grande. “Vai ter muita influência. Nelsinho é uma liderança forte. Ele é um líder da nova geração”, avaliou o vice- governador Murilo Zauith, presidente regional do DEM. Em eleições anteriores, a maioria dos eleitores de Mato Grosso do Sul preferiu candidatos tucanos à Presidência. Aqui, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu a disputa para Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006, por 55% a 44,9%. Em 1998, quando Lula concorreu com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), obteve só 24% dos votos no Estado, contra 61%. A exceção foi em 2002, quando os índices se inverteram a favor do petista, que ganhou de Serra por 55% a 44% dos votos. Naquele ano, o Estado era governado por José Orcírio dos Santos (PT). Até então, as principais lideranças do PMDB apoiavam candidatos tucanos ao Palácio do Planalto. O PSDB teve o apoio do então prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB), tanto em 1998 quanto em 2002. PMDB e PSDB detinham o comando da Prefeitura de Campo Grande, o maior colégio eleitoral do Estado, e do Executivo estadual, exceto nos oito anos de administração de Orcírio. Poder de influência Daí a importância da decisão de Nelsinho. A confiança da população depositada no prefeito pode ser decisiva para reverter o quadro a favor do PT. “Quem ganhou muita força com isso foi o PT, analisando friamente. Só se o Zeca (José Orcírio) desistir para não ter o efeito devastador que teve essa fala dele”, considerou Athayde. “Isso, claro, preocupou o BDR. Nos deixou angustiados”, comentou. Athayde classificou como “muito forte” o poder de transferência de votos de Nelsinho ao candidato que ele apoiar para presidente, especialmente considerando os índices de aprovação e confiabilidade do peemedebista. “Tem muito poder. A decisão do Nelsinho repercutiu nacionalmente”. A senadora Marisa Serrano (PSDB), por outro lado, considera difícil a transferência de votos. “Ninguém elege ninguém. Transfere um pouco, mas o candidato é que tem que fazer. Mas é claro que sempre tem influência”, reconheceu. O próprio prefeito está ciente de seu poder de influência. “Acaba influenciando, porque, se confiam na gente, nos tornamos uma referência para as pessoas. Isso é natural”, disse. Para Nelsinho, os bons índices mostrados pela pesquisa Ibrape aumentam sua responsabilidade “de realizar as ações da administração pública com total transparência e eficiência”. Mudança Para Athayde, o apoio de Nelsinho a Dilma não é definitivo. Depende da definição do PMDB em nível nacional, que está dividido entre fazer aliança com o PT, lançar candidato próprio e apoiar Serra. O BDR vai tentar convencer o prefeito a mudar de ideia, apesar de ele ter informado sua decisão até mesmo à própria ministra. “Vamos continuar disputando o Nelson para o Serra”, afirmou Athayde. “A gente acha que foi prematuro (o anúncio do prefeito), por conta da indefinição tanto do PMDB local como nacional e porque o PT tem um candidato aqui”, declarou.

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