Sábado, 25 de Novembro de 2017

PANTANAL

19 FEV 2010Por 08h:18
O Rio Paraguai, que ontem rompeu os três metros na régua de Ladário, cidade vizinha a Corumbá, transbordou no distrito Porto da Manga, Pantanal da Nhecolândia. Suas águas invadiram os campos, ao lado da Estrada Parque, e ameaçam a comunidade ribeirinha, formada por cerca de 60 famílias de pescadores. A cheia na região será uma das maiores da década. “Moro aqui há 15 anos e nunca vi nada igual. Os campos estão alagados, daqui (Manga) até a Fundação Bradesco. São pelo menos 100 quilômetros”, relata Delson Xavier Castelo, 46, que gerencia uma pousada na beira do rio. “Se continuar subindo assim vamos ficar isolados. O problema não é só a água, mas as pontes, que estão sem manutenção e comprometidas.” A esperada cheia na Manga, distante 60 km de Corumbá, terá reflexos não apenas no volume de água do Paraguai, por conta das chuvas nas cabeceiras, em Mato Grosso. A subida repentina dos níveis dos rios Aquidauana e Miranda, em dezembro e janeiro, antecipou a inundação dos campos na região, onde a declividade é a mais baixa da planície pantaneira. A maioria das casas do distrito é de palafitas, contudo o isolamento dificulta a vida dos moradores por falta de acesso à cidade por terra. No pico da cheia, que este ano deve ocorrer entre abril e junho, a balsa que faz a travessia no Paraguai paralisa o serviço com o tráfego interrompido. Muitas famílias já se preparam para antecipar a compra de alimentos básicos. Cheia, uma bênção Da balsa atracada na margem do rio, onde as águas já cobriram o aterro de atracamento, o pescador Ramão Arruda, 40, observa o Paraguai avançando pelos campos. Morador há 23 anos no lugar, ele conviveu com a enchente recorde no Pantanal, em 1987, e, apesar dos prejuízos que as águas trazem para a comunidade, ele se diz feliz. “A cheia é uma bênção”, comenta. Trabalhando durante a piracema de diarista da balsa, ganhando R$ 20, Ramão conta que a cheia traz a fartura do peixe nos rios. “A gente está pegando jiripoca, pintado e mandi aqui da margem, coisa que não ocorria há cinco anos”, atesta. “A cheia se antecipou, mas não é só porque está chovendo muito. É por causa do desequilíbrio na natureza.” Da varanda de pousada de Delson Castelo se tem uma noção exata do volume de água do Rio Paraguai. Segundo ele, o que está acontecendo na região foi motivado também pela subida simultânea dos níveis dos afluentes Miranda, Aquidauana, Negro e Abobral. “Até meados de janeiro, o Abobral estava seco, poderia atravessá-lo a pé. A água chegou muito rápido”, diz. BR-262 As águas provenientes de chuvas que caem em toda a região pantaneira também romperam corixos e vazantes e atingiram pequenas propriedades rurais às margens da rodovia BR-262, trecho entre Miranda e Corumbá (próximo ao Rio Paraguai). Famílias estão deixando os ranchos em busca de locais mais altos para levar cabeças de gado que ficaram praticamente presas em currais alagados. Maioria das famílias que vivem às margens da rodovia 262 é composta por isqueiros e sobrevivem da pesca extrativista e turística. Mas grandes fazendeiros da região já deram sinal de alerta aos sindicatos rurais de Corumbá e Miranda e vão começar a retirar o gado nos próximos dias.

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