Sexta, 17 de Novembro de 2017

Pais de adolescentes podem ser obrigados a pagar prejuízos

15 SET 2010Por 13h:57

Vânya Santos

Pais dos adolescentes infratores da Unidade Educacional de Internação (Unei) Dom Bosco, instalada provisoriamente na antiga Colônia Penal Agrícola, em Campo Grande, podem ser responsabilizados caso ocorra uma nova rebelião, que resulte em prejuízo ao Estado. Conforme o secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), Wantuir Jacini, a decisão foi anunciada pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Na tarde do último dia 2, cerca de 77 menores deram início a uma rebelião que durou aproximadamente cinco horas. Na ocasião, os infratores queimaram colchões e destruíram parcialmente o pavilhão. Eles reclamavam da localização da unidade, na região da saída para Aquidauana, que estaria dificultando a visita das mães, e da falta de infraestrutura. O tumulto só foi controlado com a chegada de policiais da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe).
A reforma do pavilhão danificado custou R$ 30 mil e o local voltou a abrigar os menores na tarde de ontem. De acordo com o secretário, antes da transferência o coordenador de Medidas Socioeducativas da Sejusp, coronel Hilton Vilassanti, juntamente com um promotor de Justiça, se reuniu com os infratores.
“A reunião é para dizer aos menores que eles não podem quebrar o patrimônio público e serem indisciplinados porque se fizerem isso não poderão ficar no local, além de causar prejuízo ao Estado e os pais podem ser responsabilizados”, explicou Wantuir Jacini, ressaltando que esses jovens vivem contra a sociedade. ”Muitas vezes não tiveram educação em casa, têm família desestruturada e vêm para o Estado. Aqui eles recebem treinamento para serem reinseridos na sociedade”.

Visita
Os adolescentes aguardaram a conclusão da reforma alojados num galpão e, durante este período, as visitas foram suspensas porque não havia condições de oferecer segurança aos familiares dos menores. No entanto, o secretário Jacini garantiu que as visitas serão normalizadas após o remanejamento.
Uma equipe da Cigcoe permaneceu na Unei enquanto a reforma estava sendo executada, mas ela deixaria o local após a conclusão da transferência. “Agora que já acabou a reforma e eles (menores) vão voltar para alojamento, a missão está encerrada, entretanto a Cigcoe tem equipe que fica de prontidão. A Companhia de Guarda continua fazendo o policiamento externo e, havendo necessidade, ela conta com a Cigcoe”.
Os adolescentes estão na Colônia Penal desde agosto, quando a instalação original da Unei, na saída para Três Lagoas, foi interditada para passar por reforma, que deve terminar em janeiro.

Leia Também