Cidades

Jesuíta espanhol

Padre Anchieta será declarado santo hoje pelo Papa Francisco

Padre Anchieta será declarado santo hoje pelo Papa Francisco

G1

02/04/2014 - 07h18
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O Papa Francisco deve assinar nesta quarta-feira (2) um decreto em que proclama santo o jesuíta espanhol José de Anchieta, mais conhecido como Padre Anchieta, que atuou no Brasil no século 16 e foi um dos fundadores da cidade de São Paulo, em 1554.

Sem pompas, a canonização deve ocorrer durante ato marcado para o meio-dia, hora do Vaticano (9h pelo horário de Brasília), segundo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB.

Com isso, Anchieta se torna o terceiro santo a ter laços estreitos com o Brasil. A primeira foi Madre Paulina, santa desde 2002, quando o Papa João Paulo II a canonizou. Em seguida, Frei Galvão, brasileiro nascido em Guaratinguetá (SP), proclamado Santo Antônio de Sant'Ana Galvão em 2007 pelo atual Papa Emérito Bento XVI.

Entretanto, diferentemente de Paulina e Galvão, Anchieta não teve dois supostos milagres que praticou reconhecidos pelo Vaticano. Relatos de mais de 400 anos apontam que eles aconteceram, mas o tempo longo passado desde então impossibilita sua comprovação, segundo historiadores.

A canonização de Anchieta se dará por seu trabalho missionário feito no Brasil, principalmente pela catequização dos índios no período de colonização, além da fundação de missões jesuítas em diversas províncias do país.

Histórico
Nascido nas Ilhas Canárias, arquipélago que pertence à Espanha, Anchieta ingressou aos 17 anos na Companhia de Jesus, congregação religiosa fundada no século 16 e que ficou responsável pelo processo de evangelização da América Latina.

Os integrantes da instituição, que existe até hoje, são chamados de jesuítas – o Papa Francisco é o primeiro deles a ser eleito como líder da Igreja Católica, em 2013.
Segundo a coordenadora do Museu Anchieta, no Pateo do Collegio, em São Paulo, Anchieta chegou ao Brasil com 19 anos, ansioso para trabalhar com indígenas. Em 1554, participou da fundação de São Paulo.

Aprendeu a língua nativa, o tupi, e com a ajuda de curumins (crianças índias), que exerceram o papel de tradutores, escreveu o livro “Arte de grammatica da lingoa mais usada na costa do Brasil”, que ajudava outros religiosos a entender a língua indígena durante o processo de catequização do Brasil-Colônia.

Ao longo de sua vida ficou conhecido pela característica de conciliador. Teve papel fundamental durante o conflito entre os índios Tamoios (ou tupinambás) e os tupiniquins, denominado Confederação dos Tamoios, que, segundo Carla, ocorreu entre 1563 e 1564.

Na época, os Tamoios, apoiados pelos franceses, se rebelaram contra os tupiniquins, que recebiam suporte dos portugueses. Para apaziguar os ânimos, Anchieta se ofereceu para ficar de refém com os tamoios na aldeia de Iperoig, enquanto outro jesuíta, o padre Manoel da Nóbrega, seguiu para o litoral de São Paulo para negociar a paz.

Enquanto esteve “preso”, sua devoção à Virgem Maria o fez escrever na areia a obra “Poema à Virgem”, com quase 5 mil versos. A imagem deste momento foi retratada séculos depois pelo artista Benedito Calixto, no quadro que leva o mesmo nome da obra literária e que está exposto atualmente no Museu Anchieta.

Anos depois, foi nomeado Provincial do Brasil da Companhia de Jesus, responsável por todas as missões jesuítas do Brasil. Visitou várias regiões até morrer em 1597, aos 63 anos.

Processo longo de canonização
O jesuíta foi beatificado por João Paulo II em 1980, na primeira etapa antes de se tornar santo. O pedido para que isso ocorresse, no entanto, foi feito ainda no século 16. Mudanças no Código Canônico e conflitos que acabaram com a expulsão dos jesuítas do Brasil, em 1759, atrasaram o processo.

Segundo o padre Valeriano dos Santos Costa, diretor da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, a proclamação do jesuíta espanhol como santo ocorreu por suas ações que, segundo ele, "comprovaram que sua vida foi cheia de milagres".

“[Com essa atitude], acredito que a Igreja Católica deve rever o método de canonização. Isso pode abrir outras possibilidades para criar mais santos”

Comemoração
Para celebrar a canonização do santo, a Igreja Católica no Brasil prepara diversas festividades. Em Anchieta, no Espírito Santo, cidade que foi fundada pelo jesuíta em 1565, inicialmente como Aldeia de Reritiba, uma programação especial com missa solene e concerto musical deve marcar o dia.

Em São Paulo, a Arquidiocese recomendou que todas as igrejas da cidade toquem os sinos por cinco minutos às 14h. Haverá ainda duas missas, uma na Catedral da Sé, às 18h, e outra no Páteo do Collegio, às 19h30min. No domingo (6), uma procissão pelas ruas da capital paulista seguida de missa deve encerrar as festividades.

SEGURANÇA

Além de 180 PMs, Carnaval terá 300 guardas civis em Campo Grande

Ao todo, 480 agentes farão a segurança no Carnaval, entre policiais e guardas

30/01/2026 10h16

GCMs garantindo a segurança do Carnaval na Praça do Papa

GCMs garantindo a segurança do Carnaval na Praça do Papa DIVULGAÇÃO/PMCG

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Segurança estará reforçada no Carnaval 2026, em três pontos de folia (Esplanada Ferroviária, Praça do Papa e Praça Aquidauana), em Campo Grande.

Ao todo, 480 agentes farão a segurança no Carnaval, entre 14 e 17 de fevereiro, em Campo Grande. Desse número, 180 são policiais militares e 300 guardas civis.

Os GCMs estarão alocados em 22 viaturas de quatro rodas, 10 viaturas de duas rodas e um micro-ônibus. "A atuação da GCM abrangerá pontos previamente planejados, incluindo áreas com concentração de blocos, eventos públicos e vias de grande fluxo, com ações de patrulhamento preventivo, apoio à fiscalização e integração com outros órgãos de segurança e trânsito", informou a Prefeitura Municipal de Campo Grande (PMCG) por meio de nota.

Os PMs estarão alocados em dezenas de viaturas e terão apoio do Batalhão de Choque (BPMChoque), Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), cavalaria, drone e helicóptero.

Objetos cortantes, armas, explosivos e vidros estão proibidos de entrarem na área carnavalesca. Gelo (raspado e em cubos), copos e cooler são permitidos.

Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) e Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) estarão responsáveis pelo organização do trânsito e fechamento de ruas nos quadriláteros da Praça do Papa, Praça Aquidauana e Esplanada Ferroviária.

Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) estarão responsáveis pelo resgate e atendimento hospitalar.

CARNAVAL 2026

Carnaval ocorrerá entre 14 e 17 de fevereiro de 2026, em três pontos de folia (Esplanada Ferroviária, Praça do Papa e Praça Aquidauana), em Campo Grande.

Blocos de rua e desfile das escolas de samba prometem agitar a festa. 

O desfile ocorrerá nos dias 16 e 17 de fevereiro, às 19h, na Praça do Papa, localizada no quadrilátero das ruas Alfredo Scaff, Zákia Nahas Siufi, Américo Marques e Crisântemos, na Vila Sobrinho, em Campo Grande. Ao todo, 20 mil pessoas são esperadas por noite. A entrada é gratuita.

As escolas de samba que vão desfilar são Unidos do Aero Rancho, Vila Carvalho, Deixa Falar, Vai Vai, Cinderela José Abrahão, Igreja, Catedráticos e Unidos do Cruzeiro.

Já os bloquinhos de rua agitarão o carnaval campo-grandense de 14 a 17 de fevereiro, na Esplanada Ferroviária, localizada na avenida Calógeras, em Campo Grande. Ao todo, 130 mil pessoas são esperadas em quatro dias de festa. A entrada é franca.

Os blocos mais tradicionais são Calcinha Molhada, Capivara Blasé, Cordão Valu, As Depravadas, Reggae, Barra da Saia, Êita, Farofolia, entre outros.

A partir de fevereiro, folia, bloquinhos, cordões, glitter, axé, samba, fantasia e marchinhas estarão liberados.

 A festa popular promete movimentar R$ 25 milhões na economia nos ramos de bares, restaurantes, hotéis, comércio, lojas, serviços, turismo e empregos temporários.

O Carnaval de Campo Grande recebeu verba de R$ 2,4 milhões do Governo de MS, destinado à ligas de escolas de samba e bloquinhos.

DOURADOS

Proprietários têm 90 dias para contestar nova terra indígena

A Funai aprovou ontem relatório de identificação e delimitação da Terra Indígena Apyka'i, do povo guarani-kaiowá, localizada em Dourados

30/01/2026 09h00

Acampamento dos indígenas da TI Apyka'i fica às margens da BR-463, entre Dourados e Ponta Porã

Acampamento dos indígenas da TI Apyka'i fica às margens da BR-463, entre Dourados e Ponta Porã Gerson Oliveira

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Os proprietários rurais que detêm imóveis ocupantes nos limites da Terra Indígena (TI) Apyka’i poderão contestar o relatório da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) que identificou e delimitou a área, localizada em Dourados, de ocupação original do povo indígena guarani-kaiowá, uma das maiores comunidades originárias de Mato Grosso do Sul.

Ontem, a Funai anunciou a aprovação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena Apyka’i, que foi assinado pela presidente da autarquia indigenista, Joenia Wapichana, durante a oficina de planejamento da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem), em Brasília (DF).

De acordo com o documento de despacho decisório, o levantamento fundiário da Funai identificou 10 imóveis não indígenas incidentes nos limites da área, dos quais dois são minifúndios, seis pequenas propriedades, uma média propriedade e uma grande propriedade. 

Acerca da caracterização fundiária, as equipes localizaram a presença da produção de soja e de cana-de-açúcar, representadas por duas empresas: Coamo Agroindustrial Cooperativa e Map Participações Ltda. Segundo apurou a reportagem, estas sociedades são oriundas dos municípios de Campo Mourão (PR) e Manaus (AM), respectivamente.

Em conversa com o Correio do Estado, a advogada ruralista Luana Ruiz disse que os proprietários dos imóveis listados no documento terão três meses, a partir da data de publicação do relatório, para contestar a aprovação da Funai, ou seja, apresentar as chamadas defesas administrativas.

“A partir da aprovação do relatório e publicação no Diário Oficial da União, a área passa de ‘em estudo’ para ‘identificada’. Com isso, abre o prazo de 90 dias para as defesas administrativas e sem prejuízo de eventuais judicializações. Aí vai depender de fixação de estratégias técnico-jurídicos”, explica.

Após a apresentação das defesas, a Funai deverá analisar caso a caso até ser repassado para as mãos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Sobre possível indenização da União no futuro, a advogada disse que ainda é muito cedo para falar sobre, mas que pode ser uma das soluções.

“Indenização seria a solução se nós estivéssemos falando de valor justo de mercado. Porém, querem tirar as propriedades falando que são terras indígenas com uma proposta de indenização irrisória. Então, precisamos tomar muito cuidado quando colocamos a indenização como sendo a válvula de escape de solução do problema, porque o produtor rural está perdendo seu patrimônio a preço irrisório”, afirma.

Primeiro passo

O processo de identificação e delimitação da Terra Indígena Apyka’i teve origem no compromisso de ajustamento de conduta (CAC), firmado em 2007 com o Ministério Público Federal (MPF), quando a Funai assumiu o compromisso formal de avançar na demarcação das terras guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.
Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas e principal ativista das causas indígenas sul-mato-grossenses, comemorou a conquista, mas destaca que esse é o primeiro passo para, quem sabe, a homologação da demarcação ser feita ainda este ano.

“Uma entrega importante para o povo guarani-kaiowá que há anos aguarda a demarcação. Esse ato da Funai é o primeiro ato que consolida a superfície do território indígena no município de Dourados. Um ato do Estado Brasileiro reconhecendo esse direito originário ancestral dos guarani-kaiowá, e atendendo uma reivindicação histórica deles”, disse.

“Para nós é importante porque é um documento técnico, científico, administrativo, jurídico que reconhece uma área como ocupação tradicional, mas ainda é um procedimento administrativo que está só iniciando. Ele vai ter ainda várias fases até chegar na fase da homologação, que é o decreto assinado pelo presidente da República”, esclarece o secretário.

Para uma demarcação de terra indígena ser concretizada, ocorre um processo de seis etapas: Identificação e delimitação; aprovação e contestações (fase da qual a Apyka’i se encontra); declaração; demarcação física; homologação; e registro. Hoje, 824 terras indígenas estão em alguma destas fases do procedimento demarcatório, segundo o portal “Terras Indígenas no Brasil”, sob realização do Instituto Socioambiental.

Histórico

A TI Apyka’i é um território de cerca de 1.058,16 hectares reivindicado como de ocupação tradicional pelo povo indígena guarani-kaiowá. Ainda conforme citado no relatório da Funai, a comunidade se mudou cerca de oito vezes da localidade entre os anos de 2002 e 2016, por conta de expulsões, ataques de seguranças armados, incêndios, mortes por atropelamento e até envenenamento.

Tanto que, em meados de 2016, cerca de 10  famílias guarani-kaiowá foram despejadas da Terra Indígena Apyka’i por cerca de 50 policiais federais, cenário que voltaria a se repetir no decorrer daquele mesmo ano.

Em 2023, o Apika’i completou duas décadas de acampamento, com seis remoções forçadas, dois incêndios, seis atropelamentos e uma morte por envenenamento. Estima-se que, desde a década de 1980, o povo indígena tenta reivindicar a terra, o que pode estar perto de ser conquistado depois de aproximadamente quatro décadas.

Saiba

Segundo o último levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 104,5 mil pessoas em Mato Grosso do Sul declararam pertencer a alguma etnia indígena, dos quais 44.575 (42,67%) falaram ser da comunidade guarani-kaiowá, a maior em questão populacional no Estado, pouco mais do que o povo terena (42.492).

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