Quinta, 23 de Novembro de 2017

Overdose cultural

26 ABR 2010Por 21h:56
OSCAR ROCHA

Com orçamento de cerca de R$ 1,5 milhão e uma programação ampla – música, artes plásticas, artesanato, literatura, artes cênicas, cinema –  o Festival América do Sul, que chega à sétima edição, inicia-se na quarta-feira e prossegue até domingo em Corumbá, procura ainda se impor como importante evento na integração cultural da América Latina. Desde o ano passado, a partir de convênio assinado pelo governo do Estado com o Memorial da América Latina, sediado em São Paulo, a curadoria passou a ser compartilhada. “O memorial nos ajuda nas escolhas das atrações, ele tem ‘feeling’, visão mais ampla do que é representativo na produção cultural atual do continente”, aponta o presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Américo Calheiros.

Ao contrário dos primeiros anos, quando o festival oferecia farta programação de debates sobre questões pertinentes à realidade sul-americana, nas edições mais recentes a centralização ficou em torno de aspectos culturais. “Focamos no aspecto cultural; não abandonamos as discussões, procuramos ainda estabelecer o intercâmbio, o debate, os grupos de reflexões, mas todos nascem a partir da experiência em cultura”, ressalta Américo. Um dos aspectos que deverão ser reforçados neste ano é atenção concedida à cidade de Ladário. “Nos outros anos, algumas atrações do festival eram apresentadas por lá, mas a gente achava que muita gente de Ladário se deslocava até Corumbá também para assistir outras coisas, e era isso que acontecia. Então, consideramos importante levar mais atividades para aquela cidade”.  O evento é uma parceria do Governo do Estado com a Prefeitura Municipal de Corumbá.      
 
A programação musical sempre chama atenção, mas há outros atrativos que também despertam interesse dos visitantes. Um delas, com certeza, é a parte de artesanato, que é mostrada na  Praça Genoroso Ponce, onde é instalado o Pavilhão dos Países. Foram convidados 7 países, incluindo Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai, Bolívia, Venezuela e Peru. Cada país terá dois representantes, sempre ligados a associações ou grupos de artesãos, que mostrarão vários produtos. A parte nacional será representada por Mato Grosso do Sul com a exposição de trabalhos de 80 artesãos, que produzem seus materiais com osso, cabaça, madeira, entre outros. No local, ainda funcionarão livrarias e loja de CD, especializada na produção local. A abertura do espaço será na quarta-feira às 20h. Ainda haverá exposição da produção artesanal corumbaense na Casa do Artesão.

Na programação do audiovisual, desde o ano passado, a curadoria busca destacar produções recentes de estados brasileiros. “No ano passado, mostramos coisas do Rio de Janeiro, Amazonas; agora, serão mostradas produções de Minas Gerais e Goiás. Também teremos a participação de realizadores destes lugares. São vários tipos de produções: documentários, ficções, curtas, médias e longas-metragens”, destaca a coordenadora de audiovisual do festival, Lidiane Lima. Os filmes originários de outros países foram selecionados pelo Memorial da América Latina. Além das exibições, o festival também contará com sessões de debates, sempre tendo como foco a realização e a exibição independente. Entre os temas destacados estão o cineclubismo e a produção de baixo orçamento. Uma novidade desta edição com relação ao cinema será a instalação de um grande telão na Praça Independência, no centro de Corumbá,  onde serão exibidos vários títulos, incluindo curtas e longas-metragens. “Serão noites glamourosas, com a projeção nesse grande telão, com a instalação de 300 lugares para público prestigiar aos filmes sentados. Ainda há possibilidade de um cineasta de Minas Gerais realizar um documentário sobre o evento”, diz Lidiane. As exibições  dos filmes e a realização dos debates acontecerão no Centro de Convenções do Pantanal.

A literatura ganha espaço  com o tradicional Quebra-Torto com Letras, quando palestras e leituras de textos acontecem ao lado de apreciação de pratos típicos da região. A atração acontecerá de quinta-feira a sábado, às 8h, no Moinho Cultural. “Participarão convidados locais e de outros estados. Os convidados de fora foram indicados pelo Memorial da América Latina. Os representantes locais são aqueles que lançaram recentemente seus trabalhos por meio do Fundo de Investimentos Culturais ou apresentaram obras importantes”, informa a coordenadora de Literatura do festival, Neusa Arashiro. Entre os indicados pelo Memorial da América Latina estão Zuza Homem de Mello, Hilton Viana,  Luciano Braz e Vicência Bretãs Tahan, filha da escritora goiana Cora Coralina. Outra presença literária do evento será o escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, que já participou de outra edição festival. A palestra dele acontece, às 15h, quinta-feira, no Centro de Convenções do Pantanal. No outro dia, na mesma hora e local, será a vez da responsável pela curadoria de várias festivais de teatro na América Latina, Gloria Lewy, falar sobre o movimento teatral no Mercosul.

O festival contará ainda com atrações de artes plásticas, destacando exposição com obras de Humberto Espíndola; artes cênicas, com a presença do Grupo Tapa, de São Paulo; oficinas e shows musicais – Simone, Diogo Nogueira, Monobloco, Frejat, Roberta Sá, entre outros. A entrada para todas as atrações é franca.

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