Segunda, 20 de Novembro de 2017

Oscar quer resgatar prestígio após baixa audiência

7 MAR 2010Por 07h:37
O glamour está em evidência – depois da greve dos roteiristas de 2008 e da sombra ameaçadora da crise econômica mundial do ano passado, a 82ª cerimônia de entrega do Oscar, que acontece hoje à noite, no Kodak Theatre, em Los Angeles, busca resgatar um prestígio arranhado pelo crescente desinteresse. Afinal, transmitida para todo o planeta pela televisão, a maior festa do cinema apresenta índice decrescente de audiência – a de 2009, por exemplo, foi a terceira pior da história da transmissão. Para isso, uma série de medidas foi tomada. A primeira: restabelecer uma antiga forma de escolha do melhor filme; agora, a lista de finalistas conta com dez títulos em vez de cinco, prática que vigorou entre 1936 e 1943. Assim, os 5.777 eleitores habilitados não marcaram apenas um X ao lado do escolhido, mas montaram uma escala decrescente de preferência. O eleito não será simplesmente o mais votado em primeiro lugar, mas o filme que conseguir 50% mais um das preferências, ou seja, aquele que for marcado em no mínimo 2.889 papeletas. Isso significa que o vencedor não será necessariamente o melhor votado: se, por exemplo, “Bastardos inglórios” conseguir aquela marca (ou superior) como o terceiro filme mais lembrado pelos votantes, será o ganhador da estatueta. “Esse sistema eleitoral evita que os filmes considerados mais populares dentro da Academia ‘dividam o voto’, favorecendo uma minoria mais coesa”, explicou, à agência France Presse, o sociólogo Gabriel Rossman, professor da Universidade da Califórnia, especializado na premiação do Oscar. Para ele, é “pouco provável que o prêmio vá para algum título inesperado”. Se não surgir um filme claramente favorito como o primeiro na votação, então o benefício passará para o segundo na preferência. “Isso evita que o ganhador seja um longa que tenha apenas 11 ou 12% dos votos em geral”, completa Brad Oltmanns, da PricewaterhouseCoopers, empresa responsável pela apuração dos votos. Com isso, a luta parece estar entre os dois longas que melhor traduzem as ambições da Academia: “Avatar” e “Guerra ao terror”. Dirigidos por cineastas que já formaram um casal (James Cameron e Kathryn Bigelow, respectivamente), são trabalhos que tanto provocaram revoluções de bilheteria (“Avatar” ultrapassou “Titanic” como o filme que mais arrecadou na história do cinema) como tratam de temas atuais de uma forma não tão direta, sem tomada de posição, mas respeitando o cânone do cinema de suspense. Para diversos críticos americanos, “Guerra ao terror” sustenta uma neutralidade que chega a torná-lo apolítico, isentando-se do debate sobre os desejos do exército americano de liberar civis de ataques terroristas. A julgar pelo retrospecto de outros prêmios, dos quais também participam os eleitores da academia, “Avatar” deverá receber o Oscar de melhor filme enquanto Kathryn Bigelow será a primeira mulher a vencer como diretora. Uma divisão régia que privilegia todos os interesses. Como o anúncio dessas categorias ocorre no final da premiação, a cerimônia sofrerá modificações a fim de sustentar a atenção do espectador mundial – os números do ano passado ainda assombram os organizadores, pois a transmissão foi acompanhada por 36,3 milhões de telespectadores, a terceira pior da história. O consolo é que a cifra representou um aumento de 13% em relação a 2008, o que significa que os rumos adotados podem ser os melhores.

Leia Também