Terça, 21 de Novembro de 2017

Os “sem-nada” sonham em ser deputado

19 JUL 2010Por 19h:57
adilson trindade

Os “sem-dinheiro”, os “sem teto”, os “sem-terreno”, os “sem-carro”, enfim, os “sem-nada” sonham em conquistar uma das oito vagas na Câmara dos Deputados por Mato Grosso do Sul. Não se trata de candidatos que vivem nas favelas ou nas áreas urbanas e suburbanas das cidades. Esses “quebrados” financeiramente são funcionários públicos, militar reformado (capitão), vereadores do interior, jornalista, aposentada, compositora, cantora e até um pecuarista que se apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como um “sem-bens”, um “sem-bois no pasto”. Nesta situação, estão quase um terço (20) dos 68 candidatos a deputado federal no Estado, que se declaram “pobretões” da política.

O vereador Maico Doido (PDT), de Paranaíba, está na relação dos candidatos “sem nada”. Ele ganha aproximadamente R$ 5,2 mil por mês e está “doido” para trocar a Câmara Municipal pela Câmara dos Deputados. A diferença de uma Câmara para outra é grande. As regalias da Câmara, com sede em Brasília, são enormes, e podem dar a Doido a oportunidade de iniciar a construção de algum patrimônio.

O seu colega de Três Lagoas, Jorginho do Gá (PSDB), é outro “pobretão” concorrendo “sem dinheiro” a uma vaga na Câmara dos Deputados. Isto porque ele recebe cerca de R$ 4,5 mil por mês. Gá e Doido não conseguiram, com este salário, adquirir nenhum bem, se levar por base a declaração de renda apresentada por ambos à Justiça Eleitoral. Pelo estado de “pobreza”, eles devem ir a pé à Câmara Municipal para exercer a atividade de vereador ou usam o transporte coletivo, já que não têm carro. E devem ainda viver em casa de aluguel.

O candidato Moisés Ervilha, que está concorrendo a deputado federal pelo nanico PTdoB, se apresentou ao TSE como pecuarista. É mais um fato curioso. Ele não dispõe em sua declaração de nenhum bem. É um pecuarista “sem gado”, “sem fazenda”, “sem carros” e “sem casa”. A não ser que suas propriedades estejam registradas em nome de terceiro (integrante da própria família). Pela informação dada à Justiça Eleitoral, Moisés Ervilha é um pecuarista “durão” na disputa para deputado federal.

O capitão Arce, militar reformado que, também, disputa a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PTB, não conseguiu montar patrimônio com o salário que recebe mensalmente. Ele vai depender de ajuda financeira de amigos e do partido para bancar a campanha eleitoral.

A professora Iara, que disputa a eleição pelo PT, se apresentou como servidora pública estadual. Na sua declaração de renda não existe registro de nenhum bem. A contadora Iara Costa, que já concorreu à Prefeitura de Campo Grande pelo PMN, está agora na disputa para a Câmara dos Deputados. É outra que “não tem nada” de patrimônio.

Outros servidores públicos, George Motoqueiro (PSOL), professora Marlene Mara (PRP), Moacir Barbosa da Silva (PSOL), conhecido por Moa, e Vicente Lichoti (PT), são também candidatos “pobretões”. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, eles não dispõem de bens em suas declarações. E mesmo assim estão numa disputa caríssima para deputado federal. Os concorrentes deverão desembolsar alguns milhões de reais para conquistar uma vaga, enquanto eles deverão sobreviver na campanha com os poucos recursos dos partidos e de ajuda de amigos.

Pelas informações do TSE, existem ainda candidatos sem profissão definida. Apenas indicaram “outros” na sua atividade profissional e fazem parte dos “durões” na disputa eleitoral. É o caso de Mariangela da Silva (PSL), de Neya (Rosineia Silva de Carvalho), do PHS, de Sérgio Lacerda (PRP) e Zenaide de Souza Ferreira (PMDB).

Entre os “quebrados” que tentam conquistar o paraíso da Câmara dos Deputados estão ainda o pastor Jean (PT do B), o jornalista Sebastião Ronei (PTB), a aposentada Marlene Rivarola (PTB), a cantora e compositora Cibely Rabelo (PSL) e a polivalente Francisca Dantas (PMN), que registrou ser vendedora pracista, representante, caixeiro-viajante e assemelhados.

A candidata Idalina dos Santos, conhecida por Cida, do PTB, está registrada no TSE como vereadora. Mas a direção do partido explicou que ela não tem mandato e reside em Campo Grande. Portanto há erro em seu registro. Cida está, também, incluída na lista dos candidatos “quebrados” sonhando com uma vaga na Câmara dos Deputados.
Para os “sem nada”, exercer a atividade parlamentar na Câmara federal será a oportunidade de viajar toda a semana a Brasília de avião, ter direito a escritório político em sua cidade e nomear assessores com bons salários.

Leia Também