Sexta, 17 de Novembro de 2017

Oportunidades na construção civil são promissoras para as mulheres

12 SET 2010Por 14h:44
Márcia De Chiara (AE)

O nível de emprego na construção civil é recorde e as construtoras já começam a contratar mulheres e trabalhadores egressos do corte da cana-de-açúcar para atenuar o déficit de mão de obra no setor. A ex-analista de cobrança Vanessa Santos de Matos Rodrigues, de 29 anos, casada e mãe de uma filha de 4 anos, nunca pensou em trabalhar na construção civil. Mas oportunidade de ter outra profissão apareceu quando ela estava desempregada e ficou sabendo do curso para formação de mulheres na construção civil, oferecido pela Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP).
“Meu pai é pedreiro, meu irmão trabalha com serviços de acabamento e eu sempre achei bonito trabalhar nessa área. A minha intenção não é pegar no pesado, mas mexer com serviços de pintura e revestimento”, conta Vanessa, que desde maio é uma das alunas.
Segundo ela, as oportunidades de trabalho na construção civil são promissoras. Prova disso é que muitas empresas do ABC paulista já estão procurando as alunas do curso do qual ela participa para oferecer estágios nas funções de acabamento em seus canteiros de obras. “Todo lugar está precisando de mão de obra e a remuneração é boa”, diz Vanessa.
Uma analista de cobrança, sua antiga profissão, recebe cerca de R$ 1.200 por mês. Como azulejista, é possível ganhar perto de R$ 1.500 e ainda trabalhando por conta própria. “Tem pedreiro que assenta porcelanato e mármore e recebe entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil, mais do que um médico”, diz José da Silva Leme, técnico em educação e instrutor do curso para mulheres na construção civil da Prefeitura de São Bernardo Campo.
Cerca de 90 mulheres aptas a desempenhar as funções de azulejista, pintora e pedreira, por exemplo, vão se formar até o fim deste ano em São Bernardo. “Já tem muita empresa de olho nelas. O mercado vai ser das mulheres”, diz o instrutor.
Segundo Leme, as mulheres são mais caprichosas do que os homens para desempenhar as funções de acabamento nas obras. Mas o instrutor pondera que existe muito preconceito. “Ainda vivemos num país machista”, destaca.
Apesar das restrições, as mulheres estão quebrando as barreiras.

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