Quarta, 22 de Novembro de 2017

Olhos abertos

7 MAR 2010Por 00h:15
Por maior que fosse a rede de proteção do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda acabou sendo preso mediante as evidências de que estava tentando atrapalhar as investigações relativas às denúncias de corrupção em seu Governo. E, se o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal decretaram e mantiveram, respectivamente, a prisão um governador de Estado, não será de se estranhar se o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul acatar o pedido de prisão do prefeito de Dourados, Ari Artuzi, solicitado pelo Ministério Público. O argumento (atrapalhar a investigação) é praticamente o mesmo que o de Brasília. A diferença fundamental é que não existe flagrante tão contundente quanto aquele em que uma testemunha- chave foi filmada recebendo sacola com dinheiro para prestar depoimento favorável ao governador. Contudo, é de se imaginar que o procurador-geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva, ao requerer o afastamento e a prisão do prefeito da segunda maior cidade do Estado, não seja inconsequente e tenha indícios suficientemente fortes que solicitar medida tão drástica. E, depois do caso de Brasília, tanto magistrados quanto políticos certamente passaram a ter nova interpretação sobre foro privilegiado daqueles que ocupam cargos de certa relevância no País. É fundamental que o Judiciário analise com cuidado aquilo que está acontecendo de novo e rapidamente adote estes conceitos, pois os políticos já deram provas de que são muito ágeis para entrar ou criar outros esquemas de corrupção. No caso de Dourados, o prefeito estava no cargo há apenas meio ano e, segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, já estava comandando verdadeira quadrilha que fraudava licitações e corrompia servidores públicos. Ou, se não foi ele próprio o responsável pela formação deste bando, de imediato foi cooptado por grupos que há anos usavam a máquina pública em benefício próprio. Se ele criou seu próprio esquema ou entrou em algum que já existia, isto faz pouca diferença. O fato é que dias após assumir o cargo o prefeito já estava tirando vantagem da função, de acordo com a investigação. Ele, que faz questão de destacar que é de origem humilde, talvez não tenha tido a esperteza para dissimular as mutretas, assim como tantos outros fazem. É mais do que certo que ele não é o único a se aproveitar do cargo para encher os bolsos. Esta, infelizmente, é a regra. Esta lógica somente poderá ser revertida a partir do momento em que alguns destes políticos forem presos, perderem seus cargos e tiverem tomados os bens acumulados irregularmente. Isto depende, em grande parte, do Ministério Público e do próprio Judiciário, que está deixando claro que certos privilégios estão acabando. A prisão de Arruda e a possível detenção de Artuzi não significam, por si só, qualquer mudança. Porém, os casos servem para deixar de olhos bem abertos aqueles políticos que acreditam estar acima do bem e do mal, uma vez que o aumento no rigor das altas cortes judiciais fatalmente repercutirá nos demais magistrados.

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