Segunda, 20 de Novembro de 2017

Olhar crítico

13 AGO 2010Por 06h:52
Manoela Reis, TV Press

 Virgínia Cavendish já interpretou Rosinha, personagem da obra clássica de Ariano Suassuna “O auto da compadecida”, que foi adaptada para a televisão por Guel Arraes – ex-marido da atriz – e virou minissérie na Globo. Mas foi com Linda Glitter, uma típica vilã de contos de fada pseudo-infantis que vive em “Malhação ID”, onde encontrou seu melhor papel na tevê. “Isso em termos de composição, tamanho e resultado. É muito legal ouvir as crianças me gritando na rua”, justifica ela, que entrou no folhetim para fazer apenas uma participação e ficará até o fim de agosto, quando termina esta temporada da produção. “Essa personagem veio da noite para o dia e tive de me preparar muito rápido. Mas adoraria que ela estivesse na novela desde o começo”, ressalta.
A escalação para fazer uma personagem de humor não foi novidade para a atriz. Acostumada a interpretar “femmes fatales” em comédias, Virgínia entende a escalação óbvia, mas gostaria de poder arriscar mais em produções televisivas. “Gosto de trabalhos densos, de colocar meu sangue nos papéis. Quero fazer uma personagem dramática”, avisa. Apesar disso, a atriz assume sua forte veia cômica. “Devo ter uma certa facilidade para o humor. As pessoas dizem que sou engraçada. Não acho, mas ouço com frequência”, garante.
A vontade de fazer personagens diferentes já levou Virgínia a pedir que sua escalação fosse alterada. A atriz foi convidada para viver uma mulher sedutora na série “Avassaladoras”, da Record. Quando soube em qual papel iria atuar, conversou com o diretor de elenco para que pudesse fazer a “workaholic” Teresa, que não parecia com nenhum personagem que interpretou anteriormente. “Sempre que puder quero variar. Acredito que nenhum ator queira fazer papéis que se repetem. Mas há um limite. Temos uma extensão de personagens que podemos fazer. Ultrapassar pode nos fazer cair no ridículo”, opina.  
A restrição que encontra nas escalações televisivas não se reflete no restante da vida profissional de Virgínia. Além de atuar, ela é produtora e apresentadora da revista eletrônica “TNT + Filme”, exibida no canal por assinatura TNT, onde divide o comando com o crítico de cinema Rubens Edwald Filho. “Acabo trabalhando minha versatilidade em outros lugares fora da tevê aberta”, esclarece ela, que, além de se dedicar a produções interpretativas, também se formou em música aos 28 anos. Além disso, Virgínia está produzindo seu primeiro longa, que terá a direção de Walther Lima Jr., o mesmo diretor de “Os desafinados”. “Estou encantada com essa fase de captação e pré-produção. Acho que tenho jeito para isso. Estamos captando há seis meses e já temos previsão de começar a gravar em abril”, conta ela, que viverá a personagem principal do filme.
Para depois da trama de Ricardo Hofstetter, Virgínia ainda não tem novos planos na tevê aberta. Com contrato assinado apenas por obra com a Globo, a atriz pretende se dedicar aos seus projetos como produtora e ingressar em uma nova peça teatral. “Estou há dois anos longe dos palcos e já fico me coçando para voltar. Tenho lido alguns textos, mas ainda não encontrei nada que eu queira realmente fazer”, explica.

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