Sábado, 18 de Novembro de 2017

Oferta de asilo à iraniana condenada à morte por apedrejamento vira tema de campanha eleitoral

18 AGO 2010Por 03h:45
     A oferta de asilo à viúva iraniana, condenada à morte por apedrejamento, virou tema da campanha eleitoral. Depois de assumir a defesa da mulher e criticar o governo do Irã, o candidato à Presidência da República, José Serra, pela coligação O Brasil Pode Mais (PSDB, DEM, PPS, PTB e PT do B), pediu ontem (17) que a candidata do PT, Dilma Rousseff, se manifeste sobre o assunto. Segundo Serra, a relação do Brasil com o Irã não agrada à população brasileira.
                        
                        Para Serra, as últimas críticas de integrantes do governo à posição assumida pelo o Irã tem ?interesse eleitoral?. ?Para mim tem um interesse eleitoral?, disse o candidato tucano, ao ser perguntado sobre as críticas do ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que ontem (16) chamou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad de ?ditador? e criticou a forma como o governo do presidente Lula trata o caso da iraniana.
                        
                        ?Ele [Vannuchi] tinha que explicar porque o governo disse que tinha carinho e amizade pelo [Mahmoud] Ahmadinejad. Eu acho que isso é puramente eleitoral. Nunca duvido das posições pessoais do Paulo Vannuchi. O fato é que o Brasil manifestou durante todo esse tempo carinho, amizade e confiança pelo Irã?, disse.
                        
                        O candidato afirmou que Dilma também deve se manifestar sobre a situação da viúva Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos, acusada de adultério e posteriormente de assassinato. Mãe de dois filhos, ela e a família negam as acusações. Serra afirmou que o eleitor não aprova a relação do Brasil com o Irã.
                        
                        ?Como isso pega mal para a opinião pública, e nós estamos numa eleição, convém não confundir de novo a opinião pública. Tem que perguntar pro Vannuchi sobre Cuba, ele não falou sobre Cuba. Aliás, ela [Dilma] é quem tem que explicar porque nunca reclamou do Irã. Agora [para o governo Lula] o Irã é uma ditadura. Ela nunca disse uma palavrinha áspera com relação àquela ditadura fascista e feroz?, afirmou Serra.
                        
                        Depois de fazer uma série de críticas ao governo federal e à candidata petista, Serra não quis responder a perguntas sobre a propaganda eleitoral e às pesquisas de opinião. Segundo ele, é para evitar que a campanha eleitoral se transforme em ?tititi? e ?bastidores?. ?Se a gente não toma cuidado, a campanha eleitoral vira bastidores e 'tititi'?, disse o candidato do PSDB.
                        
                        José Serra participou ontem do 20º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, em Brasília, organizado pela Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB).
                        
                        Anteriormente, Serra reclamou que pelo menos sete projetos apresentados por ele, ao longo da campanha eleitoral, foram ?copiados? por Dilma, entre eles, o Mãe Paulistana. Segundo Serra, é ?normal? um político pegar o exemplo de programas que dão certo e adotar. Mas ele se queixou de não haver ?respeito ao direito autoral?. ?Se eleito presidente, não faria uma lei proibindo cópias?, brincou o candidato. ?Mas ficaria mais elegante dar o crédito sobre a autoria?, completou.

 

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