Sábado, 18 de Novembro de 2017

Obama lembra drama armênio, mas evita usar termo genocídio

24 ABR 2010Por 18h:18
     

        ASHEVILLE, Carolina do Norte

         

        O candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama repetidamente prometeu que chamaria de genocídio o massacre de armênios pela Turquia. Já o presidente Obama tem se recusado a tomar essa atitude.
        
        Obama não chamou neste sábado as mortes de 1,5 milhão de armênios durante a Primeira Guerra como genocídio. Preferiu qualificar o massacre como "uma das piores atrocidades" do século XX e um "capítulo devastador" da história.
        
        Em comunicado divulgado neste sábado, enquanto ele e a primeira-dama Michelle Obama passam o fim de semana na Carolina do Norte, o presidente lembrou os 95 anos do início do massacre dos armênios pelos turcos otomanos com palavras fortes. Propositalmente, porém, evitou o termo genocídio.
        
        É um "capítulo devastador na história do povo armênio, e devemos manter sua memória viva, em honra àqueles que foram assassinados e para que não repitamos os graves erros do passado", afirmou Obama em comunicado.
        
        Em seu segundo ano no poder, Obama não usou em público a palavra pela qual muitos historiadores definem o primeiro massacre generalizado do século 20. "Nesse dia solene de recordação, nós paramos para lembrar que 95 anos atrás começou uma das piores atrocidades do século 20."
        
        Na capital armênia, Erivan, centenas de milhares de pessoas neste sábado depositaram flores em um monumento às vítimas do massacre cometido pelos turcos otomanos.
        
        "Eu reconhecerei o genocídio armênio", afirmou Obama em 19 de janeiro de 2008, durante sua campanha. Em vários momentos, o candidato empregou a palavra.
        
        Agora, porém, utilizar o termo genocídio para a matança generalizada pode atrapalhar as intenções do presidente de fortalecer a parceria entre os EUA e a Turquia, um aliado vital na instável região. Evitar a palavra, porém, macula a promessa de campanha de reconhecer o fato como genocídio.
        
        No comunicado, Obama nota que já expressou anteriormente sua visão sobre o ocorrido em 1915 e diz que "minha visão sobre aquela história não mudou".
        
        Obama acompanha com atenção a aproximação entre a Turquia e a Armênia. Os dois países firmaram acordos de reconciliação em outubro, mas esses textos precisam ainda ser aprovados por cada Parlamento. Os acordos preveem o estabelecimento de relações diplomáticas e a reabertura das fronteiras.
        
        A Turquia fechou a fronteira em 1993, para protestar pela guerra armênia contra o vizinho Azerbaijão. O Parlamento turco tem atrasado a ratificação do texto, enquanto a Turquia pressiona por um acordo entre Armênia e Azerbaijão sobre a região de Nagorno-Karabakh, que fica em território do Azerbaijão mas é controlada pelos armênios desde o fim dessa guerra, em 1994.
        
        Historiadores estimam que até 1,5 milhão de armênios tenham sido assassinados pelos turcos otomanos na época da Primeira Guerra (1914-18). Já a Turquia nega que tenha havido um genocídio, afirmando que o número de mortos foi inflado e as mortes foram fruto de uma guerra civil e da situação de instabilidade.
        
        "Eu saúdo os turcos que salvaram armênios em 1915 e estou encorajado pelo diálogo entre turcos e armênios e dentro da própria Turquia sobre essa dolorosa história", afirmou Obama no comunicado. "Juntos, os povos turco e armênio serão mais fortes, enquanto reconhecem sua história comum e sua humanidade comum."
        
        As informações são da Associated Press

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