Segunda, 20 de Novembro de 2017

Obama busca novo relacionamento com América Latina

12 ABR 2009Por 16h:30
     

        Da redação

        O presidente Barack Obama vai tentar estabelecer um novo relacionamento de cooperação com a América Latina nesta semana, mas a relutância dos Estados Unidos em mudar de posição em assuntos altamente simbólicos como Cuba e imigração pode prejudicar os esforços, dizem analistas.

        Obama vai ao México na quinta-feira em sua primeira visita à região e depois segue para Trinidad e Tobago na sexta-feira para participar da 5ª Cúpula das Américas. Como fez na cúpula do G20 em Londres neste mês, o presidente enfatiza que planeja ouvir os líderes regionais e trabalhar por metas compartilhadas.

        "Nós temos que nos encontrar e trabalhar sobre nossos interesses mútuos", disse Obama no sábado.

        Jeffrey Davidow, assessor especial do presidente para o encontro, disse haver esforços para estabelecer um novo tom nas consultas e negociações diplomáticas antes do encontro. Obama se encontra com o presidente mexicano, Felipe Calderón, e vários assessores visitam a região.

        "Eu acho que acontecendo (a visita) tão cedo nesta administração," disse Davidow, "isso... pode ser legitimamente encarado como um novo começo."

        "Se os EUA dizem que estão abertos a ouvir e aprender, há vários assuntos que não deveriam ser retirados da agenda: temas como Cuba, temas como imigração", afirmou Luis Alberto Moreno, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento em um comunicado.

        Esses assuntos, embora não estejam na pauta da cúpula, deverão ser debatidos. O presidente Hugo Chávez da Venezuela e seus colegas com a mesma orientação devem pressionar para que Cuba seja readmitida na Organização dos Estados Americanos. Um debate sobre Cuba pode enfatizar uma divisão entre os Estados Unidos e a região.

        Washington afirma que não vai retirar o embargo de 47 anos à ilha comunista. Mas Obama estuda relaxar as restrições quanto a visitas de família e transferências de dinheiro à Cuba, medidas que muitos consideram inadequadas.

        "As medidas que a administração está aparentemente promovendo são tão limitadas em impacto e estreitas em seu escopo que perversamente essa administração, que não quer uma cúpula sobre Cuba, poderá acabar tendo uma cúpula sobre Cuba", afirmou Julia Sweig, coordenadora de estudos latino-americanos no Conselho de Relações Exteriores.

        No entanto, segundo analistas, a crise econômica deveria ser o principal assunto do encontro.

        Moreno afirma que, na América Latina, cinco anos com 5 por cento de crescimento tiraram 40 milhões de pessoas da América Latina da pobreza. Mas 1 por cento de queda do Produto Interno Bruto com a crise global podem empurrar 15 milhões de volta à pobreza. (informações do Estadão)

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