Domingo, 19 de Novembro de 2017

O sexo para ele e para ela

17 MAR 2010Por 00h:22
Falar em sexo é complicado. Fazer, então, nem se fala... É uma conjunção de quesitos e receios com a performance, o tamanho, estudo da luz para saber se as celulites estão sendo reveladas, tentativas de evitar certas posições para que as gordurinhas não pareçam ser maiores do que antes de se despir, dar e ter prazer, além da utópica sintonia sexual, enfim a preocupação excessiva com o fim pode prejudicar os meios... De maneira geral o homem faz sexo para se sentir bem e a mulher faz sexo quando se sente bem. É justamente aí que começam as diferenças. Somadas as condições naturais ainda há muitos desencontros a serem esclarecidos ou resolvidos para a conquista da satisfação plena. Entre as peças extras do quebra-cabeças da sexualidade estão: ejaculação rápida, dificuldade de ereção, tamanho do pênis, anorgasmia, baixo desejo sexual e a menopausa. Em se tratando da mulher, os mitos e mistérios do orgasmo ainda são, segundo os especialistas, as maiores fontes de dúvidas e queixas sexuais. “Segundo estudo, 30% das mulheres nunca tiveram orgasmo e outras 30% só o conseguem com estímulos externos”, destaca o ginecologista e sexólogo Gérson Lopes, acrescentando que a dificuldade e pouca frequência com que se chega ao clímax, pouco tem a haver com alguma dificuldade orgânica. Para o especialista, fatores educacionais, culturais e repressores são as maiores razões para anulação do prazer. Gérson Lopes destaca que permitir-se excitar e conhecer o próprio corpo é a melhor forma de se encontrar o clímax. “Mas não podemos entrar no jogo da ditadura do orgasmo, assim como é permitido o homem falhar eventualmente, a mulher pode não sentir desejo em determinado dia, assim como também pode não chegar ao orgasmo, mesmo sentindo prazer, pois são sensações diferentes”, reforça. Clitoridiano, vaginal ou múltiplo, nesta confusão toda sem saber ao certo como seria a matemática do orgasmo, muitas mulheres, chegam (cerca de 10%), mas de tanto fantasiar ou elocubrar suas sensações, acabam achando que não chegaram. Outras, para não frustrar o parceiro que cobra isso como atestado de sua virilidade, fingem. De acordo com Gérson Lopes, não existe causas sem consequências, de tanto fingir, muitas mulheres podem desencadear com o tempo a fobia do sexo, muito antes, é claro, apresentam queda acentuada na libido. De acordo com o sexólogo Gerson Lopes e a psiquiatra Carmita Abdo, a falta de apetite sexual está permeada por uma série de fatores, já citados anteriormente como educação e cultura. Mas o ponto de partida pode estar na psiquê feminina. O corpo da mulher para responder ao sexo precisa ser estimulado. Velas perfumadas, lingerie, músicas, ambientes diferentes, atenção, carinho, afeto, beijos, abraços, entre outros estímulos que façam a mulher pensar em sexo, pode ativar o primeiro gatilho, o resto, o corpo responde. A menopausa é um fator agravante. A queda dos hormônios levam à falta de lubrificação e à baixa libido, porém a terapia hormonal pode resolver isso. O resultado vai depender da saúde emocional da mulher, que tem muito mais ação na sexualidade. Homem Enquanto a pílula anticoncepcional representou um marco na revolução sexual feminina. Para h om e m , d u a s décadas depois c hegou out ra pílula, que deu a ele uma oportunidade de sexo com mais qualidade. Primeiro foi o Viagra (Sildenafila), que ficou famoso graças à forte exposição da mídia e por uma caracterísitca pecu l i a r: a cor azul, depois o Levitra (Vardenafila) e por último o Cialis (Tadalafila), que tem sua eficácia prolongada. Enquanto Viagra, Levitra e Pramil, agem por 4 a 6 horas, o Cialis tem ação prolon gad a por 36 horas, permitindo mais liberdade e espontaneidade para relação sexual, já que não há porque se preocupar ou se apressar com medo do efeito do remédio acabar. Aliás, o medo é o grande companheiro do homem. Se numa ponta temos a mulher que reclama do orgasmo, do outro lado temos um homem que não admite a falha. Daí o medo, de não ter a mesma performance na próxima investida, vai se transformar num verdadeiro bicho-papão, afirma o urologista Luís Otávio Torres. De acordo com o médico, 90% dos problemas relacionados à disfunção sexual têm origem psicogênica, ou seja, podem ser desencadeados por ansiedade, depressão, preocupação com desempenho, medo (de falha, rejeição, gravidez), insegurança, estresse, baixa autoestima, problemas financeiros, sociais entre outros fatores conscientes e inconscientes. “São raros os casos onde as causas são orgânicas. Posso dizer que o problema do homem está mais entre as orelhas do que entre as pernas”, compara o urologista. Estudo mostra que a disfunção erétil (DE) atinge em maior ou menor grau metade da população masculina no mundo, cerca de 25 milhões só no Brasil. O país ocupa o segundo lugar no ranking de venda de medicamentos, perdendo apenas para os Estados Unidos, mas o potencial de crescimento do mercado consumidor é imenso – apenas 10% dos que sofrem de impotência tomaram a iniciativa de procurar tratamento. Ejaculação e tamanho do pênis Outros fantasmas que atrapalham o sexo para o homem são: ejaculação rápida e o tamanho do pênis. De acordo com Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, realizado pela psiquiatra e pesquisadora Carmita Abdo, 25,8% dos brasileiros apresentam ejaculação precoce. Os homens mais jovens são os que mais apresentam o problema. Entre 18 e 25 anos, o índice é ainda maior 27,6%. As causas dificilmente são orgânicas, assim como acontece com a disfunção erétil ou dificuldade de ereção. Fatores como inexperiência, ansiedade e medo de rejeição podem explicar os altos índices deste problema, diz Carmita Abdo. Assim o melhor tratamento para ejaculação precoce ou rápida é a psicoterapia e a reeducação sobre a função sexual. Segundo o urologista Luís Otávio, raros são homens que apresentam realmente pequenos, os chamados micropênis (7,5 cm em ereção, com 9 cm de diâmetro). A maior parte das insatisfações está relacionada a autoimagem que homem tem de si, pois estão dentro dos padrões normais dos brasileiros (10,5 a 16 cm ereto e 11 cm de circunferência). “Destes reclamões, a maioria gostaria de aumentar o tamanho do pênis flácido e não em ereção. Assim se sentiriam mais à vontade em vestiários ou banheiros coletivos, porque na relação eles sabem que o tamanho não interfere e, geralmente suas parceiras não reclamam. Para isso, o único tratamento disponível é a psicoterapia, através dela o homem pode ser levado a desfocar-se do seu pênis e aumentar sua autoestima”, sugere o especialista. Para concluir Carmita enfatiza que sexo é diferente para homem e mulher e não há como mudar isso. Assim como terapia de casal é diferente de terapia sexual. Mas, para se ter harmonia embaixo dos lençóis é preciso acima de tudo que os parceiros tenham dois itens em mente: “é preciso mudar o que puder e negociar o resto. Sexo é único e muda a cada fase da vida e, que o pior veneno para o desejo é a rotina”, finaliza.

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