Terça, 21 de Novembro de 2017

O lado chato da gestação

28 JUN 2010Por 06h:55
Anna Mocelin, Bolsa de Mulher

Os nove meses de gravidez são repletos de expectativa e felicidade. Afinal, vem chegando uma criaturinha fofa e cheia de energia, que vai receber muito amor e completar a família. Mas também é um período em que o corpo sofre inúmeras mudanças para se adaptar à gestação, resultando em um tremendo mal-estar.
Enjoos, vômitos, tonturas, inchaços, dores, falta de ar... são tantos os incômodos que é preciso ter muita paciência e disposição para enfrentá-los. A maioria das mulheres passa por esses problemas – umas, de forma mais intensa, outras de forma moderada. Não é fácil, mas é possível conviver com eles e ter uma gravidez tranquila.

O primeiro trimestre
Antes de saber que iria ser mãe da pequena Sofia, a administradora Isis de Souza sentia apenas sono e enjoo. Mas depois de receber a notícia da gravidez, ela teve uma surpresa: “Parece que todos os sintomas resolveram aparecer, achei até que era psicológico”, conta. Além do aumento dos enjoos e do sono, que atrapalhava sua rotina, os seios começaram a doer e a crescer e surgiram as ânsias de vômito. “Toda vez que sentia um odor forte, ficava com ânsia. O mais estranho é que isso acontecia até quando eu sentia o cheiro do creme dental, o que me fez passar a escovar os dentes mais rapidamente. Os enjôos, então, apareciam todas as vezes em que eu comia”, conta.

Uma grande transformação
Por que as mulheres têm de passar por tanto sufoco durante a gravidez? Segundo os ginecologistas, as alterações no organismo materno durante o período gestacional são provocadas por causas diversas. A fundamental é a criação da placenta, fator preponderante para a geração de hormônios, alguns exclusivos da gravidez, como o BetaHCG, responsável pelo surgimento de alguns sintomas. São vários hormônios. A gonadotrofina coriônica, por exemplo, é causadora da estimulação do centro do vômito, levando a náuseas e vômitos, a progesterona, por sua vez, tem ação depressiva no sistema nervoso central, ocasionando sonolência.
Outras alterações físicas, como a vasodilatação e o aumento do débito cardíaco, favorecem o aparecimento da pressão baixa. Até mesmo o aumento do útero é responsável por alguns episódios de mal-estar. Ele cresce e se sobrepõe à veia cava inferior, causando retenção de sangue e o aparecimento de varizes e edemas (inchaços). Sem contar que comprime a bexiga, causando muita vontade de ir ao banheiro várias vezes por dia, e afeta o funcionamento do intestino, deixando-o mais preguiçoso. E isto, segundo os ginecologistas, é só uma amostra das alterações que a mulher sofre durante a gravidez. O importante é lembrar que todas elas têm sua importância e significado.
Os sintomas podem começar a se manifestar até mesmo antes de a mulher descobrir laboratorialmente a gravidez, como aconteceu com Isis. Em geral, se estendem por até doze semanas. Muitas vezes, são esses sintomas que fazem a mulher suspeitar da gravidez. A partir do terceiro mês de gestação, começam a diminuir de intensidade e, na maioria dos casos, desaparecem. Os incômodos mais frequentes são náuseas, sonolência e edemas nas pernas, mas outros sintomas podem aparecer e sua intensidade varia de mulher para mulher.
Em todas as gestantes, é comum a respiração ficar dificultada pela não-expansão do músculo diafragma. Com o crescimento do bebê, torna-se mais difícil puxar o ar. Esse sintoma, assim como a palpitação, é mais frequente a partir do sétimo mês de gestação.  
Se a gente fica livre da menstruação durante a gravidez, o mesmo não se pode dizer das cólicas. Porém, elas não devem ser motivo de preocupação, pois são um sinal do crescimento do útero e da adaptação à presença do embrião. No final elas se intensificam, mas dentro de um patamar aceitável. É preciso, contudo, saber diferenciá-las das dores do trabalho de parto.

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