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Entrevista da Semana

‘O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente em homens’, diz urologista

‘O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente em homens’, diz urologista

cristina medeiros

10/11/2013 - 18h30
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A exemplo do que aconteceu em outubro, marcado como o mês de combate ao câncer de mama, com o ‘Outubro Rosa’, o mês de novembro chega trazendo a campanha de conscientização dirigida ao público masculino, sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Nesta entrevista, o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia - Seccional MS, André Luís Alonso Domingos, fala a respeito da campanha de conscientização para que o homem procure o médico e faça seus exames regularmente, após os 40, 45 anos; sobre o funcionamento de um centro específico para o homem na Capital e sobre o diagnóstico e tratamento da doença.

CORREIO PERGUNTA A exemplo do “Outubro Rosa”, foi criado o “Novembro Azul”, ligado à prevenção do câncer de próstata. Quais as ações que estão sendo feitas diretamente junto à população para conscientização dos homens em MS?
André Luís - Campo Grande é uma das cidades no Brasil onde há o Centro de Referência de Atendimento ao Homem, próximo à Unidade Básica de Saúde (UBS) do Coronel Antonino, que funciona há mais de quatro anos. E, além disso, há o Centro de Especialidades Médicas (CEM) – e aqui eu estou falando no nível de saúde pública. Qual é o correto para o Sistema Público de Saúde? O paciente vai à UBS, faz uma consulta com o clínico geral e, se ele tem critérios de indicação para passar com o urologista, para prevenção do câncer de próstata, será encaminhado tanto ao CEM quanto ao Centro de Atendimento do Homem. Neste local, estão estritamente urologistas; no CEM , ele também é encaminhado para a urologia do local. E, a partir daí, faz um exame – não precisa ir para um hospital para fazê-lo. Normalmente, o médico da UBS pede o PSA – que é o exame de diagnóstico inicial – e quando vai para o Centro de Saúde do Homem ele já está com este exame, com todo o histórico, e o médico faz a entrevista e realiza o toque retal.
Vamos distribuir panfletos em consultórios médicos, no Centro de Saúde do Homem, também. E haverá cartazes para conscientização nas UBS.

Em quantos municípios de MS existe este Centro de Atendimento à Saúde do Homem?
Eu acredito que apenas em Campo Grande.

Então, este “Novembro Azul”, no caso de Campo Grande, veio apenas para reforçar a necessidade da prevenção?
Isso, trata-se de uma campanha mais de conscientização da população, para que os homens procurem o atendimento e façam uma prevenção do câncer de próstata. Na verdade, o termo prevenção não é muito correto. Porque prevenção é quando você, por exemplo, toma uma vacina que evita que você tenha a doença. É para que o homem venha precocemente ao urologista e, se ele tiver alguma coisa, seja detectada numa fase inicial, na qual temos chance muito maior de cura.

No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás do câncer de pele. O senhor sabe me dizer quantos casos foram registrados em MS neste ano e o número de óbitos pela doença?
Os números existentes são divulgados sempre pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer). Para o Brasil, no ano de 2012, estimaram-se 60.180 casos novos de câncer de próstata. Esses valores correspondem a um risco estimado de 62 casos novos a cada 100 mil homens. Na região Centro-Oeste, depois do câncer de pele, é o mais frequente (75/100 mil). Esta é a última estatística disponível.

O número de óbitos pela doença é grande?
O que ocorre hoje é que o câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente em homens. O primeiro é o de pele, mas, se você desconsiderar este, que tem muito tumor benigno, o câncer de próstata é o que mais acomete os homens. E se você comparar o câncer de próstata com o de mama, a incidência para o câncer de próstata para 2014 é maior do que o de mama. E muito menos divulgado.

Quando é detectado no início, quais as chances de sobrevivência?
Se o tumor é restrito à próstata, normalmente nós temos em torno de 90% de chances de cura. Apenas com tratamento.

Ele evolui rapidamente ou é mais lento?
Dos tumores urológicos, ele é o de crescimento mais lento, diferente de um tumor de testículo ou de rim. Isso não quer dizer que o paciente não possa morrer pela doença. Porque, como ela dá poucos sintomas, o paciente não sente que está com o tumor, ele vai tendo crescimento lento. Se o paciente não procura o médico, no momento em que ele tem o sintoma, o tumor já está numa fase em que o tratamento é mais difícil de ter sucesso. Oitenta por cento dos tumores de próstata não dão sintomas, já que estão na periferia da próstata, e não no meio dela, onde atrapalharia o indivíduo ao urinar – isso aconteceria mais na fase final do tratamento. Até o tumor chegar ao canal da urina, demora. Por isso, são necessários os exames, para que se possa fazer o diagnóstico o mais precocemente possível.

Esta pode ser considerada uma doença apenas da terceira idade? Quais são os fatores de risco?
Os principais fatores de risco são a idade – quanto mais velho o paciente, mais chance dele apresentar o problema. O ideal é que os exames comecem a ser feitos a partir dos 40 anos. Mas a idade, normalmente, mais frequente, é a partir dos 70. Porém, eu já operei pacientes com 45, 50 e 60 anos. Além disso, os fatores de risco: a raça negra é um, muito importante, além do consumo de gordura saturada (de origem animal). E o histórico familiar também entra nestes fatores de risco. Destes todos aqui, a gente só pode modificar o consumo de gordura saturada, por isso, a importância de se procurar com antecedência o médico.

Este tumor é sempre maligno?
Todo tumor, câncer de próstata, é maligno. Toda vez que nos referimos a tumor de próstata, estamos nos referindo à neoplasia maligna do local. Para ser benigno, tem outra nomenclatura: hiperplasia benigna da próstata (HBP).

Há sintomas? Quais e em qual momento?
Podemos dizer a dificuldade para urinar, sangramento na urina e, às vezes, numa fase mais avançada, a dor óssea, como a dor na coluna . Porque o principal ponto de metástase, de disseminação do câncer de próstata, é a coluna vertebral.

Parece que o homem cuida mais de seu carro do que da própria saúde. Por que há tanta resistência masculina em fazer o exame para a prevenção?
Isso é uma verdade, mas nos últimos 5 a 10 anos isso vem mudando, porém, ainda não de maneira satisfatória. Há uma pesquisa de 2009, feita pela USP junto a outro pesquisador, mostrando que apenas 33% dos homens procuram fazer exames de prevenção. E a gente acha que vários fatores contribuem para a baixa procura: um deles é a falta de informação – e aí a imprensa e a sociedade têm grande papel nisso, como o “Novembro Azul”. E, ainda, o próprio preconceito machista que existe na sociedade, de que homem não pode fazer toque retal. Este é um exame indolor, muito rápido de ser feito. E, normalmente, eu não tenho dificuldade alguma em fazer o exame em todos os pacientes que vêm ao meu consultório e a quem eu explico a real necessidade de fazer o toque.

O senhor poderia explicar qual a sequência de exames feita até o diagnóstico?
Em teoria, o exame de toque é complementar ao exame de PSA e vice-versa. Eles são exames complementares, não que se excluem. Não está correto o médico fazer apenas o exame de PSA, mesmo que ele esteja normal, porque há casos em que é apontada a normalidade e aí se detectam nódulos no toque retal – e este paciente tem indicação de biópsia prostática também. Na verdade, o diagnóstico não é feito com PSA e com exame de toque, são exames de rastreamento. A biópsia é que vai mostrar se é tumor maligno ou não. Então, PSA alterado ou que evoluiu muito rapidamente no último ano, bem como nódulo no toque retal na próstata são indicações para biópsia de próstata.

A retirada do tumor maligno influencia posteriormente na potência masculina?
Pode influenciar. Hoje, com as técnicas mais apuradas nos procedimentos cirúrgicos e da preservação da enervação do pênis na cirurgia, é menor. Porque o feixe que enerva o pênis, responsável pela ereção, passa por baixo da próstata. E quando você retira este órgão, às vezes, pode haver dano a este tipo de nervo. Ocasionalmente, ele é difícil de ser visualizado. Pode ser que o tumor tenha se estendido um pouco fora da próstata e não se pode preservar o nervo. Mas, hoje, com as técnicas de preservação do nervo, aumentaram-se as chances de o indivíduo ficar potente. Mas ainda existe este risco da impotência. E quanto mais idoso for o paciente que vai para a cirurgia, maior a chance de impotência. Porém, é preciso explicar que, mesmo que isso ocorra, há vários tipos de tratamento que promovem a ereção.

O que o senhor acha que é ideal para atrair os homens a frequentar os Centros de Atendimento ao Homem?
Em primeiro lugar, tem que haver uma política pública de facilitar o acesso desta população ao urologista. Depois, é preciso ter uma rede para se fazer as biópsias adequadamente. E, por fim, precisa-se de centros que possam fazer o tratamento deste paciente, caso ele tenha o câncer de próstata: seja ele um tratamento cirúrgico ou, por exemplo, uma radioterapia.  

Infraestrutura

Prefeitura prepara obra de R$ 1,2 milhão na Avenida Europa em Campo Grande

Intervenção prevê recuperação de quase 9 mil m² de asfalto e melhorias de acessibilidade; licitação será realizada em 4 de novembro.

16/10/2026 18h17

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa.

Imagem aérea mostra equipes e máquinas trabalhando na pavimentação de uma rua de Campo Grande. Prefeitura abriu licitação de R$ 1,16 milhão para recuperar a Avenida Europa. Foto: Divulgação Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande abriu licitação estimada em R$ 1,16 milhão para contratar uma empresa responsável pela recuperação da Avenida Europa, no trecho entre as avenidas Ernesto Geisel e Bandeirantes. O projeto prevê intervenções em aproximadamente 796 metros da via, com recuperação do pavimento asfáltico e melhorias nas condições de acessibilidade.

O aviso foi publicado nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), a pedido da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). O processo será conduzido pela Secretaria Especial de Licitações e Contratos (Selc).

Conforme a planilha orçamentária, a intervenção contempla aproximadamente 8,9 mil metros quadrados de recapeamento asfáltico, além de serviços de remoção do pavimento deteriorado, adequações em meios-fios, sarjetas e estruturas de drenagem.

O projeto também prevê trabalhos em cerca de 480 metros quadrados de áreas destinadas a calçadas e rampas de acessibilidade, incluindo a instalação de piso tátil para facilitar a circulação de pessoas com deficiência visual.

A maior parte do investimento estimado será destinada à recuperação do pavimento, com aproximadamente R$ 889 mil previstos para os serviços de asfaltamento.

De acordo com a documentação, o cronograma de execução está distribuído em três etapas, ao longo de 90 dias. Entretanto, ainda não há data definida para o início dos trabalhos, que dependem da conclusão da licitação e da contratação da empresa responsável.

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que a intervenção faz parte das iniciativas destinadas à melhoria da infraestrutura viária da Capital.

"Nosso compromisso é cuidar da infraestrutura da cidade e buscar melhorias que façam a diferença no dia a dia da população. A recuperação da Avenida Europa vai contribuir para oferecer melhores condições de tráfego, mais segurança e conforto para quem passa pelo local", destacou.

Licitação será realizada em novembro

A sessão pública para disputa de preços está marcada para 4 de novembro de 2026, às 7h45. As empresas interessadas poderão encaminhar suas propostas até as 7h44 do mesmo dia.

O procedimento será realizado por meio do Pregão Eletrônico nº 173/2026, com julgamento pelo critério de menor preço.

Após a análise das ofertas e o cumprimento das demais etapas previstas no edital, a Prefeitura poderá formalizar a contratação da vencedora.

O valor de R$ 1,16 milhão corresponde ao orçamento estimado para os serviços e poderá ser reduzido conforme as propostas apresentadas durante a disputa.

 

El niño

Após temporal, Defesa Civil prevê "tempos difíceis" com mudanças climáticas abruptas

Prefeitura afirma que tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027

16/10/2026 17h30

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño

Defesa Civil alerta para eventos climáticos extremos devido ao El Niño Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Após as fortes chuvas que caíram em Campo Grande nessa quinta-feira (16) e que causou diversos estragos, principalmente relacionados a transbormamento de córregos e alagamentos, a Defesa Civil Municipal alerta que o cenário para os próximos meses é preocupante.

Conforme dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), em cerca de 24 horas, choveu quase todo o acumulado registrado em outubro do ano passado.

"Nós vamos ter tempos difíceis agora, mudanças climáticas abruptas", disse o coordenador da Defesa Civil Municipal, Enéas Netto.

Isto porque, conforme o Executivo Municipal, a tempestade é resultado do fenômeno El Niño, previsto por meteorologistas como um evento de grande intensidade entre a primavera de 2026 e o verão de 2027.

Enéas afirmou que o órgão recebeu mais de 50 chamados relacionados ao temporal de quinta-feira e que as equipes estão nas ruas trabalhando no rescaldo.

O coordenador pediu para que a população utilize o número 199, de emergência, para reportar qualquer tipo de situação relacionada às chuvas. Através deste número, a Defesa Civil faz a coordenação, com direcionamento para cada secretaria específica tomar as devidas providências e ações necessárias.

Enéas Netto também pediu para que a população tome medidas preventivas para evitar qualquer ocorrência dutrante as chuvas.

"Orientamos a população, por exemplo, numa situação de advento climático como a que aconteceu ontem, a Defesa Civil pôde presenciar, inclusive, pessoas enfrentando fortes enxurradas, expondo a vida em risco.
Então, a partir do momento que emitir o alerta da Defesa Civil, para que a população respeite e siga as orientações", alertou.

"Tendo a possibilidade de uma chuva maior, de uma ventania e tudo mais, não deixar seus veículos embaixo das árvores, se possível não sair de casa, se tiver que sair, identificando uma situação de ponto de alagamento, não enfrente esse ponto de alagamento, preservando a vida sempre", orientou.

Rescaldo

A Prefeitura de Campo Grande está com equipes nas ruas desde a tarde de quinta-feira, com ações que incluem limpeza e desobstrução de vias, manutenção da drenagem urbana e acompanhamento de pontos de alagamento.

Entre os serviços em andamento estão a limpeza de grades e rebojos, retirada de terra acumulada e a desobstrução de bocas de lobo.

A atuação também envolve o atendimento a famílias afetadas pelas chuvas e o levantamento de possíveis danos em imóveis. 

O balanço geral das ocorrências, dos danos provocados pelo temporal e dos atendimentos realizados está em levantamento pelos órgãos municipais e não foi divulgada até a publicação desta reportagem.

Recorde para o mês

Conforme o Cemtec, nos primeiros 15 dias de outubro de 2026, houve predomínio de acumulados de chuva expressivos e acima da média climatológica mensal em grande parte de Mato Grosso do Sul.

O maior registro de precipitação acumulada em Campo Grande foi de 272,8 mm, valor que representa um excedente de 81% em relação à média esperada para todo o mês de outubro.

A média histórica utilizada para comparação é de 150,6mm, baseada nos dados climatológicos da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada na Embrapa Gado de Corte, referentes ao período 1981–2010. 

Em todo o Estado, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas - Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai - Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).

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