Terça, 21 de Novembro de 2017

O caminho do sucesso

2 FEV 2010Por OSCAR ROCHA22h:59
Qual a próxima dupla ou artista do sertanejo local a estourar nacionalmente? Depois do sucesso de Almir Sater, Maria Cecília e Rodolfo, João Bosco e Vinícius, Tradição e Luan Santana, Mato Grosso do Sul tornou-se ponto de referência importante desse segmento no cenário musical brasileiro. Por outro lado, como se destacar numa cena marcada por grande número de artistas? “Em média, duas duplas por dia nos procuram interessadas em se apresentar no Valley Acoustic Ba r, mu it as d e l a s c om talento, mas que a i nda não têm exposição na mídia”, explica Sérgio Longo Filho, um dos proprietários de uma das casas especializadas em música sertaneja da Capital. “Chegamos a receber 10 novas músicas a cada dia, sem contar os CDs com várias canções”, informa Edson “Véio”, diretor artístico da Capital FM, emissora que se dedica somente ao gênero. Claro que o talento é a arma principal para aqueles que querem se destacar, porém, outros fatores também podem auxiliar os futuros astros. Para Sérgio Longo Filho, algo muito importante para o artista fazer sucesso é o carisma. “Ter comunicação direta com público, dar atenção às pessoas”, diz. O empresário do Grupo Tradição, Wagner Hildebrand, também aponta a mesma qualidade para quem deseja conquistar seu espaço. “Ser simpático, ter paciência, algo que o artista tem que ter se quiser fazer sucesso. Ser carismático”. Investimento Saindo da subjetividade, o futuro destaque sertanejo precisa investir financeiramente no início da carreira. Antes mesmo de encontrar um empresário que acredite no potencial da dupla ou artista é importante que invistam em aulas de canto, que possam assegurar um vocal que não faça feio no meio profissional – aulas de dança não estão descartadas. “Por exemplo, antes de entrar no Tradição, o Guilherme, um dos novos vocalistas do grupo, cantava bem, tinha presença de palco e tocava instrumento, mas mesmo assim teve que fazer aula de voz, de dança geral e coreografada, sem contar que os ensaios têm que ser constan- tes para quem quiser realmente se destacar”, diz Hildebrand. Outro item fundamen- tal é a escolha do repertório. Segundo os profissionais consultados, os novos precisam prestar atenção ao que está tocando e sempre apostar num diferencial. “Preferimos sempre artistas ou duplas que tenham uma música tocando no rádio, isso chama a atenção realmente”, diz Sérgio. No ar Como entrar na programação das emissoras de rádio? A dupla Flávio e Jean, que tem quatro anos de carreira e apenas agora se lança para audiência maior, busca emplacar nas rádios locais. “Está meio complicado, tocamos músicas em vários lugares do Brasil e até do exterior, porém, por aqui ainda não tivemos acesso. Temos que acertar com alguma emissora, fazer parcerias e assim conseguirmos mídia”, diz o empresário e produtor da dupla, Samuel Moretto. Edson “Véio” aponta que mesmo com os talentos aparecendo em grande quantidade, ainda há muitos que querem aparecer sem serem realmente profissionais. “Tem um pessoal sem noção, que produz algo sem qualidade, isso do ponto de vista da produção. É preciso que a música seja bem gravada para tocar nas rádios”. Ele também diz que certo expediente não funciona mais. Como aquele do pai de Zezé Di Camargo e Luciano, que ligava insistentemente para as emissoras pedindo a música dos filhos. “Tem gente que traz o CD num dia, no outro já tem ouvintes pedindo a música, mas quando verificamos os pedidos, vêm do mesmo computador. Quer dizer, para tocar a mú s i c a tem que ser realmente boa”, aponta o diretor artístico da FM Capital. Para se produzir CD com qualidade técnica competitiva, capaz de não fazer feio entre os grandes nomes do sertanejo, é necessário investimento. Samuel calcula que o álbum “Acelerando na balada”, de Flávio e Jean, totalmente gravado em Campo Grande, tenha custado entre R$ 30 e R$ 40 mil, com produção de Anderson Nogueira, baterista do Tradição. “Conhecia o trabalho da dupla e resolvi apostar por acreditar que seja um produto novo no mercado, capaz, inclusive, de se aproximar do público que não gosta muito de sertanejo. O CD é diferente, tem uma levada meio Shania Twain. É um pop sertanejo”, diz o empresário. Moretto acredita que no primeiro momento as duplas novatas não podem apresentar custo alto aos contratantes. “É necessário baixo custo, ser parceiro de quem contrata”. Também enfatiza a importância da produção de um show de qualidade, que possa render comentários positivos. Nesse quesito, até duplas com pouco tempo de estrada, como Tiago e Graciano (leia box), sabem que é necessário certo impacto ao vivo. “Reconhecemos que é importante estar arrumado nas apresentações e ter cuidado como se fosse num grande show, mesmo não tendo tanto estrutura”, diz Tiago. Se depender da vontade dos novatos, mais artistas locais podem ganhar a cena nacional, pelo menos profissionalismo e talento não faltam para essa turma.

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