Terça, 21 de Novembro de 2017

O amigo certo

25 MAI 2010Por 07h:25

Thiago Andrade

 

O melhor amigo do homem, quando mal escolhido, pode tornar-se um grande fardo. Portanto, conhecer bem as raças, saber quais são as aptidões e características de cada uma, além de identificar claramente a rotina do dono devem ser passos fundamentais no processo de aquisição de um animal de estimação. Pesquisar é a etapa primordial para uma escolha responsável e saudável, tanto para o dono, quanto para o cão, capaz de evitar arrependimentos futuros.

Para Rochester Oliveira, criador de cães exóticos e proprietário do Canil Salatino, existe sim um filhote certo para cada família ou indivíduo. "Contudo, muitas pessoas colocam a aparência como principal elemento para a escolha do cão, ignorando outros fatores, como o comportamento específico de cada raça", critica. Assim como cada pessoa tem seu estilo de vida, sempre existirá uma raça que a acompanhe da melhor forma.

Embora não pareça tão séria, a escolha do animal envolve grande responsabilidade e é a melhor forma de diminuir os índices de frustração do novo proprietário e, até mesmo, do abandono dos animais. "Acredito que todo criador consciente deve tentar não vender o cão, ou seja, o importante é apontar todas as falhas e defeitos da raça antes de empurrar os filhotes para quem quer comprar", argumenta Rochester.

Se mesmo conhecendo todos os problemas do animal, a pessoa acreditar que ele se encaixa no perfil que procura, vale a pena comprá-lo.

O criador explica que existem muitos mitos relacionados aos cães. "Tem gente que acredita naquela história de que o primeiro cachorro da ninhada que vem até ela é o que deve ser levado para casa. Quem está vendendo deveria explicar que não é exatamente isso. Os cães com mais iniciativa são os machos alfa, ou seja, têm muita energia e sempre se acharão os donos do pedaço. Se o dono não tiver pulso firme para domesticar o animal, eles farão da sua vida um inferno", ressalta. Portanto, muito cuidado ao visitar os canis.

 

Como escolher?

Primeiro passo para uma compra responsável é conhecer as raças. Isso pode ser feito por meio de revistas especializadas, em pet shops ou sites de criadores. Depois disso, visitar canis e conversar com pessoas que têm a raça ou conviveram com ela pode dar uma noção mais próxima de qual é o comportamento do animal. Vale notar que cada raça tem temperamento específico, que está ligado ao próprio instinto, desenvolvido naturalmente por longos períodos de tempo.

"A natureza e o homem passaram anos aperfeiçoado-os geneticamente para as funções que desempenham. Cães pastores, por exemplo, latem muito, pois essa é a forma que têm para acuar os rebanhos. Eles também são extremamente inteligentes e até mesmo isso pode representar problemas, já que precisam de cansaço mental para ter uma vida saudável. Imagine se alguém compra um pastor alemão sem saber disso", ressalta Rochester.

No Brasil, as raças estão divididas em 11 grupos, de acordo com a Federação Cinológica Internacional (FCI), que as estuda cientificamente. Cada um deles tem características próprias que, no geral, explicam o comportamento dos cães. Uma forma de escolher bem é procurar informações sobre os grupos e, somente então, decidir-se por uma raça. (Saiba mais lendo o box).

Rochester alerta para a necessidade de alguns cuidados, como nunca escolher uma raça apenas porque a achou bonita ou porque apareceu em algum programa de televisão, e evitar comprar em lojas desconhecidas, pela internet, ou em feiras de filhotes que não revelam a procedência dos filhotes. "Criadores sérios não vendem cães em shopping", critica. A escolha correta significa levar para casa um animal que alegrará a família durante 10, 15 ou até 20 anos.

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